IRON MAIDEN - Um legado para todas as idades!

Eu poderia estar roubando, matando, me prostituindo...Dia05_mundo_ironmaiden_DiegoPadilha_IHF
...Poderia estar falando, nesta 12ª passagem do Iron Maiden pelo Brasil, dos números que só uma banda com essa dimensão poderia apresentar. Afinal, são quase 45 anos de estrada, e embora muitos ainda insistam em dizer, a cada vez que os caras vêm ao país, que o show é "mais do mesmo", os tais números, sobre os quais fico relutante em falar, não mentem. É por aqui que os britânicos se apresentaram para seus maiores públicos nessas mais de quatro décadas: 200 mil pessoas, em 1985; 150 mil, em 2001; 100 mil em 2013 e mais 100 mil agora no Rock in Rio 2019. 

IRON MAIDEN - Um legado para todas as idades!

TEXTO: Jonildo Dacyony
FOTOS: Diego Padilha/IHF

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Não precisa dizer que todos esses recordes de público foram no Rio de Janeiro, no Rock in Rio, festival intimamente ligado à história da banda, por motivos pra lá de conhecidos pelo fãs do mundo inteiro, pois foi no festival que a banda se apresentou pela primeira vez em solo tupiniquim e foi em uma de suas edições que gravaram um de Dia05_mundo_ironmaiden_DiegoPadilha_IHFseus melhores registros ao vivo, que também leva o nome do mega evento.
 
A despeito da generosa demagogia, por assim dizer, de Mr. Dickinson, ao massagear o ego de outras capitais brasileiras e latino-americanas por onde o Maiden passou com sua atual turnê, foi no Rio de Janeiro que o grupo teve sua apresentação de maior repercussão, pelo menos nessa parte da Legacy of the Beast World Tour.
 
Anunciado como uma das principais atrações dessa edição do festival, o Iron surpreendeu a muitos ao solicitar a troca dos horários das apresentações com o Scorpions. Sendo assim, os alemães encerraram a noite e os britânicos mesmo na condição de headliners, se apresentaram mais cedo, mas nada que alterasse o tempo de sua apresentação, que seguiu o roteiro-padrão pré-estabelecido. 
 
Ao final da apresentação do Helloween (LEIA AQUI) já era possível perceber a movimentação de muitas pessoas para conseguirem uma localização que permitisse pelo menos uma visibilidade decente do Palco Mundo, e depois do Slayer encerrar seu show no Palco Sunset, essa movimentação se transformou em uma certa correria. Afinal, todos queriam conferir o "mais do mesmo" que sempre traz uma novidade. 
 
Passava um pouco das 21h30 quando começou a ser exibido um vídeo com imagens do game que dá nome a turnê, dando Dia05_mundo_ironmaiden_DiegoPadilha_IHFboas vindas ao público. Em seguida, ouvimos a já tradicional "Doctor, Doctor", do UFO, que anuncia a subida da banda ao palco. Luzes se apagam e "Churchill's Speech" anuncia o hino "Aces High", onde além do figurino de aviador de Bruce, havia uma réplica de um caça da Segunda Guerra Mundial em tamanho natural, pairando sobre o palco seguiram com "Where Eagles Dare" e "2 Minutes to Midnight", propondo um início de show, digamos, quase conceitual, já que essa tríade trata de temas parecidos.
 
Depois de saudar os fãs, Dickinson falou sobre a temática da próxima canção, "The Clansman", que já possui o status de clássico dentro do repertório da donzela e sempre que é executada tem o seu refrão cantado em uníssono. Aliás, na minha opinião é uma das melhores canções da fase "Blaze" da banda, com Steve Harris "destruindo" no baixo acústico. Em seguida, "The Trooper", que dessa vez foi a que trouxe Eddie ao palco, em uma luta de espadas com Bruce, que por sua vez também agitou uma bandeira brasileira, além da britânica. Tanto "Trooper" quanto a canção seguinte "Revelations" trazem belíssimos Dia05_mundo_ironmaiden_DiegoPadilha_IHFtrabalhos de guitarras, com Dave Murray, Adrian Smith e Janick Gers se revezando em riffs, solos, bases e dedilhados. Dois clássicos absolutos do mesmo álbum, o grandioso "Piece of Mind"
 
Em um dado momento da apresentação, Dickinson disse que não haviam canções novas para apresentar e realmente é isso que se vê nessa turnê: um setlist predominantemente composto por canções da década de 1980 com raras exceções, e uma delas foi "The Greater Good of God", do álbum "A Matter of Life and Death", de 2006, que grande parte do público não cantou junto, simplesmente por não conhecer, o que segundo alguns fãs, mostra  que o Maiden precisa variar mais seu repertório entre uma e outra turnê.
 
A primeira metade do show foi encerrada com "The Wicker Man", que marcou o retorno de  Smith e Dickinson à banda, na virada do século, e que tem aquele refrão grudento: "Your time will come".Dia05_mundo_ironmaiden_DiegoPadilha_IHF
 
Já a segunda metade do espetáculo começou com outra que também já entrou no hall dos clássicos: "Sign of The Cross", com os característicos cantos gregorianos e as variações progressivas. 
 
Uma das grandes surpresas da noite foi "Flight of Icarus", pelo menos para os mais desavisados, que foi seguida pela única canção da década de 1990, nada menos que "Fear of the Dark", durante a qual seria chover no molhado descrever as lágrimas dos marmanjos ali presentes. E como pra todo chorão toda lágrima é pouca, em seguida pudemos ouvir a locução de Vincent Price anunciando "The Number of the Beast", que leva os fãs ao êxtase, mas os deixa apreensivos ao mesmo tempo, pois, já se sabe que estamos na reta final do show. Vale destacar os efeitos pirotécnicos durante sua execução: enormes labaredas que saiam do topo do palco, entre outras coisas.
 
Dia05_mundo_ironmaiden_DiegoPadilha_IHFA última antes do bis foi "Iron Maiden", que é uma daquelas que nunca está fora do set da banda e que já é um prenúncio de um gran finale arrasador, com direito, após sua execução, à já tradicional distribuição de baquetas pela figuraça Nicko McBrain.
 
"The Evil that Men Do", "Hallowed be thy Name" e "Run to the Hills" encerraram uma noite inesquecível para fãs novos e antigos, mostrando que os "velhinhos" são capazes de arrastar pessoas de todas as idades, não apenas do Brasil, mas de todos os cantos da América Latina, e provando que os números, aqueles a respeito dos quais insisti em não me aprofundar, mesmo sabendo que durante mais esta passagem pelo país, além de ter sido escolhido o melhor show do festival pela imprensa especializada, o Iron Maiden ficou em primeiro lugar entre as buscas nas principais plataformas de streaming de música, esses não mentem jamais. - Jonildo Dacyony.

 

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