Leo Miguel - Das Ruas Produções e Homúnculo

CINEMA BAGACEIRA – Esse é o espaço Rock Press destinado ao cinema trash, Filmes B e ao Leo Miguel - Das Ruas Produções e Homúnculo experimentalismo na sétima arte. Tudo pelo ideal: “Uma Câmera na Mão e o Sangue de Groselha Escorrendo na Tela!”. Aqui, os 50 Tons Serão Toscos, porém originais e os sons serão gritos e risadas repugnantes em prol da Arte! Iniciamos com Fabiano Soares, nos apresentando Leo Miguel, diretor, produtor, editor, roteirista e criador da Das Ruas Produções, Leo além de produzir clips e filmes sanguinolentos é vocal da Homúnculo, banda de Grindcore do subúrbio do Rio de Janeiro.

Leo Miguel - Das Ruas Produções e Homúnculo
TEXTO: Fabiano Soares – FOTOS: Fabiano Soares (Banda) e Divulgação (filmes)

 Leo Miguel - Das Ruas Produções e Homúnculo

 Leo Miguel - Das Ruas Produções e HomúnculoCalor, muito calor. Era um desses dias de “Rio 40º”, mas hoje não tem espaço pra Fernanda Abreu. Meu encontro é com o Leo Miguel, diretor, produtor, editor, roteirista e criador da Das Ruas Produções, e também vocalista da Homúnculo, banda de Grindcore carioca. Entramos no estúdio Som do Céu, em Rocha Miranda, ainda sob um sol escaldante – e já eram quase seis da tarde. Após o entrevistado pegar uma cerveja, ele fala sobre cinema e música, e abaixo vocês entenderão o porquê não posso escrever apenas sobre a Das Ruas ou sobre a Homúnculo. Não é uma entrevista, mas um cuspe do que eu mastiguei do papo nesse dia infernal.

Muitas bandas se formam de afinidades nos “rolês”, amizade de bairro, identificação de grupos na escola, etc. Não a Homúnculo, formada nos corredores de uma empresa de telemarketing. Leo Miguel e Luiz Fernando Marques trabalhavam na mesma empresa, sob pressão estressante, e em 2012 resolveram trocar ideia sobre som. Um pouco desacreditados um do outro, foram tirar a prova real fora do ambiente do trabalho, e nesse dia, Luiz tocou alguns riffs em sua guitarra, Leo inventou umas letras, gravaram de modo tosco no PC do guitarrista, com Leo usando um fone de ouvido como microfone. Gostaram do resultado e no mesmo dia formaram a banda, e Leo sugeriu para nome Quimera (soa bem para melódico, né?) ou Homúnculo. Luiz optou por Homúnculo. Surgia assim o embrião da banda de grindcore. Mas onde está o cinema nisso? Calma, jovem.

Leo começou a gravar os ensaios da banda com uma câmera pequena, e para divulgar, começou a usar programas de edição amadores para montar os clipes. Conseguiu, e quando familiarizou-se com a edição de vídeo, uma ideia surgiur: se ele tinha a manha de contar histórias através de roteiros (que fazia para quadrinhos quando era moleque, na escola), e aprendeu a editar vídeos, é claro que poderia fazer filmes! E com esse pensamento e essa câmera amadora, fez seu primeiro curta em 2014, o experimental “Immensité”.
 
Nesse momento, o ar condicionado do estúdio começou a dar vazão e o papo ficou melhor. O tom perturbador e surrealista desse curta chamou a atenção, só pelo trailer, e através dele Leo Miguel conseguiu o primeiro trabalho pago da Das Ruas Produções: um videoclipe; o preço: uma câmera Canon t3i. O contratante pagou a câmera, parcelada, mas a banda desfez-se antes de gravar o clipe. A Das Ruas agora começava sério: tinha uma câmera semi-profissional (e uma dívida moral com o comprador da câmera, que um dia ainda será paga) e muita vontade de fazer filmes.

Conversamos sobre suas produções cinematográficas. Assim que viu o resultado positivo do primeiro curta, pensou humildemente: farei um longa-metragem. Não tinha estrutura para tanto, mas resolveu ir escrevendo o roteiro e ir gravando; obviamente, aprendeu com os próprios erros (incluindo gravar três dias de cenas só com gruas, vendo depois que não montava um filme feito assim), e o projeto “Destino e Violência” virou um média-metragem, meio abandonado por ele.

Logo depois veio “Estampido” (que recomendo demais!), um curta com o próprio Leo atuando,ESTAMPIDO filme de Leo Miguel - Das Ruas Produções e Homúnculo surpreendente, firmando os pés no cinema de vez. Fez um clipe de estúdio da Homúnculo (“Afirmação da Existência”), agora utilizando sua câmera e lente que davam um aspecto mais bonito ao vídeo – e a banda de grind já contava com a formação atual, com os dois membros fundadores, Leo no vocal e Luiz Fernando na guitarra, além de Dudu no baixo e Alex Zech na bateria. Detalhe: o Alex já havia gravado e mixado sons dos caras quando não era da banda, e num desses esbarrões, foi informado da falta de baterista, “alistando-se” pra função na hora.
 
