L7 faz show Redondo em BH e passagem da banda pelo Rio foi a chance do Fã-Clube entregar carta em prol do caso Marielle Franco!

A banda L7 encerrou a perna brasileira de sua turnê com a apresentação em Belo HorizonteL7_Belo_Horizonte_MG_6_12_2018_FOTO_Robert_Moura/MG. A cidade tem recebido uma enxurrada de shows de rock nas últimas semanas. Junto com os shows têm vindo também as enxurradas trazidas pelas chuvas. Mais uma vez, há menos de duas horas do horário de início das apresentações, um temporal desabou alagando a cidade, prejudicando o trânsito e fazendo com que boa parte do público chegasse com atraso. Para quem conseguiu superar os desafios da chuva e do trânsito valeu muito a pena. A vinda do L7 ao Brasil também foi a oportunidade do Fã-clube L7-Brasil para entregar uma carta em prol do caso Marielle Franco para a banda. Reforçando assim, a importância do intercâmbio entre artistas e fãs!

L7 - Show redondo em BH!
Mister Rock – Belo Horizonte/MG  - 06/12/2018 
TEXTO e FOTOS: Robert Moura.

A cena rock mineira não pode reclamar da agenda de shows. Os últimos meses ocorreram diversas apresentações agradando à todos, passando pelo Heavy-Melódico do Angra e do Shaman, o Death-Metal dos irmãos Max e Iggor Cavalera, o Hard-Rock-Paródico do Massacration, o Celtic-Metal do Tuatha de Danann, e o Pop-Rock de Humberto Gessinger. Agora, os mineiros puderam conferir as ótimas performances das bandas Carne Doce e L7 no Mister Rock.
 
CARNE DOCE - A banda goiana Carne Doce abriu a noite com seu som que traz bastante referência aos anos 1980/90 com guitarras Carne_Doce_Belo_Horizonte_MG_6_12_2018_FOTO Robert Mouraembebidas de efeitos de chorus e delay, uso de sintetizadores, e baixo e bateria com marcações econômicas. O quinteto formado por Salma Jô nos vocais, Macloys Aquino na guitarra, João Victor Santana na guitarra e sintetizadores, Aderson Maia no baixo e Ricardo Machado na bateria, tem um repertório com músicas que namoram o formato da canção pop melódica, apesar do forte viés indie. Rita Lee e Roberto de Carvalho podem soar como uma comparação preguiçosa pelo fato da banda ter um casal em seu núcleo (Salma e Macloys são casados), mas a temática sexual de suas letras inevitavelmente faz lembrar muito os trabalhos da dupla nos anos 80 (ainda que em uma de suas letras, o Carne Doce cite a Rita dos Mutantes).

O show que fez parte da turnê de lançamento do disco “Tônus”, e foi a derradeira apresentação da banda em 2018, contou com músicas do novo trabalho como a faixa-título, “Comida Amarga”, “Irmãs”, “Golpista”, e ainda “Cetapensâno”. “Artemísia”, “Passivo”, entre outras de seus dois álbuns anteriores. No palco, acaba existindo um desequilíbrio performático devido à maneira como a vocalista Salma Jô monopoliza a cena com seu canto e suas danças de forte teor sensual, ora lembrando dança do ventre com seus movimentos pélvicos, ora nos remetendo aos mais tradicionais rebolados brasileiros. Músicos competentes, mas contidos, os rapazes da banda só se soltaram mesmo nas últimas duas músicas do show. 

Foi  possível identificar na plateia alguns fãs que foram ao show especialmente para ver a Carne Doce, como um casal que não conhecia a L7 e antes do show, chegou a pensar que se tratasse de uma banda local. Certamente a Carne Doce não os decepcionou, assim como também ao público da L7 que curtiu o show e dançou junto com Salma Jô do início ao fim. 
 
L7 - A banda formada em 1985 lançou seis álbuns. Depois de um longo hiato entre os anos de 2001 e 2014, retornou aos shows em 2015 L7_Belo_Horizonte_MG_6_12_2018_FOTO_Robert_Mouracom sua formação mais marcante que conta com Donita Sparks e Suzy Gardner, ambas nos vocais e guitarra, Jennifer Finch no baixo e backing vocals, e Demetra Plakas na bateria e backing vocals. A L7 mantém a sua pegada que mistura grunge, punk rock e um pouquinho de metal, e ainda consegue imprimir em suas músicas o pique agitado dos primórdios do Rock’n’Roll. Aliás, como referência a um eterno ídolo do rock, Jennifer Finch tem em seu baixo um adesivo da TCB Band, como era chamada a banda de apoio de Elvis Presley. 

