LOCANDA DELLE FATE – TOUR BRASIL 2017

Comemorando os 40 anos do lançamento de “Forse le lucciole non si amano più”, considerado umPáginas Psicodélicas do PORTAL ROCK PRESS com Locanda Delle Fate com Luciano Boero dos grandes álbuns do Rock Progressivo mundial, os Italianos do Locanda Della Fate, desembarcam no Rio de Janeiro para dois dos seus três últimos shows, (os únicos na América Latina). As apresentações acontecem em Niterói/RJ no dia 10/11 e na Cidade da Musica na Barra da Tijuca na capital carioca em 11 de novembro. O último show acontece na cidade italiana de Asti, cidade natal da banda. O Portal Rock Press, conversou com Luciano Boero baixista do Locanda Delle Fate que nos falou um pouco desses shows, história e encerramento da banda.

Páginas Psicodélicas com Locanda Delle Fate (Luciano Boero).
Por: Marcus Larbos, Michael Meneses e Adriana Castilho Gomes
Fotos e Imagens: DIVULGAÇÃO

Páginas Psicodélicas do PORTAL ROCK PRESS com Locanda Delle Fate com Luciano Boero

PORTAL ROCK PRESS - Quais foram os fatores que levaram a banda a encerrar definitivamente suas atividades? No Brasil a expectativa destas apresentações é grande. Há alguma possibilidade, com o sucesso destas apresentações, de mudar a opinião e continuar com a banda?
Luciano Boero -
A Locanda, como tal, não continuará. Foi uma decisão difícil, abandonar o palco, porque não é fácil deixar para trás um amor da vida. Mas, pelo menos para mim e meus companheiros "históricos" é mesmo por amor que tomamos esta decisão. Queremos que a Locanda seja lembrada pelo melhor, porque pensamos que não é preciso desafiar a sorte. Muitos de nós viajamos durante a semana e somos um dos poucos grupos dos anos 70 que mantém quatro integrantes originais. A vida de um grupo precisa de comprometimento, entre provas e viagens. Isso sem mencionar os aspetos organizacionais. Quem toca sabe bem do que estou falando. Queremos chegar juntos a um objetivo, colocar a decisão em conjunto acima das decisões individuais, decisão sábia. Queremos descer do palco antes do primeiro tomate ser jogado. Em sentido figurado, obviamente, sabemos que o primeiro tomate será jogado por nós, antes que o público o jogue. Neste momento percebemos que não estamos mais no topo. É obvio que nenhum de nós abandonará o palco. Continuaremos a subir individualmente, envolvidos em outros projetos, talvez mais "fáceis". Talvez, venhamos experimentar coisas novas, como já aconteceu no passado. Somos bons músicos, e trabalhamos em sintonia. Por que não?

Páginas Psicodélicas do PORTAL ROCK PRESS com Locanda Delle Fate com Luciano BoeroPORTAL ROCK PRESS - O seu primeiro álbum é considerado uma pedra fundamental do rock progressivo italiano e mundial. Como foi o processo de compor o álbum?
Luciano Boero -
Depois de anos fazendo cover (Locanda Delle Fate surgiu em 1971), nos demos conta de que entre os membros do grupo tínhamos ótimos compositores e arranjadores. Tinha quem levava a ideia musical de base, geralmente Michele ou Ezio. Depois, todos juntos construíamos o arranjo, frequentemente incluindo ideias de um ou do outro. Eram rios de ideias fluindo. Naquelas noites passadas na cantina testando as ideias de um e do outro, estávamos todos sintonizados na mesma frequência. As emoções de um, se tornavam as emoções de todos e continuávamos repetindo o mesmo trecho noite adentro, sentíamos que aquela magia verdadeira era gratificante. Michele compunha livremente, executando frases sem o vínculo canônico do 4/4 ou 6/8. Enquanto Giorgio o seguia com sua batida precisa, autêntica máquina de ritmo, nos transmitindo o quadro de frequência rítmica. Ezio, a genialidade em pessoa, fechava os olhos e deixava sair de suas pinceladas as notas certas no momento certo. Nunca demais, nem de menos. Qualquer coisa que um dissesse, ele correspondia. "Vai! Toca que eu te sigo". Cada vez, e falo por mim, era sempre diferente daquilo que eu tinha colocado. Mas no fim, tenho que admitir que ele possuía uma sensibilidade superior a minha. Eu tinha uma visão de 360º. Isso sem falar da grande musicalidade e capacidade de harmonização de Oscar, ao ponto de tirar cada pequeno detalhe de seus instrumentos, Hammond, Clavinet, Moog, Arp, Solina, Dulcis ao fundo. A excelente visão interpretativa de Leo. Então Alberto, ou às vezes eu, cobria essas melodias de palavras. Em uma noite de junho, Alberto chegou ao ensaio com uma ideia: "Sabem, eu fiz todos os 50 km de Acqui para Asti sem ver um vaga-lume. Tive um insight: e se fosse porque o mundo está sem amor? E aqui está o título do álbum: Talvez os vaga-lumes não se amem mais! "Enquanto estava trabalhando em turnos em uma fábrica, ao ver uma embalagem de plástico verde, me veio à mente o "Polivinilo Reticulado" e de toda a história do Sonho de Estunno.

