MICHALE GRAVES – Psycho Monster no Circo Voador/RJ

No início do feriadão de Corpus Christi, o ex-vocalista do Misfits, Michale Graves faz um show histórico Michale_Graves_FOTO_Fabiano_Soares_Circo_Voador_RJ_Brasilno Circo Voador/RJ para um público que poderia ser bem maior, tocando na íntegra os álbuns American Psycho e Famous Monsters. 

MICHALE GRAVES – Psycho Monster no Circo Voador/RJ!
Rio de Janeiro – 20 de Junho - 2019
TEXTOS E FOTOS: Fabiano Soares

Quinta-feira, 20 de junho. Uma galera vai ver tapete de sal com imagem religiosa, outra galera vai viajar pra aproveitar o feriadão. Eu me mantenho longe do sal, embora não seja hipertenso (fico tenso é com esses rituais religiosos), e viagem, só se for pra minha adolescência: Michale Graves vai tocar na íntegra o American Psycho e o Famous Monsters, do Misfits.

Michale_Graves_FOTO_Fabiano_Soares_Circo_Voador_RJ_BrasilChego cedo, tanto quanto a ansiedade pede. Não tem muita gente, mas quem chegou, tá animado: uma galera com maquiagem ao estilo Misfits, da qual Graves foi vocalista; pessoal com luvas de esqueleto; roupas e patches que demonstravam de alguma forma que o horror punk havia marcado aquele coraçãozinho gelado. Uma forte pancada de chuva cai, mas é passageira, só pra assustar o carioca que tem medo de chuva. E o público variava de adolescentes a senhores que já passavam os 40 fácil, beirando os 50 ou 60 até. O DJ Wagner Fester preparava o ambiente com petardos clássicos do punk, rock e metal (rolou até Danzig).

É nesse clima que em uma pausa do som mecânico, ainda bem cedo, o ambiente sonoro começa a pesar, e o público correu para a “lona”, pois “Abominable Dr. Phibes” é o início desse aguardado show. Tudo escuro, os riffs soando, e aparece Michale Graves, em uma camisa de força, contorcendo-se no palco. Em seguida, mandam American Psycho, cantada em coro por todos, mostrando o bom desempenho de Graves e a grande animação dos fãs. Ao término da música, tirou a camisa de força e mostrou todo o vigor que tem para agitar os braços, quase uma “dublagem” em italiano.

O único no palco usando a maquiagem característica que remetia ao Misfits era o vocalista; a banda, de cara limpa, literalmente, cumpriu bem seu papel e fez todo mundo pular e dar seus esbarrões na roda, com os riffs, batidas e marcações de grave. Uma grande festa punk, lotada de clássicos. Quando tocou "Dig Up Her Bones", famosa pelo videoclipe, o público cantou junto, do início ao fim. Muita gente subindo no palco para os usuais moshs, mas uma galera subindo pra Michale_Graves_FOTO_Fabiano_Soares_Circo_Voador_RJ_Brasiltirar selfie. Delicadamente, Graves pediu para não subirem, “pela segurança de todos”. Óbvio que não adiantou, e rolaram alguns empurrões do roadie, que era um cara bem grande. E como ele era grande, mas não era dois, não adiantou nada mesmo, e rolou um esporro por parte da banda, pedindo que não subissem mais, definitivamente. E você já sabe, não adiantou também…

O público ia ao delírio a cada música do American Psycho tocada. Uns cantavam junto, outros davam seus passinhos solitários, como se fosse o Chaves chutando o ar; um Michale_Graves_FOTO_Fabiano_Soares_Circo_Voador_RJ_Brasilgrupinho se porrava, mas também se abraçava na roda, gritando a letra da música na cara de quem acabou de te dar um soco. Uma coisa linda de se ver. Uma coisa é certa: as músicas do álbum passaram rápido demais e não teve tempo pra respirar. Grande parte da plateia conhecia todas as músicas, pois o American Psycho é um disco clássico, e as faixas empolgantes não deixaram ninguém parado. "Shining", "Don’t Open ‘Til Doomsday", "Crimson Ghost", etc., tudo pra bater cabeça, fazer dancinha punk, ser livre do jeito que você entender, sei lá. E a pausa terminou com o "ô-ô-ôu-ô"! de "Hell Night".

E como tudo o que é bom dura pouco, em cerca de quarenta minutos as luzes se apagaram e o som acabou. Certamente, uma pausa para se recuperarem e começar o Famous Monsters! A tentativa de ir ao banheiro é interrompida pela iluminação do palco, seguida pelo início de "Kong at the Gates". Porra, os caras têm muito mais pique do que eu.

E todo mundo já estava de novo nos seus passinhos em "Forbidden Zone", nos tupa tutupa alinhado com a voz afinada de Graves. Embora a animação continuasse, senti que o pessoal deu uma segurada nos ânimos, pontuando melhor os momentos de êxtase. Ou isso seja apenas uma percepção falsa por conta da minha preferência pela primeira parte do show. A verdade é que a apresentação continuou linda, e as músicas contando com o coro da plateia, punhos erguidos o tempo todo.

Um momento bonito da noite foi a irônica Saturday Night, a baladinha com a letra não tão fofinha assim. E posso destacar algumas faixas da segunda parte que mais animaram: "Crawling Eyes", a super dançante "Scarecrow Man", "Die Monster Die" com seu refrãozinho chiclete, "Descending Angel" com seu ô-ô-ôooo, e o ponto da maior roda, talvez por estar acabando o show, "Helena".

Antes de chegar ao fim, Graves fez um discurso emocionado sobre sonhos e sobre a importância de cada um ali naquele momento. Autoajuda horror punk, tenho certeza que do jeito que foi dito ali, não foi rechaçado como um Quem Mexeu no meu Queijo? ou uma música da Xuxa. Até me senti mais capaz de escrever essa resenha.

Michale_Graves_FOTO_Fabiano_Soares_Circo_Voador_RJ_BrasilE não pode-se dizer que foi do nada, já que era esperado que chegasse ao fim o álbum (rolou inclusão de uma música só), mas essa grande festa, um halloween de respeito (adiantado em 4 meses), acabou, deixando sorrisos pelo show e pelas palavras de respeito e confiança ao público.

Embora a casa não estivesse cheia, existem explicações: início de feriadão, pancadinha de chuva que assustou os feitos de açúcar, falta de grana, o show ter começado cedo demais (antes das 11 já tinha terminado)… Enfim, não importa o motivo, o fim é que quem não foi, perdeu um grande show, que dificilmente voltará para o Brasil. Michale Graves não completou a turnê no Brasil, infelizmente.

Além do Rio de Janeiro, o músico se apresentou em São José dos Campos/SP, Paranaguá/PR, Curitiba/PR, Belo Horizonte/MG e em São Paulo/SP, ficando de fora Limeira/SP, Brasília/DF, Florianópolis/SC, Caxias do Sul/RS, Fortaleza/CE e Recife/PE. O que torna mais especial ainda à noite no Circo Voador. Quem viu, viu! - Fabiano Soares!

Posted by Michael Meneses Tuesday, July 2, 2019 12:45:00 PM Categories: Circo Voador DJ Wagner Fester Michale Graves Misfits Punk Horror Show
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