LACUNA COIL: Em noite de grande performance, banda faz show categórico e passa a limpo sua discografia no Circo Voador

Com seu Gothic Metal que vem conquistando cada vez mais público, os italianos do LACUNA_COIL_Rio_de_Janeiro_2020_FOTO_Renan_EstevesLacuna Coil encerraram sua turnê pelo Brasil, no palco do Circo Voador. Eles intercalaram grandes sucessos com músicas mais recentes de seu nono álbum “Black Anima”, lançado no ano passado. A turnê também passou por Curitiba, Porto Alegre, Brasília e São Paulo, e contou com os americanos do Uncured fazendo o show de abertura.


LACUNA COIL:
Em noite de grande performance, banda faz show categórico e passa a limpo sua discografia no Circo Voador.

Uncured + Lacuna Coil
Rio de Janeiro – 16 de fevereiro de 2020
TEXTO e FOTOS: Renan Esteves

Domingo sempre foi um dia de bons shows de metal no Rio de Janeiro, isso não é de agora, que o digam aqueles que frequentavam os shows do Caverna 1, 2, 3 (em São João de Meriti, Madureira e Botafogo), nas Lonas Culturais, no Garage, no Rato no Rio, ou mesmo no Circo Voador, palco de mais uma noite memorável como contaremos no texto que segue.

Uncured:
Mostrando serviço com seu ótimo Death Metal afiado e técnico!

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Quando passamos a ter certa experiência em cobrir shows nacionais e internacionais, sempre ficamos na expectativa de ver como as bandas de abertura vão se sair, principalmenteUNCURED_Rio_de_Janeiro_2020_FOTO_Renan_Esteves um novo nome.

Formada na cidade de Nova Iorque, no dia 1° de janeiro de 2014. Uncured possui seu line up composto pelos irmãos Rex e Zak Cox (vocais e guitarras), Liam Manley (bateria) e Spencer Metala (baixo). As influências da banda passam por bandas como Possessed, Sepultura, Katatonia e Opeth. Sua discografia possui dois discos lançados: Medusa (2017) e Epidemic (2019).

A banda começou o show mostrando seu cartão de visitas com a faixa “Resist the Infection”, um Death Metal Técnico com pitadas grooveadas de Sepultura, e se via pequenas rodas se formando no Circo Voador – sem falar nas “bateções” de cabeça. O destaque também vai para a faixa “Desecration”, do disco “Epidemic”, um híbrido de Death Metal com Metal Progressivo em camadas mais tranquilas.UNCURED_Rio_de_Janeiro_2020_FOTO_Renan_Esteves

Já no término do show, a banda resolve fazer uma homenagem ao Sepultura, com a pedrada “Roots Bloody Roots”, que foi lançada em single nesse ano, causando euforia nos presentes ao Circo. O término se deu com as faixas “Blinded by Demise” e “Conquistador”. Com seus seis anos de estrada, o Uncured é uma realidade que merece um olhar diferenciado no que vem fazendo pela cena Death Metal mundial. De repente, vôos mais ousados em linhas progressivas dos seus ídolos Opeth e Katatonia não fariam mal a banda, certo? De qualquer forma, só o tempo dirá!

LACUNA COIL:
Inspiração no palco!

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O Rio de Janeiro, mais precisamente o Circo Voador, é o palco de encerramento da turnê brasileira divulgando o disco “Black Anima”, lançado em junho de 2019. O show começa no LACUNA_COIL_Rio_de_Janeiro_2020_FOTO_Renan_Esteveshorário e vemos seus cinco integrantes trajados exatamente com as mesmas roupas e corpse paints de divulgação da sua gira pela América do Sul. O calor, ao lado da chuva de verão, que caiu na Cidade Maravilhosa não deu trégua para o público no começo acachapante dos italianos de Milão. Ao iniciar com “Blood, Tears, Dust”, do disco “Delirium (2016)”, que, aliás, contém 4 músicas do álbum no setlist – quase páreo igual com “Black Anima”, sem querer subestimar seu penúltimo disco, mas que poderia haver mais espaço para músicas de discos anteriores.