PORTAL ROCK PRESS - Como sua parceria com Nico Papathanassiou começou e qual a diferença com a sua participação no álbum?
Luciano Boero -
Aceitamos a proposta de contrato feita pela Polydor porque eles nos garantiram que teríamos Niko Papathanassiou como produtor. Naquele tempo, ele já estava trabalhando com o Krisma. Ele era um homem de grande genialidade e carisma. Mas eu tenho que dizer que sua contribuição para o álbum foi muito superficial. Às vezes, ele sugeria algum arranjo, mas para dizer a verdade, tínhamos as músicas tão profundamente enraizadas que podíamos tocar todo o LP ao vivo, tudo parecia ter sido explorado e qualquer variação não acrescentava nada mais de novidade. Para nós, ele foi mais um tutor, como um segundo pai, no momento em que éramos jovens e cheios de energia no ambiente da música daqueles anos. Fomos rápidos na gravação, sabíamos tudo de cor, como o Pai Nosso. Gravamos um a um, sobre uma primeira faixa piano + bateria. Davide Marinone, o técnico, era um dos mais aclamados engenheiros de som da época. Dele me lembro da grande paciência ao tentar nos agradar quando pedíamos um efeito peculiar. Como na vez em que Ezio reclamou porque a câmara de eco não deu o efeito atrasado como ele queria, para dar fôlego suficiente entre a cabeça de gravação e a cabeça de leitura, ambos apertavam os microfones em torno dos quais deslizava a fita.

PORTAL ROCK PRESS - Uma questão que surge acima de tudo entre os fãs brasileiros ligados ao prog italiano é que a maioria das bandas dos anos setenta lançaram primeiros álbuns excelentes, mas depois encerraram suas atividades. Qual é a causa disto?
Luciano Boero -
Porque os discos desse tipo já não vendiam. No final dos anos 70 na Itália, de repente, houve um desinteresse geral no movimento prog. Nas casas noturnas, onde os grandes grupos faziam seus concertos, começou a ser difundida a Disco Music, feita por D.J. Disastro! Um "Tum Tum Tum" de batida com Simmons, e o florescimento do sintetizador. Uma invasão imprevisível, se examinarmos as revoluções e contra-revoluções da história. Rádio e mídia de gênero tocavam apenas isso. Ou ainda, as músicas fáceis e cativantes, com o antigo esquema de "estrofe-refrão-estrofe-refrão" que o prog conseguiu desfazer. Os grupos italianos, que se juntaram pela primeira vez em um movimento prog, foram forçados a parar, ou a tentar se reinventar com músicas que flertavam com a nova tendência "comercial". Fora disso, além do Punk que começava a tocar em nosso país, havia apenas um compositor mais comprometido, onde política e pensamento político-filosófico tornou-se um kit de sobrevivência indispensável. Um mundo no qual nós não nos reconhecemos. "Que discurso vocês fazem?" nos perguntaram quando trazíamos o disco a alguma rádio privada. "Como que discurso?" nós perguntávamos: "Nós somos músicos. Queremos fazer boa música. Não somos pregadores. "

PORTAL ROCK PRESS - Que bandas e músicos tiveram influências na definição do estilo do Locanda?
Luciano Boero -
Quando começamos o Locanda delle Fate em 71, fazíamos cover de grupos como Colosseum, Led Zeppelin, Jethro Tull, Deep Purple, ELP, King Crimson, Genesis, Yes, Gentle Giant. Levávamos aquele tipo de música a salões de dança, muitas vezes fazendo a versão italiana. Como não ser contaminado? Quando, de repente, decidimos parar de fazer cover para nos fechar na adega para elaborar nossa "música".

