Killing Joke - Impecável, magnífico e contagiante em São Paulo!

Em apresentação única, Killing Joke faz show memorável no Carioca Club em São Paulo. Um desses eventos que consegue Killing_Joke_SP_Fabiano_Soares_Crédito_Obrigatóriounir “Gregos e Troianos” em prol da magia da música e que provou que valeu a pena esperar 40 anos pela vinda da banda ao Brasil.

Killing Joke - Impecável, magnífico e contagiante em São Paulo!
Carioca Club – 23/9/2018 – SP/SP
TEXTO: Anderson Fino e Fabiano Soares – FOTOS: Fabiano Soares

Killing_Joke_SP_Fabiano_Soares_Crédito_Obrigatório

Era uma tarde de domingo ensolarada, a mobilidade da cidade seguia o fluxo das máquinas. Passo a passo e batida a batida dentro do caos paulistano, sentia uma vibração atípica. Não era um domingo comum: no metrô (aliás, uma coisa de dar inveja às nossas “três” ridículas linhas cariocas; realmente chega-se a diversos pontos da Killing_Joke_SP_Fabiano_Soares_Crédito_Obrigatóriocidade cruzando as linhas metroviárias), pessoas vindo de várias regiões do país seguiam até o bairro de Pinheiros, onde localiza-se o Carioca Club. Nós dois, cariocas, maravilhados com o metrô, no lugar onde poderíamos falar “biscoito” sem arrumar briga, afinal, é o Carioca Club (prum trum txx).

Do lado de fora, diversos conhecidos, paulistas ou não. No ar havia um clima de ansiedade e espera, mas também de união, onde as mais diversas tribos do underground estavam reunidas: punks, góticos, heavys e do som industrial, alternativo, etc. É porque pela primeira vez o Killing Joke, banda pioneira do pós-punk, que influenciou diversos grupos do estilo e incluindo Killing_Joke_SP_Fabiano_Soares_Crédito_Obrigatórioo metal industrial, faria um show no Brasil, comemorando os 40 anos de estrada com a “Laugh at your Peril 40th Anniversary Wolrd Tour”, show promovido pela EV7 Live. Em sua formação original com Geordie Walker (guitarra), “Youth” a.k.a Martin Glover (baixo), “Big Paul” Ferguson (bateria) e Jaz Coleman (voz), o grupo contou também com um tecladista Killing_Joke_SP_Fabiano_Soares_Crédito_Obrigatórionessa tour.

Chegada a hora, quase britanicamente a banda sem delongas abre com o hit “Love Like Blood”, para delírio inicial dos fãs. Clássicos como “Eigthies”, “Requiem”, “Follow The Leaders”, “Asteroid”, “The Wait” e “Psyche” marcaram o setlist, e canções do último disco, “Pylon”, também estiveram presentes. Os temas sociais, críticas governamentais e ocultismo das letras desfilaram harmoniosamente aos sortudos que estiveram presentes.
 
A cada música o público entrava em êxtase, mas as danças no estilo pós-punk prevaleceram, e nenhuma roda de pogo foi aberta, mesmo quando as músicas pediam. A plateia era muito heterogênea quanto à idade, mas formada majoritariamente por pessoas acima dos 30 anos, embora muitos jovens também marcassem presença. Gritos, danças, palmas, lágrimas... Cada um expressou-se ante as músicas como quis, participando desse acontecimento histórico. A banda está afinadíssima, fazendo um show difícil de não agradar a todos, mesmo sabendo que seria impossível não deixar Killing_Joke_SP_Fabiano_Soares_Crédito_Obrigatóriomúsicas de fora (afinal, são 40 anos, com as mais diferentes fases musicais). 

E mesmo com os instrumentos em total harmonia, é Jaz Coleman quem monstruosamente rouba a cena, um “frontman” singular em carisma e performance. Muito expressivo, ele interagia com o público através de gestos e do olhar, chamava para mais perto, pedia para agitar, fazia poses chamativas. Até mesmo na instrumental “Bloodsport”, Jaz não parou no palco, comunicando-se feito um ator Killing_Joke_SP_Fabiano_Soares_Crédito_Obrigatóriode cinema mudo, através das caretas e gestual cênico. Com a luz bem distribuída nos integrantes e pontual em Coleman, só fazia crescer a atuação dele no palco. Entre as músicas, ele fazia pequenos comentários sobre o que iriam tocar, agradeceu a presença do público e a oportunidade de estar no Brasil. Inclusive, antes de “New Cold War”, falou sobre o avanço do fascismo no mundo todo. Preocupante pensar que estamos vendo isso nas pesquisas eleitorais. 

Após quase uma hora e meia, saem do palco. Momento para pensar sobre a felicidade por ter vivenciado o que eles tocaram, pesar na balança a tristeza pelo que ficou de fora. E no meio desses pensamentos, a banda retorna com “Primitive”, “Wardance” e “Pandemonium”, encerrando uma noite inesquecível. Mesmo com a ausência de alguns sons, não tem como reclamar do show. Impecável, magnífico, contagiante e qualquer outro adjetivo que represente algo incrivelmente bom, é o que pode tentar descrever o que vivemos.Killing_Joke_SP_Fabiano_Soares_Crédito_Obrigatório

Terminada essa linda experiência sonora e visual, a banda interagiu com o público do lado de fora: os integrantes da banda, excetuando Jaz Coleman, ficaram entre os fãs que estavam batendo papo em frente à casa de show enquanto o equipamento era guardado na van; receberam mimos (camisas e bebidas) e conversaram com quem quisesse, muito receptivos e indo na contramão da barreira entre fãs e banda. Já no final, Killing_Joke_SP_Fabiano_Soares_Crédito_ObrigatórioJaz apareceu e atendeu a todos os pedidos de foto e autógrafos dos que o cercaram, ao contrário do imaginado, que ele seria “estrela” e não falaria com ninguém.

Extasiados e cansados, era hora de voltar para casa. O metrô nos deixou na rodoviária (pensa numa boa ideia sobre mobilidade urbana para dar para governantes), onde comemos algo - pois a alma estava alimentada, mas o corpo pedia comida – e pegamos a estrada. Era só dormir. Mas um engarrafamento maldito na altura de Nova Iguaçu/RJ fez o ônibus atrasar algumas horas. Juntando a esse fato o calor desgraçado que fazia, decidimos reclamar um pouco, deixar o #teamBiscoito de lado, lembrar que o Rio de Janeiro tem um bispo como prefeito... Deixemos isso de lado. 

A apresentação foi maravilhosa e o Killing Joke, provou, com os seus 40 anos de história, que estão afinadíssimos, mostrando como se faz ao vivo, em um show que ficará na memória dos fãs. Nós lembraremos e desejamos: Voltem mais vezes! - Anderson Fino e Fabiano Soares.

Postado por Michael Meneses quinta-feira, 27 de setembro de 2018 11:33:00 Categories: Carioca Club EV7 Live Industrial Killing Joke metal industrial Pós-Punk Rock
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