JOÃO ROCK 2019 – Ribeirão Preto/SP na rota dos Festivais!

Com quatro palcos, e mais de 12 horas de música, a edição 2019 do Festival João Rock teve um público de cerca deJoao_Rock_Legião_Urbana_FOTO_Joci_x_Silva_2019-1-22 60 mil pessoas vindas de todo o Brasil. Entre as 23 atrações, destaque aos shows de Pitty, Dado e Bonfá, Raimundos, Plebe Rude, Baiana System, Alceu Valença, Paralamas do Sucesso, Marcelo D2, entre outros. Em um rápido balanço geral, é possível dizer que o João Rock 2019 já é considerado a melhor edição da história do evento, marcando sua maioridade com evolução e se destacando entre os festivais e no cenário do Rock Nacional.
 

JOÃO ROCK 2019 – Ribeirão Preto/SP na rota dos Festivais!
Ribeirão Preto/SP – 15 de Junho - 2019
TEXTO e FOTOS: Jociane Silva

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Difícil dizer o que mais chamou a atenção e qual das bandas foi a melhor, já que cada uma tem sua característica e sua forma de cativar o público. Teve roda de dança, Joao_Rock_FOTO_Joci_Silva_2019pedido de casamento em cima do palco e fora dele, homenagens ao Raul Seixas e Chorão. Pitty marcando presença, Dado e Bonfá e a energia da Legião Urbana e mesmo com o tornozelo quebrado Marcelo D2 agitou a galera. O que é unânime entre todos é que o João Rock passou muito rápido e deixou saudade e um gostinho de quero mais para 2020.

Fortalecendo a Cena...
O Festival deu seu pontapé inicial às 13h30min no Palco Fortalecendo a Cena, espaço dedicado às novidades e abrindo as portas para diferentes estilos musicais, como a mineira Psycoprata, uma das vencedoras do concurso de bandas João Rock 2019. Logo após, veio Rincon Sapiência ainda se escondendo do sol forte e Djonga. Como é de se esperar em apresentações de Hip-Hop/Rap, manifestações defendendo a diversidade e o fim de preconceitos ganhou força. Empolgado, Djonga, desceu do palco e em meio ao público, cantou, pulou e pediu o fim do machismo e racismo.

BK, Maneva, Big Up não deixaram por menos e fizeram a felicidade do público. E quem finalizou os shows no Palco Fortalecendo a Cena em grande estilo foi Filipe Ret, mesmo que no palco principal se apresentavam no mesmo horário Emicida, Rael e Mano Brown, o público ficou firme e assistiu até o fim o rap do garoto do Rio de Janeiro que convidou Djonga e BK para dar uma palinha.

Palco Brasil – Edição Brasília...
Joao_Rock_Plebe_Rude_FOTO_Joci_SilvaCom design em formato da bandeira brasileira, o palco homenageou o rock brasiliense e suas origens e crias, no palco: Plebe Rude, Legião Urbana, Capital Inicial, Raimundos, Natiruts e Tribo da Periferia. Nomes que escreveram e continuam a escrever a história do Rock Brasil com letras irreverentes, sentimentos e principalmente sobre a realidade política do país. Prova disso foi o reconhecimento dessas bandas pelo público do festival, com suas músicas sendo cantadas em coro.

Plebe Rude abriu os trabalhos no Palco Brasil e a pegada punk-rock ganhou vida em hinos como “Até Quando Esperar”, “Anos de Luta”, “Este ano” e outros. Em agradecimento àqueles que suportaram ao sol para assistir a banda, o baixista André X jogava água ao povo para amenizar o calor. Em seguida, o Rap & Hip Hop brasiliense teve sua voz com a Tribo da Periferia, com 21 anos de estrada, o grupo agitou o público e ao final ainda embalou o grito “I Love Quebrada”.
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Logo depois, vieram Dado e Bonfá com André Frateschi no vocal, e fizeram mais um Tributo À Legião Urbana XXX Anos. Músicas com mais de 30 anos de criação, mas que ainda remetem a realidade política do país, e todos cantaram juntos em forma de protesto. André Frateschi respondendo à plateia molhou uma toalha com vinho para representar sangue e jogou ao público. E no final, homenageando Renato Russo, Frateschi ergueu uma bandeira com a foto da primeira formação da Legião Urbana e gritou “Viva Renato Russo”.
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Mantendo a pegada do rock oitentista de Brasília, o Capital Inicial, deu as caras e até o próprio Dinho Ouro Preto se surpreendeu com a energia do público. E o clima continuou com o Natiruts que levou a vibração positiva do reggae ao João Rock. A banda contou com o conceituado Hamilton de Hollanda. Para homenagear as mulheres no festival, o vocalista Alexandre Carlo convidou a backing vocal Loyd Moraes para cantar e encerrar o show com “Sorri, Sou Rei”.