PORTAL ROCK PRESS - Como você vê a cena do rock progressivo italiano e do mundo? O que você tem ouvido das bandas progressivas atuais e outros estilos? Que nomes são revelações de estilo para você?
Luciano Boero -
Gostaria de evitar nomes, o que resultaria em rankings, já que não sou informado profundamente sobre o assunto. Falando em geral, além dos nomes históricos que continuam tocando, embora, muitas vezes, com um ou dois dos integrantes originais e, portanto, a desempenhar um papel de banda cover de si mesmos, existem algumas ótimas propostas, mesmo italianas. Embora às vezes parece que muito é feito na mesa, colocando mais cabeça e menos coração do que no passado. Pode ser que em parte isso seja devido às novas tecnologias, que ajudam, fazendo com que o resultado soe mais frio. Uma vez que tudo nasceu no ensaio, só se ia para o estúdio de gravação quando tudo estava definido e amadurecido. Outra consideração é que a melodia é muitas vezes desvalorizada, jogando-se mais alto em frases estranhas em escalas pentatônicas. O Locanda, é mesmo orgulhoso, ele sempre colocou a melodia em primeiro lugar, mesmo nas passagens instrumentais.

PORTAL ROCK PRESS - O que você conhece sobre rock, música e cultura brasileira?
Luciano Boero -
Pouco. Honestamente, na minha imaginação, o Brasil era mais sinônimo de turismo e futebol e, musicalmente falando, samba e bossa nova. Certamente, não é assim. Vou procurar saber mais, já que descobri com surpresa que no Brasil existe um mundo que aprecia o prog. O interesse pelo Locanda delle Fate demonstra isso.

PORTAL ROCK PRESS - O que motivou a banda a escolher o Rio de Janeiro para essa turnê? Qual é a sua expectativa para a cidade e para o público do Rio de
Janeiro?
Luciano Boero -
Muitas vezes não se escolhe o destino, mas você o conhece durante a jornada. Foi assim para a turnê brasileira. Tínhamos contato com produtores brasileiros há anos, mas nada havia se concretizado até agora, quando isso aconteceu graças ao interesse do Claudio Paula da Vertice Cultural. Em uma ocasião especial como nossa turnê de despedida, não poderíamos deixar de fora um país além do oceano onde nunca havíamos estado, mas onde, ao que parece, somos populares. Estamos ainda hoje impregnados do calor que recebemos dos fãs mexicanos, quando participamos em 2013 do Baja Prog e esperamos o mesmo do Brasil. Da nossa parte, queremos fazer o nosso melhor concerto!

PORTAL ROCK PRESS - Brasil e Itália têm em comuns muitos fatores históricos e culturais, entre eles, o futebol. Como os italianos veem esta conexão?
Luciano Boero -
Bem, estatisticamente o Brasil é "ginga", criatividade, invenção, coração, paixão... Um mito ao qual a Itália se curva. Pelé, o rei, foi meu ídolo, como foi para todos de minha geração. Essas qualidades, de fato, também estão presentes nos italianos. 

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Luciano Boero -
Esperamos todos vocês nos shows do Brasil! Faremos tudo para fazer shows inesquecíveis. - Entrevista por: Marcus Larbos e Michael Meneses. Tradução: Adriana Castilho Gomes.

 

LOCANDA DELLE FATE
Um pouco de sua história

Páginas Psicodélicas do PORTAL ROCK PRESS com Locanda Delle Fate com Luciano Boero

No inicio dos anos 1970 e com o nome inspirado em um artigo de jornal que noticiou o fechamento de um bordel, a Locanda Della Fate teve seu inicio tocando covers de bandas dos anos 1960/70. Em clubes da cidade de Asti e arredores. Com o tempo ficou claro o potencial dos músicos para criar suas próprias composições. Até que em julho de 1977 a Polydor lançou seu mais importante trabalho, o álbum “Forse le lucciole non si amano più” (em português: “Talvez os vaga-lumes não se amem mais"), que contou com a produção de Niko Pappathanassiou (irmão do Vangelis). Até hoje visto como um dos grandes momentos do Prog por fãs e pela crítica especializada em todo o mundo. Tempos depois a banda participou de “... Mania de Fonogramas", uma coletânea da Phonogram e reuniu; Amanda Lear, Ronnie Jones, Walter Foini, Renato Brioschi, Panda, Leano Morelli, etc... Porem, estávamos na década de 1970, época em que o Movimento Punk, a Disco-Music e o Rock Progressivo estavam no auge, e ambos ao vivenciando as pressões de mercado, gravadoras. Uma disputa comercial desnecessária, onde no final quem saiu perdendo foi a foi à música e arte como um todo. 

No ano de 1978, agora um quinteto, lançam o single “New York / Nove Lune”, um bom trabalho, mas sem a magia do álbum anterior. Abalados com o resultado comercial e principalmente com os rumos musicais que a banda tomava, resolvem desfazer o grupo. Em 1980 retornam, atendendo apenas por “La Locanda” e lançam o raríssimo "Annalisa / Volare un po 'più no alto". 

Com a virada das décadas de 1980/90 o Rock Progressivo ganha novo folego, é sai pelo selo Mellow Records, “Locanda delle Fate, "Locanda live" com a gravação de um show em 1977. Aos poucos a banda vai estudando uma volta que ocorre no ano de 1999, porem sua formação origina. Lançam “Locanda delle Fate, Homo Homini Lupus”. 