Autômatos filme de Leo Miguel Das Ruas Produções Banda HomúnculoEm 2016, para a união entre cinema e a música na carreira, foi lançado o EP “Autômatos” da Homúnculo, com a porradaria grind dos caras, e no final do ano a Das Ruas lançava “Autômatos” e “Autômatos”. Erro da matéria? Não! Um projeto muito bem-sucedido, quando Leo Miguel fez um curta de ficção científica brutal chamado “Autômatos”, baseado na letra da música de sua banda, e um videoclipe para a banda, com o mesmo nome, utilizando imagens do curta e com vídeos de Leo berrando ensanguentado no mesmo ambiente. E diga-se de passagem que além de bom e bem feito, o curta tem uma cena que é uma pintura!

Ligado no 220, Leo começa 2018 já com seu violento e excelente curta-metragem “Sede” rodando festivais e em pré-produção de um curta e tratamento de roteiro de um longa, além de a Homúnculo estar preparando músicas novas para um segundo EP. Encarregado de escrever  Leo Miguel - Das Ruas Produções e Homúnculoas letras, o vocalista continua criando-as pensando visualmente como seriam os clipes, e só dá pra dizer que vem pedradas sonoras e visuais dessa turma. Com histórias de personagens perturbados, fotografia e decupagem bem trabalhadas, e maquiagem gore bonitona usada na medida certa, a Das Ruas está sempre mostrando um lado sombrio da humanidade. O cineasta Leo Miguel chamou minha atenção há tempos e só têm melhorado. Vale a pena clicar nos links no final da matéria e conferir!
    
E o papo acabou pouco depois das 7 da noite, e lá fora ainda parecia estar 40º. FiqueiLeo Miguel Banda Homúnculo para o ensaio e ouvi as músicas novas da Homúnculo – e peguei um ar condicionado de bônus. Como eu não conhecia, e é grind, pareceu perfeito o som, mesmo os caras falando que erraram, que era o primeiro ensaio do ano. “Mas é grind!”, argumentei. E terminou com o Leo na bateria, Dudu na guitarra, Luiz no baixo, fazendo um som totalmente torto, mas rápido; e o Alex no microfone, cantando “Cheia de mani-ias, toda dengosa...”. Saímos do estúdio às 9, com o clima mais ameno (37º) e cada um foi para um lado da cidade. Eu peguei um ônibus com ar pra Madureira, pensando se eu era um autômato, um homúnculo, um suicida, alguém com sede de vingança... Mentira, eu só pensava em passar em Marechal e fechar a noite com um açaí de 700, mas fiquei na vontade.

P.S.: Esse encontro rolou antes do carnaval, e como tudo no Rio de Janeiro só começa após o carnaval, até ser publicada, a banda Homúnculo deu uma pausa nos seus trabalhos. Sim, a banda como foi vista no ensaio não existe mais, portanto, a quem não conseguiu Leo Miguel - Das Ruas Produções e BANDA Homúnculo assistir a Homúnculo com essa formação, fica meu testemunho: era muito bom e divertido! Mas a Das Ruas segue firme produzindo seus curtas e talvez um primeiro longa-metragem nesse 2018. Fiquem de olho!

QUADRO NOMES: Homúnculo: nome escolhido porque o Leo estava lendo muito sobre alquimia, e homúnculo seria um hominídeo criado por meios sem ser os naturais; no conceito da banda, é quem foi criado pelo sistema e aceita sem questionar, em contraposição aos autômatos, que tem as próprias ideias. Todo show começa com “Somos a banda Homúnculo, sejam bem-vindos ao universo dos Autômatos”.

A formação no momento da entrevista: Leo Miguel – vocal ; Luiz Fernando Marques – guitarra; Alex Zech – bateria; Dudu – baixo. Quem fica, quem sai, só acompanhar o facebook da banda para saber!

Das Ruas Produções: O Leo, criador e faz-tudo da produtora ao lado de Luana Souza, acredita que tem muita verdade na arte do pessoal que está nas ruas. Artistas plásticos, desenhistas, músicos, etc., muita gente que transforma o cotidiano em arte. Conta com amigos e colaboradores em algumas funções, como o Luiz Fernando, que faz algumas artes gráficas, e a maquiadora Fany Coelho, responsável pelos efeitos especiais gore dos “Autômatos” e do “Sede”.

Pergunta nonsense do dia:
Álbum do Século XX:
Ratos de Porão – Crucificados pelo Sistema (1984)
Álbum do Século XXI: Ratos de Porão – Sistemados pelo Crucifa (é de 2000, séc. XX, mas...)
Filme do Século XX: O Nome da Rosa (de Jean Jacques Annaud), 1986.
Filme do Século XXI: Fronteira (de Xavier Gens), 2007.

Veja os vídeos da Das Ruas:
Leo Miguel - Das Ruas Produções e HomúnculoImmensité:
https://www.youtube.com/watch?v=jk3Tj0K2x1E&t=18s
Estampido: https://www.youtube.com/watch?v=roXVXkjb39A
Autômatos (curta-metragem):https://www.youtube.com/watch?v=ukxscrCvl1E&t=1s
Autômatos (videoclipe): https://www.youtube.com/watch?v=vsOl2VFXl98&t=30s

 

Fabiano SoaresFabiano Soares – Nasceu em Duque de Caxias/RJ, mas foi criado meio em Bauru/SP, meio no Rio de Janeiro. Jornalista, escritor, e cineasta (amador em todas as funções), recentemente se tornou papai e nos undergrounds da vida atende por Fabiano Cabeludo (mesmo com a calvície claramente circulando-o - Literalmente, um círculo no cocuruto).
 

Comentários

quinta-feira, 8 de março de 2018 08:58:47
Leo Miguel
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re: Leo Miguel - Das Ruas Produções e Homúnculo

Tmj junto Cinema Bagaceira!!!