Vinte e cinco anos se passaram desde o histórico show da L7 no Hollywood Rock no Rio de Janeiro em 1993. A despeito disso, o vigor que se viu da banda no palco dificultava com que se acreditasse nesse fato. As garotas mandavam uma música atrás da outra quase sem intervalos, ficando esses, reservados apenas para alguns momentos em que elas brincavam com a plateia ou comentavam sobre a próxima música.

O setlist foi composto pelas músicas “Deathwish”, “Andres”, Everglade”, “Monster”, Scrap”, “Fuel My Fire”, “One More Thing”, “Slide”, “Crackpot Baby”, “Must Have More”, “Drama”, “Shove”, Freak Magnet”, “Right On Thru”, “Shitlist”; as novas “I Came Back To Bitch” e “Dispatch From Mar-a-Lago” que fazem parte do EP lançado pela banda esse ano; guardando “American Society”, o grande hit da banda “Pretend We´re Dead” e “Fast And Frightening” para o bis. Em estado de êxtase após o show,L7_Belo_Horizonte_MG_6_12_2018_FOTO_Robert_Moura Gabriella Duarte do Fã Clube da L7 que também assistiu aos shows do Rio e São Paulo, revelou que a apresentação de BH foi a melhor em sua opinião.

Com a casa cheia e a presença maciça de mulheres no público soou muito natural quando algumas meninas tiraram a camisa e ficaram com os seios à mostra sem sofrer qualquer tipo de assédio. Uma delas jogou seu sutiã no palco e Jennifer e Donita brincaram com a peça puxando uma de cada lado tentando arrebentá-lo. Se os dias atuais no Brasil nos sugerem regressões de alguns avanços sociais que vêm sendo conquistados nas duas últimas décadas por movimentos feministas, negros e LGBTs, por outro lado, pode-se afirmar que novas consciências se formaram e não será nada fácil destruí-las, pois elas são fruto de um longo histórico de luta e trabalho. Embora, a indústria tenha se apoderado do rock e o transformado em mais um produto enlatado para vender em suas prateleiras, ainda existe um diálogo direto entre alguns artistas e seu público. Há um código quase secreto que vem à tona em shows como esse que as iniciadas e iniciados sempre entenderão.

Em tempo: Deixo aqui um agradecimento especial à Gabriella Duarte do Fã Clube da L7 pelo apoio que deu à cobertura da Rock Press nos shows do Rio de Janeiro e Belo Horizonte. - Robert Moura.

Carta manifesto em memória da vereadora Marielle Franco é entregue à banda pelo L7-Brasil!
TEXTO: Michael Meneses – FOTOS: Michael Meneses + L7-Brasil.

Bandeira_e_Placa_em_homenagem_a_Marielle_Franco_FOTO_L7_BRASIL

A passagem das meninas do L7 pelo Brasil acende importância dos Fã-Clubes como fonte de informação sobre artistas. Especialmente, nos dias de hoje onde quase tudo se acha na internet, mas sabendo que nem tudo que se encontra na rede é uma fonte segura de pesquisa.

Em um mundo cada vez mais virtual, é raro encontrar Fã-clubes sobre bandas, literatura, cinema e cultura pop em geral. Uma pena, pois é preciso reconhecer e valorizar esses canais como um elo entre fãs e artistas, assim como um veiculo de extrema importância na preservação da obra de um artista! 

Existe ainda, fanpage/fã-clubes que reconhecem sua importância em prol do social, e partem para luta. Foi o que fez o L7-Brasil que elaborou uma carta manifesto pela justiça pela vereadora Marielle Franco e executada em março. A carta juntamente com a placa de rua símbolo da Homenagem a Marielle Franco foram entregues a Jennifer Finch na noite do primeiro show da turnê no Brasil (Rio de Janeiro, leia: https://bit.ly/2Gc34rh). 

