LIBERATION TOUR FEST 2018 – Excel + Kreator + Arch Enemy

Toda boa história se comemora com uma boa festa, e foi promovendo o LIBERATION TOUR FEST que aKreator_LIBERATION_TOUR_FEST_2018__Brasil_RJ_FOTO_Michael_Meneses_Rock_Press Liberation comemorou seus mais de 25 anos de contribuição ao Rock Brasileiro e Latino Americano. Esse ano, o festival chegou à sua segunda edição e se tornou  itinerante, rodando o Brasil com shows do Kreator e Arch Enemy, e ainda contou com Excel, Genocídio e Shaman em algumas cidades. No Rio de Janeiro o Liberation Tour Fest aconteceu em 16/11 no Circo Voador e fomos lá conferir.

LIBERATION TOUR FEST 2018 – Excel + Kreator + Arch Enemy
Circo Voador/RJ – 16 de Novembro de 2018
TEXTO: Fabiano Soares e Michael Meneses – FOTOS: Michael Meneses!

Noite de sexta-feira na boemia da Lapa carioca é sempre uma festa por si só, todas as tribos e gostos em um só lugar. O Heavy Carioca prestigiou (em bom número) um showzaço na lona mágica do Circo Voador. Adianto que foi lindo, nem a chuva prevista pra cair deu as caras, na verdade ela caiu um pouco distante do calorão carioca, o mau tempo afetou mesmo foi a Costa Leste dos Estados Unidos em forma de nevasca, o que causou o cancelamento de diversos voos na região, entre os quais o que traria Candace Kucsulain, a vocalista do Walls of Jericho, uma das bandas prevista para a noite. Contudo, Excel, Kreator e Arch Enemy brindaram a noite com shows prefeitos. Para um festival desse peso, daremos espaços a dois comentários: Michael, que ouve o som desde os anos 80, e Fabiano, que nos anos 80 estava no saco do pai, e só começou a curtir na virada do século.

EXCEL – Valeu MUITO a pena esperar!
Michael
Excel_LIBERATION_TOUR_FEST_2018__Brasil_RJ_FOTO_Michael_Meneses_Rock_Press Meneses: Não escutava os discos da banda fazia uns 20 anos, mas o Excel era uma banda que se mantinha em minha convivência diária com o rock, graças aos meus contatos com antigos zines, revistas, e ao ver dezenas de patches em casacos de thrashers, adesivos em skates e em todo o universo crossover. Nos dias que antecederam o show me dei o prazer de escutar depois de anos os discos da banda e tive a premonição que assistiríamos a um belo show. Não deu outra, meus instintos perceptivos estavam obviamente certos, mesmo que a banda não estivesse com sua formação original, são mais de 30 anos Excel_LIBERATION_TOUR_FEST_2018__Brasil_RJ_FOTO_Michael_Meneses_Rock_Pressinfluenciando a molecada em como fazer um bom Thrash-Core (como se rotulava na época). Assistimos a um belo show, desses de fazer voltar no tempo, um show curto, mas vigoroso, tocaram para uma plateia inicialmente fria, talvez pelo fato de nem todos conhecerem e/ou não se lembravam de sua importância ao estilo, mas o Excel conquistou geral! Faltou algo!? Sim, a versão que a banda fez no para “Message in a Bottle” do The Police.
Resumindo: Certamente saíram do Circo Voador arrematando novos admiradores, além, é claro, de eternizar seus antigos fãs!

Fabiano Soares: No que o show começou, vi que o guitarrista e o vocalista divertiam-se como adolescentes no palco (mas certamente já Excel_LIBERATION_TOUR_FEST_2018__Brasil_RJ_FOTO_Michael_Meneses_Rock_Presstinham passado dos seus quarenta!). O som era bom, rápido e empolgante! O público, meio tímido, pouco interagia no início. A maioria devia compartilhar da minha ignorância. Na segunda música já deu pra perceber que além dos caras mandarem bem sonoramente, o palco estava sendo ocupado por quem ama fazer esse som! Na tentativa de rotular, essa mania feia que nos persegue, eu e um amigo que também desconhecia a banda chegamos à conclusão que remetia a D.R.I., Suicidal Tendencies. O show infelizmente foi rápido para quem queria conhecer mais (talvez uma certa culpa de nunca ter prestado atenção ao Excel), mas saí com a vontade de comprar o CD da banda. Infelizmente, no merchan oficial, só CD do Arch Enemy. As plataformas digitais pedem resolvem essa falha.