Encerrando as apresentações no Palco Brasil, o hard (forró) core ganhou força com os Raimundos em Joao_Rock_Raimundos_FOTO_Joci_Silvamais um show da turnê em comemoração pelos 25 anos de seu primeiro álbum. O momento de destaque, ocorreu quando para fazer a voz feminina em “A Mais Pedida” Digão, chamou Vivi sua namorada para cantar junto, e para a surpresa geral, ao término da música, Digão parou o show e pediu sua amada em casamento! Sim, os brutos também amam!

E não foi só no palco que aconteceu pedido matrimonial. Renata Tomazini também foi surpreendida pelo seu namorado, Vitor Brambila. O casal da cidade de Taquaritinga, (cerca de 70km de Ribeirão Preto), assistia ao show da banda Maneva quando o pedido aconteceu ao som da música "Seja Pra Mim". Renata conta com detalhes: “Percebi ele muito apreensivo no dia (risos), mas não desconfiei de nada. Estávamos no show do Maneva ouvindo a música "Seja Pra Mim". Ele tirou a blusa de frio e estava com uma camiseta com nossa foto de uma viagem que fizemos pra praia se beijando e escrito ”CASA COMIGO?” Ele tirou as alianças da mochila e fez o pedido. Não tive reação de imediato, acho que foi choque, não sei explicar a sensação, só sei que foi maravilhoso. Eu disse, CLAAAARO (risos), e chorava de emoção, com aquela música, naquele lugar, o pessoal todo olhando, comentando, uma loucura de sentimentos. Chorei muito, ele é um cara incrível. Depois, foi só sorrisos, curtição e muita felicidade, estamos anestesiados ainda!”.

Palco João Rock...
O palco principal do festival foi formado, na verdade, por dois palcos, um ao lado do outro, enquanto um show ocorria o palco outro era preparado. Aqui, a carioca Fuze, outra vencedora do concurso de bandas novas foi a primeira atração. Debaixo de um sol escaldante a banda formada pelos primos e filhos do ator Marcelo Novaes, não deixaram por menos e estavam à vontade no palco. Fecharam com “Zóio de Lula” em homenagem Charlie Brown Jr.

Dando continuidade, veio a Scalene. Os brasilienses, coincidência ou não também trazem em suas letras o protesto contra desigualdade social e o público já se formava em grande número em frente.

Sem muita demora, o maranhense Zeca Baleiro, com pôr-do-sol criando um cenário lindo, iniciou seu set com “Heavy Metal Do Senhor”, já agitando a plateia, mas logo em seguida fez um tributo ao pop-rock nacional, com J. Quest, Charlie Brown Jr. e Raul Seixas. Nos momentos finais do show em meio à plateia, ensinou um método de meditação simples e infalível para se fazer em qualquer lugar, basta contar de 1 até 4 e respirar profundo, a galera acompanhou a meditação, mas mesmo assim os ânimos não acalmaram na arena do rock, mas ficou a experiência para o dia-a-dia.

Chegou a hora da BaianaSystem que leva em seu nome suas origens e influências que misturam de rock, reggae, rap e ritmos afros com a guitarra baiana. A banda é conhecida com seu trio elétrico chamado “Navio Pirata”. O Baiana System não só agitou a todos, como conseguiu organizar uma enorme roda de dança em “Roda de Índio” fortalecendo a cultura folclórica, onde todos brincaram com muita alegria, fechando sua apresentação com chave de ouro.
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A sanfona deu os primeiros acordes e surge o pernambucano Alceu Valença com seu visual característico. Acostumado a grandes eventos, Alceu fez o João Rock cair no “Baião”. Ao final, em “Morena Tropicana” e com todos cantando, disse: “Não houve palco e plateia, e sim uma integração entre todos”.
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Outro ícone do BRock, Paralamas do Sucesso, iniciaram com a nova “Sinais do Sim” e desfilaram com hits de quase 40 anos de história. Mesclando músicas com ritmos mais acelerados como “Loirinha Bombril”, e desacelerando num clima mais romântico como em “Para Onde Quer Que Eu Vá”. O set ainda teve homenagem ao Tim Maia com "Você" e "Gostava Tanto de Você". Fecharam com “Vital e sua Moto” fazendo trocadilhos com a letra incluindo o nome da cidade “Ribeirão”.