L7_Circo_Voador_1_12_2018_FOTO_Michael_Meneses_compartilhada_por_Jennifer_Finch_do_L7ROCK PRESS tomou conhecimento da carta e da iniciativa do Fã-Clube graças ao registro fotográfico de Michael Meneses com a baixista Jennifer Finch segurando uma bandeira do Brasil personalizada pelo Fã-Clube em homenagem ao L7 e que fez com que o Fã-clube nos procurasse. Tal foto inclusive foi compartilhada pela baixista em seu instagram pessoal (foto).

Durante esta nova passagem do L7 pelo Brasil a Rock Press e o Fã-clube se tornaram parceiros, especialmente no show de Belo Horizonte. A administradora da Fanpage L7-Brasil, Gabriella Duarte nos contou inclusive que Donita Sparks e Suzy Gardner ficaram gripadas durante a tour e que lhe ofereceu a genuína cachaça brasileira como um santo remédio.

Segue o manifesto. Desejamos que tal iniciativa ajude no caso Marielle Franco em prol da justiça seja! – Michael Meneses! 

Rio de Janeiro, 1 de Dezembro de 2018.
To L7.

"Marielle Franco was a city councilor. She was assassinated on March 14h. Marielle and her driver were shot multiple times by pasengers in another car. Marielle was a black woman, a feminist. and she identified herself as bisexual. She was a human rights activist. During her political career she was an active voice against police brutality in the favelas. And she advocated for women´s rights, and LGBTS rights. 
The crime remains unsolved; 

To honor her memory, Marielle´s friends and supporters put up a street sign with her name in the center of Rio. 

During the electoral campaign, a candidate for state deputy, who was actually elected after, removed the street sign, broke it and displayed it as trophy to a cheering crowd at a rally. The elected governor of the state of Rio was also present. A week later, Marielle´s supporters distributed 1,000 street signs, And now we are making more street signs to honor Marielle´s name and legacy. Marielle´s brutal assassination has shocked Brazil, 

Her murderers and detractors may have silenced the voice of a generation; A true fighter. But they will not silence us all. They will find resistance.
Help us spread the word! 
Marielle, Presente!!!"


"Marielle Franco era vereadora da cidade. Ela foi assassinada em 14 de março. Marielle e seu motorista foram baleados várias vezes por passageiros de outro carro. Marielle era uma mulher negra, feminista e uma ativista dos direitos humanos. Durante sua carreira política, ela era uma voz ativa contra a brutalidade policial nas favelas.
Até o momento a polícia não resolveu o crime, Para honrar sua memória, os amigos e apoiadores de Marielle colocaram uma placa de rua com o nome dela no Centro do Rio.

Durante a campanha eleitoral, um candidato a deputado estadual, que foi eleito depois, retirou a placa de rua, quebrou-a e mostrou-a como troféu para uma multidão em um comício. O governador eleito do estado do Rio também estava presente. Uma semana depois, os partidários de Marielle distribuíram 1.000 placas de rua, e agora estamos fazendo mais placas de rua para homenagear o nome e o legado de Marielle. O brutal assassinato de Marielle chocou o Brasil.

Seus assassinos e detratores podem ter silenciado a voz de uma geração; Uma verdadeira lutadora. Mas eles não vão silenciar todos nós. Eles encontrarão resistência.
Ajude-nos a espalhar a mensagem!
Marielle, Presente!!!"


Original e tradução por: Andressa Ruela
ACESSE:
https://www.facebook.com/l7brasil

 

ROBERT MOURA - É natural de Belo Horizonte. Bacharel em Música (UEMG) e Mestrando em Artes (UEMG). Professor na Alaúde Escola de Música. Tocou guitarra em bandas de Rock na capital mineira. Atualmente seu trabalho está focado no violão clássico e trilhas para teatro.

MICHAEL MENESES – É natural do Rio de Janeiro e morou a década de 1980 em Aracaju/SE. A partir do ano de 2001 começou a fotografar e escrever sobre rock, até que em 2017 assumiu a marca Rock Press e se tornou editor da publicação. O mesmo se correspondia com fanzines, fãs e fã-clubes de rock durante os anos 1980/90.

Postado por Michael Meneses quarta-feira, 12 de dezembro de 2018 20:03:00 Categories: #ELENÃO L7 L7-Brasil Marielle Presente Vereadora Marielle Franco
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