KREATOR – Eternos Old School - Eternos New School
Michael Meneses: Em meados dos anos 1980, quando ainda morava em Aracaju/SE me foi apresentado pelo amigo João Jr. (O popular Joãozinho), o álbum Pleasure to Kreator_LIBERATION_TOUR_FEST_2018__Brasil_RJ_FOTO_Michael_Meneses_Rock_PressKill do Kreator, Joãozinho tinha acabado de receber o disco pelo correio e ainda desembrulhava o pacote, meses depois um outro amigo, José Mateus, (Fanzineiro já falecido e conhecido na cena heavy nacional dos anos 1980 por “Bruxo”) se mudou de Brasília a Sergipe levando com ele algumas gravações raras, entre elas, um ensaio do Keatror em fita K7, e assim fui conhecendo a banda e acompanhando suas notícias (entre ela um show em SP em 1989 que nunca aconteceu) em revistas da época. No ano de 1990 voltei a morar no Rio de Janeiro onde tive a chance de assistir uma avassaladora apresentação da banda em Abril de 1992 em um palco surreal, a antiga quadra da Escola de Samba Estácio de Sá (Campeã do Carnaval daquele ano). Passados 26 anos daquele show, o Kreator retorna ao Rio com a mesma energia típica das bandas de sua geração, e assim como seus conterrâneos do Destruction fizeram em setembro último (LEIA AQUI: https://bit.ly/2QlLHIr ), o Kreator deu “aquela” aula com Pós-Doutorado da Escola Germânica de Thrash Metal. E se o público já estava no gás por contaKreator_LIBERATION_TOUR_FEST_2018__Brasil_RJ_FOTO_Michael_Meneses_Rock_Press do show do Excel, coube ao Kreator pôr fogo na plateia, com Mille Pedrozza o tempo todo interagindo carinhosamente com o público insano do Circo Voador, inclusive lembrando-se do saudoso show de 1992.

Tendo em vista a importância da banda no cenário mundial, o show do Kreator foi curto, faltaram alguns clássicos, mas o que foi apresentado foi perfeito! Sami Yli-Sirnio e Mille Pedrozza brincavam com suas guitarras, uma verdadeira batalha thrash, e somado aos outros músicos pareciam garotos tocando em algum Pub Germânico em meados dos anos 1980. No pit, muita roda, e um misto de um público “Old School e New School”, como bem definiu Mille, mas todos unidos pela mesma essência! Rolaram sons como “Satan is Real”, “Totalitarian Terror”, “Gods of Violence”, "People of the Lie", “Flag of Hate” e “Pleasure to Kill” que encerrou com méritos mais uma apresentação glamorosa do Kreator no Rio de Janeiro.

Fabiano Soares: Acabou o Excel, o lance era esperar o Kreator tocar. A fila do merchan oficial gigante, mostrava que os fãs gostam do que a Liberation traz. Após um momento de ansiedade, um som mecânico começa na redoma, mas um pouco diferente do som da discotecagem. E surgem silhuetas no palco. Sim, era a introdução do show. Começaram com uma pedrada das "novas", "Phantom Antichrist" (do álbum homônimo, de 2012), para mostrar que não só de passado vive o Kreator, e seguiram o show com "Hail to the Hordes" (do "Gods of Violence", de 2017), deixando o público bem animado, mas ainda tímido para um ícone como o Kreator. Em "Enemy of God" (do disco homônimo, de 2005), o público parecia mais presente, e cantou, ou melhor, berrou junto, mostrando que havia sintonia e vontade de voltar mais no tempo. Ainda rolaram mais sons Pós-2010, todas thrash até o talo, no mesmo estilo da banda, até vir a primeira da década de 1990,  a intensa "People of the Lie" (do aclamado "Coma of Souls", de 1990), fazendo marmanjo chorar e a roda ficar cada vez maior. Essa mudança brusca, de músicas dessa década para uma do início dos anos 90 era só um preparativo para o que viria: Petrozza pega o microfone e pergunta quem estava no show do Kreator no Rio – no início dos anos 90. Poucas pessoas levantam a mão, os "old school". Então surge uma bandeira, onde lemos "Flag of Hate" (explicadinho… só a bandeira já bastava naquela altura do show). E vem o petardo, clássico do álbum de estreia "Endless Pain", de 1985, fazendo tanto os "old Kreator_LIBERATION_TOUR_FEST_2018__Brasil_RJ_FOTO_Michael_Meneses_Rock_Pressschool" quanto os que estavam vendo pela primeira vez pirarem! A roda vira uma coisa linda de se ver (e meio violenta de sentir), e o espetáculo vai ficando cada vez mais completo!

Mantiveram o tempo nos 90, com "Phobia", do "Outcast", de 1997, para desespero de quem estava na roda e não aguentava mais o turbo que as músicas mais antigas davam na galera. Importante frisar que os sons novos não deixavam nada a desejar, mas algumas antigas, pelo apelo popular, faziam a roda aumentar na intensidade. Veio então a ótima "Gods of Violence", que dá nome ao último álbum, seguida por "Hordes of Chaos", do disco homônimo, de 2009. E "Fallen Brother", do "Gods of violence", fechou.

Após uma saída cênica do palco, o Kreator volta, e a plateia espera que os clássicos da fase 80-90 sejam tocados nesse bis, que deve durar mais de uma hora segundo os pedidos desesperados de "Riot of Violence", "Pleasure to Kill", "Betrayer", "Tormentor", "Total Death", "Terrible Certainty", etc. Mas o bis começou com "Violent Revolution", pedrada violenta do álbum homônimo de 2001, um hit do Kreator; e terminou a noite com "Pleasure to Kill", faixa-título do álbum de 1986 (ano em que nasci), um clássico thrasher, deixando em êxtase uma galera que queria ver os clássicos do thrash alemão oitentista – e deixando-os no vácuo também ao saber que o show tinha acabado. 