A plateia canta, grita a plenos pulmões e se encanta com o entrosamento de mais de 20 anos do trio Cristina Scabbia, Andrea Ferro e Diego Cavallotti, durante a execução de “My Demons”. Cristina recompõe o fôlego e fala de sua origem numa espécie de recado sobre o que banda mostra dentro do palco, principalmente colocando novas nuances musicais dentro do Gothic Metal em que começaram como o Metal Alternativo, muito usado por inúmeras bandas nos anos 2000 – algo que o Lacuna Coil bebe da fonte até hoje.LACUNA_COIL_Rio_de_Janeiro_2020_FOTO_Renan_Esteves

O hit “Heaven’s a Lie” explode numa parede sonora formada por um público de diversas idades, com a voz de Cristina Scabbia se sobressaindo a cada canção sobre gritos de “Lacuna! Lacuna!”, coisa grandiosa de se ver. “Save me” é outra cantada de modo emocionante, numa espécie de clamor de socorro, na qual a italiana interpreta muito bem seu papel, ora aumentando sua voz, ora fazendo cânticos líricos. Mas, o que se dizer de Andrea Ferro?
Sempre revezando os vocais com Scabbia, ele grita entre a voz suave e quase onipresente de sua parceira, se entregando com energia a cada uma das canções do setlist, como em “Reckless” e “Sword of Anger”, ambas do “Black Anima”, em que a plateia canta como se fossem do repertório há tempos.

O show vai chegando à sua metade e estamos em “Enjoy the Silence”, cover de Depeche Mode que a banda sempre faz questão de tocar em seus shows, e vemos uma Cristina Scabbia totalmente emocionada ao lado do guitarrista Diego Cavallotti, ela inclusive desafina no encerramento da canção. Não que isso seja obstáculo para uma banda com 25 anos de estrada e 9 álbuns lançados. Pelo contrário, seus incansáveis fãs apoiam a banda do início ao fim, mostrando toda sua gratidão pelo que vem fazendo pelo Metal.

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Uma breve pausa para recarregar as baterias e a banda está de volta com novos trajes, numa espécie de baile gótico contemporâneo, com Scabbia num belíssimo vestido vermelho e Ferro, com a mesma batina de capuz, mas que logo a tira à medida que a temperatura do show aumenta. LACUNA_COIL_Rio_de_Janeiro_2020_FOTO_Renan_EstevesPor falar em temperatura, o baterista Richard Meiz, integrante mais novo do Lacuna, recém-chegado esse ano, mostra que não está para brincadeira ao dar conta do recado na função que exerce, como em “When a Dead Man Walks” e em “Soul Into Hands”, sobre a qual Cristina discursa, falando que essa “é das antigas”, lá do EP homônimo, de 1998. Outro integrante que não passa batido é o baixista Marco Coti Zelati, que mesmo deslocado num canto com pouca luz, cadencia o show ao lado do guitarrista Diego Cavallotti.

Na reta final, a banda nos brinda com uma exibição a parte de Cavallotti na canções “Tight Rope” e “Comalies”, do disco “Comalies (2002)”, com todo o quinteto em total sincronia. Nos shows de Rio e São Paulo não houve aquele característico bis no encerramento, mas resolveram dar uma renovada ao dividir seu show em duas partes, sem perder o ritmo durante a apresentação. Scabbia faz mais uma pausa e agradece a lealdade dos fãs por todos esses anos, antes de entrar com a ótima “Veneficium”, mais uma do disco novo, em que ela faz questão de frisar que fala sobre relacionamentos tóxicos. “Nothing Stands In Our Way” não faz questão de deixar ninguém parado, como o próprio nome diz, num desfecho de arrepiar, com Andrea Ferro vociferando cada verso ao público. Enfim, a fórmula calor e chuva não foi párea para a atuação de gala dos italianos do Lacuna Coil, que mostraram que ainda tem muita lenha para queimar. Vale lembrar que a turnê pela América do Sul seguira para Buenos Aires (18/2) e encerra em Santiago, no dia 20. - Renan Esteves.

Posted by Michael Meneses Tuesday, February 18, 2020 2:49:00 PM Categories: Caverna II Circo Voador Garage Art Cult Heavy Metal Lacuna Coil Liberation Tour Fest Lonas Culturais Rato no Rio Festival Sepultura Uncured
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