O hardcore volta à cena com CPM22, a banda tem história com o João Rock, tendo inclusive participado da Joao_Rock_CPM22_FOTO_Joci_Silvaprimeira edição, e é uma das bandas que mais tocou no Festival. O set fez um balanço geral em toda a história da banda e o vocalista Badauí iniciou o show dizendo que estava com saudades. Momento de reflexão em “Honrar teu nome”, canção em homenagem ao pai do vocalista que faleceu em 2016, Badauí não conseguiu segurar a emoção e chorou ali mesmo no palco. Finalizaram com “Inevitável”. Notava-se no olhar de cada músico a satisfação de tocar novamente no Festival.
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A baiana Pitty representou muito bem as mulheres. “Admirável Chip Novo” abre o show de sua nova turnê que promove o recém-lançado “Matriz”, trabalho que conta com parcerias, incluindo, Rael, Baiana System, Larissa Luz e Lazzo Matumbi e que se apresentaram com ela. Pitty levou a delicadeza e a atitude ao João Rock, percebe-se que cada detalhe foi pensado e construído para o show que é inovador e cheio de poesia. O povo se encantou quando Pitty deitada no chão e em meio às luzes cantou “Motor”. A cantora também lembrou hits como "Semana que Vem", "Máscara" e "Me Adora", entre outros. Um dos grandes shows do João Rock 2019 e com total aval dos presentes.

Joao_Rock_Marcelo_D2_FOTO_Joci_SilvaO veterano Marcelo D2 entrou em cena com seu filho Stephan Peixoto conhecido como Sain KTT, hoje com 25 anos de idade, mas vocês devem se lembrar dessa dupla quando gravaram Loadeando, há 15 anos! Na atual turnê “Amar é Para os Fortes”, pai e filho repetem a dobradinha. Marcelo D2 estava de muleta e com bota ortopédica, havia se machucou no João Rock Futebol Clube, evento promovido pela organização na véspera do Festival, mas nem isso parou o rapper que se moveu o tempo todo. A mistura de rap, samba e funk ganharam força com instrumentos como sax, piano e de percussão. Sons como “1967” do primeiro disco, “Colé”, “Febre de Rato” marcaram presença no set e um dos pontos altos foi à homenagem a Jorge Ben Jor.

Emicida, Rael e Mano Brown fechando o João Rock com chave de ouro. Rael e Emicida convidaram Pitty para cantar “Hoje Cedo”. Emicida relembrou o começo da carreira e pouco incentivo e estrutura que tinham, mas também deram testemunho da força de transformação do Hip Hop nas comunidades e pediram a continuidade do sonho e incentivando a cultura e lazer em vez de incentivar ter uma arma na mão e também pediu o fim do preconceito. E os presentes ficaram em êxtase quando o líder dos Racionais, Mano Brown, entrou em cena com "Nego Drama" "Vida Loka". O show contou com participações de Rincon Sapiência e Djonga. O encontro de gerações do Hip Hop nacional e deixou sua marca no Festival.

Atrações à Parte...
Joao_Rock_Sandro_Dias_FOTO_Joci_SilvaAlém das apresentações nos palcos, outras atrações espalhadas pelo Festival também animaram o público. A arte do grafite ao vivo com o ilustrador Dinho Flavio, o esporte radical esteve presente em manobras de bike e de skate, destaque para a presença de atletas como Sandro Dias (foto), o Mineirinho, considerado o “Rei do 540” do skate, o atleta, impressionou pela humildade e a atenção aos fãs. Também estiveram presentes os atletas da bike Anderson dos Santos Queiroz, e os skatistas Renato Antunes, Diego Da Silva (Bigode), Lecio Batista, Tiago Negretty e Ian Landi. Outras atrações foram a trupe circense e os brinquedos como a tirolesa que já são vistos como uma tradição em festivais, oferecendo ao público uma perspectiva diferente do João Rock.Joao_Rock_FOTO_Joci_Silva_2019

Organização de Parabéns...
Impressionante como todos os shows aconteceram nos horários previstos, a grande sacada dos organizadores do Festival em ter o palco principal dividido em dois. Outros reconhecimentos, foram à água potável e gelada disponível para todos, a criação de um “Achados e Perdidos” online dando suporte ao público e também o reembolso online do valor restante nas pulseiras, confira no site: https://www.joaorock.com.br

Sugestão Rock Press ao João Rock 2020...
Com a boa repercussão que o concurso de bandas novas teve, fica nossa sugestão para que a produção realize em 2020 um concurso focado as bandas do underground de Ribeirão Preto e região. Sabemos da existência de bons nomes na cena Heavy, Punk/HC, Prog., e Rap na cidade e adjacências, e que as vencedoras toquem em um novo palco, o Palco Ribeirão Rock! Reconhecemos que com certeza o João Rock 2019 fez e faz para a história e já bate aquela ansiedade para o João Rock 2020. - Jociane Silva.

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