Sensacional o espetáculo, mostrou que o Kreator não vive só de hits antigos, e consegue fazer um show para agradar os fãs xiitas dos 80 e ao mesmo tempo mostrar o trabalho novo! Mas é complicado, essas bandas com trocentos discos e diversos sons que marcam nossas vida, nunca tocam no Rio de Janeiro, e quando tocam, deixam sempre aquela sensação de "Queria ouvir a música "X" e a "Y" e a "Z" e a …" e assim discorre o alfabeto inteiro. Mas saí feliz demais pelo que vimos!

ARCH ENEMY – Fechando a noite com vigor!
Arch_Enemy_LIBERATION_TOUR_FEST_2018__Brasil_RJ_FOTO_Michael_Meneses_Rock_PressMichael Meneses:
Mesmo os New Schools esperavam que o Kreator fechasse a noite, mas tal missão foi dada aos suecos do Arch Enemy; e missão dada foi uma missão cumprida com louvor. Com o público nas mãos e bastante aquecidos pelos shows anteriores, o Arch Enemy “chegou chegando” e a vocalista Alissa White-Gluz de cara agradou, uma perfeita performática.

A banda tomou de assalto o palco do Circo Voador e conduziu a plateia com segurança; se aArch_Enemy_LIBERATION_TOUR_FEST_2018__Brasil_RJ_FOTO_Michael_Meneses_Rock_Press vocalista é uma dessas artistas que chamam o jogo pra si, o elenco completo estavam em campo para ganhar, destaque aos homens das palhetas que partiram ao ataque, assumindo o feeling dos grandes guitarristas.

Fabiano Soares: Após o show ironicamente destruidor do Kreator, era hora do Arch Enemy subir ao palco. Embora uma galera truezona ignorasse a banda, uma parte grande do público foi ali para ver o death metal melódico da banda, e uma outra parte foi para ver o Kreator, mas prestar respeito a Michael Amott, uma lenda do death metal, fundador do Carcass e do Arch Enemy; além disso, no baixo estava o Sharlee D'Angelo, que fez fama com o Mercyful Fate nos anos 90. Além dessas Arch_Enemy_LIBERATION_TOUR_FEST_2018__Brasil_RJ_FOTO_Michael_Meneses_Rock_Presslendas, a banda contava com Jeff Loomis, do Nevermore, na outra guitarra; Daniel Erlandsson, que já passou por bandas como Brujeria e In Flames, comandando a batera; e a pequena grande vocalista Alyssa White-Gluz (que apesar da idade e da experiência no metal, mostra uma presença de palco absurda). E foi com esse time que vimos um grande show no Circo Voador.

Arch Enemy comandava um público que cantava tudo junto! Em músicas como "Ravenous", "We will Rise" e "My Apocalypse" reconheci os sons que ouvia enquanto começava a conhecer death metal. No entanto, a maioria das músicas tocadas pareciam vir da fase pós-Angela Gossow, em que, confesso, não acompanhei tanto a banda. Enquanto perdia (realmente, as músicas novas são boas, eu que devo ter me fechado em algum momento em uma truezice nonsense), uma galera menos cabeça Arch_Enemy_LIBERATION_TOUR_FEST_2018__Brasil_RJ_FOTO_Michael_Meneses_Rock_Pressfechada aprovava, porque os sons estavam enlouquecendo a plateia. Ao contrário do que pensei, a apresentação do Kreator não esfriou nem um pouco o show do Arch Enemy. A vocalista, carismática, comandava o público, que dava seus pulos, abria as rodas, enfim, divertia-se nesse showzaço. E um ponto alto foi a apresentação dos guitarristas, uma disputa de qual guitarra chorava mais alto. Muito respeito ao senhor Amott, que ganha coraçãozinho de qualquer metaleiro, por mais Carcass que seja, ao ver seus solinhos melódicos. Mesmo não sendo minha banda preferida da noite, o Arch Enemy surpreendeu, mostrando total controle sobre o público e penetrando com seu death metal melódico em quem foi lá para ouvir sons mais sujos.

Assim foi a etapa carioca do Liberation Tour Fest, que antes passou por Porto Alegre (09/11), Fortaleza (11/11), Manaus (14/11) e encerrando a edição 2018, São Paulo em 17/11. Desejamos que o festival se torne uma tradição na agenda de shows anuais no Brasil; a Rock Press reconhece a importância que eventos itinerantes ocorram de norte a sul do país e sugerimos que bandas locais participem. Que venha o Liberation Tour Fest 2019! – Fabiano Soares e Michael Meneses!

Postado por Michael Meneses quinta-feira, 29 de novembro de 2018 10:31:00 Categories: Arch Enemy Circo Voador Excel Genocídio Hard Core Kreator Lapa/RJ Liberation Tour Fest Shaman Thrash Metal Walls of Jericho
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