Com a chegada do novo milênio, novos ares e em 17 de julho de 2010, participam do Festival Asti Musica, abrindo caminho para diversos shows Páginas Psicodélicas do PORTAL ROCK PRESS com Locanda Delle Fate com Luciano Boeroe festivais entre os quais, o Baja Prog – Mexicali no México no ano de 2013 onde dividiu o palco com Steve Hackett (Genesis), do Festival ProgRèsiste em Soignie na Bélgica. No ano de 2014 participam do FIM (Feira Internacional de Música de Génova) e em seguida do Astimusica, evento se tornou marcante na história, com a banda recebendo no palco Aldo Tagliapietra (ex-Le Orme) onde juntos fizeram reinterpretações do Le Orme, o grupo ainda foi premiado pelo prefeito de Asti por mérito artístico, por levar o nome da cidade do mundo. 

Para oesses últimos shows, além do repertorio do clássico álbum a banda sons dos álbuns “Homo homini lupus” e “The missing Fireflies” e promete tocar alguns sons que nunca foram gravados. Os shows e, Niterói e no Rio tem a produção da Vértice Cultural que em setembro último trouxe o holandeses do Focus. Além desses shows constantes o grupo vem compondo material ao longo desses anos. Atualmente a formação do Locanda Della Fate conta com: Leonardo Sasso no vocal, Max Brignolo na guitarra, Luciano Boero no baixo Giorgio Gardino na bateria, Maurizio Muha no Piano, teclados e moog e Oscar Mazzoglio nos Teclados.

Outras formações:
1977 -
Leonardo Sasso – vocal, Ezio Vevey – guitarra e vocal, Luciano Boero – baixo, Giorgio Gardino – bateria, Alberto Gaviglio - flauta, guitarra, vocal, Michele Conta – piano e teclado, Oscar Mazzoglio - hammond e teclado.
2013 - Leonardo Sasso – vocal, Luciano Boero – baixo e violão acústico, Giorgio Gardino – bateria, Oscar Mazzoglio – Teclado, Maurizio Muha - piano, minimoog e teclado, Massimo Brignolo – guitarra.

Discografia 
ALBUNS:
Forse le lucciole non si amano più
– Polydor - 1977 (Remasterizado em 1992) Homo homini lupus, VinylMagic – 1999
The Missing Fireflies, AltRock/Fading – 2012

SINGLE:
“Non chiudere a chiave le stelle/Sogno di Estunno”
- Polydor – 1977
“New York/Nove lune”- Polydor – 1978
“Annalisa/Volare un po’ più in alto”- RiFi (“La Locanda”) - 1980.

Discos Ao Vivo:
Live, Mellow Records
- 1993
Live at Bloom (only vinyl) – AMS/BTF - 2012
Bloom Live (CD+DVD) – AMS/BTF – 2013

SHOWS EM NITERÓI E RIO DE JANEIRO:
Páginas Psicodélicas do PORTAL ROCK PRESS com Locanda Delle Fate com Luciano Boero Teatro Municipal de NiteróiNITERÓI/RJ
: - 10 de novembro - 20 horas  
LOCAL: Teatro Municipal João Caetano de Niterói (TMJC) - Rua XV de Novembro, 35 - Centro – Niterói - Tel.: (21) 2620-1624
INGRESSOS A VENDA NO LOCAL 


Páginas Psicodélicas do PORTAL ROCK PRESS com Locanda Delle Fate com Luciano Boero Cidade das Artes RJRIO DE JANEIRO - 11 de novembro - 20 horas
LOCAL: Cidade das Artes - Avenida Aírton Senna, 5300 – Barra da Tijuca/RJ - Tel.: (21) 3328-5300
INGRESSOS A VENDA NO LOCAL
 


Páginas Psicodélicas do PORTAL ROCK PRESS com Locanda Delle Fate com Luciano Boero SHOWS NO RIO DE JANEIRO E NITERÓIPONTO DE VENDA DE INGRESSOS ANTECIPADOS:
INGRESSO RÁPIDO
- www.ingressorapido.com.br
Teatro Nathalia Timberg - Freeway Center - Av. Américas, 2000 – Barra/RJ
Shopping Bossa Nova - Aeroporto Santos Dumont – RJ/RJ
Theatro Bangu - Rua Fonseca, 240 – Bangu/RJ
Fnac da Barra - BarraShopping/RJ
Theatro Net Copacabana - Rua Siqueira Campos, 143 – Copacabana/RJ
021 Turismo - Av. Rio Branco, 181/702 – Centro/RJ
Cidade das Artes - Av. Américas, 5300 – Barra/RJ  - INGRESSOS para ambos os shows.