HOCUS POCUS FESTIVAL 2019 - Graveyard (Suécia) + Psilocibina + Auramental

A quarta edição do Hocus Pocus Festival rolou no último domingo (19/4), no BCO Space Makers, com a banda GRAVEYARD_Hocus_Focus_festival_2019_FOTO_MARCELO_PEREIRAsueca Graveyard apresentando-se para um público cativo em uma festa com produção do Xaninho Discos em parceria com a cervejaria Hocus Pocus. O evento ainda contou com shows de abertura das bandas cariocas Psilocibina e Auramental.

HOCUS POCUS FESTIVAL 2019 - Graveyard (Suécia) + Psilocibina + Auramental
Bco. Space Makers - Santo Cristo/RJ – 19 de maio 2019
TEXTO: Fabiano Soares - FOTOS: Marcelo Pereira

Domingo. Ônibus demora mais pra aparecer, o tempo passa paradoxalmente mais lento e mais depressa – tudo se arrasta, mas quando você tem horário, perde porque passa rápido. Aliás, paradoxal é a palavra desse domingo. Dia do Hocus Pocus Festival, marcado para abrir as portas às 15 horas, e a primeira banda começar às 17. O almoço saiu às 14, então sem chance de chegar às 15 lá, mas de boa, tem tempo. Não acompanho Game of Thrones, mas gosto da ideia de os shows acabarem cedo. Domingo sempre é perrengue quando acaba tarde. Bem-vindo ao Rio de Janeiro.

PSILOCIBINA...
PSILOCIBINA_Hocus_Focus_festival_2019_FOTO_MARCELO_PEREIRAChego na hora exata da primeira banda, Psilocibina. Puta que pariu, vocês sabem o que é psilocibina? Um alucinógeno ligado aos cogumelos, que eu não vou saber explicar porque nunca tive contato, acho. Pois tão difícil quanto explicar a viagem de uma droga não tomada, é explicar o som desses caras! Mas posso dizer que a onda é forte, e é pesada! O trio toma na marra a atenção do público que batia papo e ainda buscava conhecer as estruturas do festival. Com um som instrumental pesado, a banda parece fazer uma improvisação muito bem ensaiada (tudo é paradoxal nesse domingo) que hipnotiza o público presente. Uma aura psicodélica nos coloca em um transe de guitarra distorcida misturado a um grave que urra, e a bateria marcando o ritmo do balançar das cabeças. Vibrante e pesado, PSILOCIBINA_Hocus_Focus_festival_2019_FOTO_MARCELO_PEREIRAuma meiota que te abre a cabeça e te joga pra cima mesmo tacando pra baixo. Entendeu? Se não, vá ver e ouvir os caras ao vivo. Showzão!

Com uma eficiência absurda da produção, não teve muito tempo para quem queria ver os shows ficar olhando as barracas de comida que estavam por ali, mas tinha: choripán ou pão com shitake, tapioca, hamburger… Mas a fila da cerveja estava sempre gigantesca. Dois quiosques, um em cada lado do palco, davam a vazão etílica para o pessoal. A Hocus Pocus botou duas cervejas para serem vendidas exclusivamente no evento, a “Fairy Dust” e a “Prometheus Rising”, além de lançar o rótulo “O Louco” no dia.

AURAMENTAL...
AURAMENTAL_Hocus_Focus_festival_2019_FOTO_MARCELO_PEREIRALogo após a Psilocibina, entrou no palco a Auramental, para uma grande jam. O quarteto instrumental conta com dois guitarristas, um baixista e um baterista. Usando muitos efeitos, a banda apresenta um som bem viajado e não tão pesado quanto a anterior, mas conduz a apresentação que parece ser recheada de improvisos muito bem sincronizados. O clima harmônico entre os sons dos integrantes permeou todo o show, e houve espaço para cada músico mostrar a que veio. Quando AURAMENTAL_Hocus_Focus_festival_2019_FOTO_MARCELO_PEREIRAavisados que o tempo estava acabando, o clima sonoro pesou e foram os cinco minutos mais barulhentos (no bom sentindo) da banda no palco, fazendo as cabeças moverem-se instintivamente, acompanhando a música. Saíram do palco anunciando o lançamento do disco homônimo após darem conta do recado de abrir para a atração da noite.

GRAVEYARD...
GRAVEYARD_Hocus_Focus_festival_2019_FOTO_MARCELO_PEREIRAComo última banda da noite, o Graveyard entrou no palco e arrancou gritos do público só por aparecer. E já começaram com “Hisingen Blues”, convocando o público a cantar junto “Lucifer, please, take my hand!”. É stoner, tem um pezinho no blues, abusa da psicodelia, mas Papai do chão está presente nas letras. O vocal sofrido e a guitarra mais discreta de Joakim Nilsson, com a bateria frenética de Oskar Bergenheim, o baixo marcadíssimo de Truls Mörck e a guitarra livre, que alternava entre o peso e a poesia, de Jonathan Ramm: é essa mistura toda de músicos suecos tocando um som psicodélico que hora vai total pra um blues do sul dos EUA e hora faz lembrar riffs de Black Sabbath. Com o stoner do Graveyard você bate cabeça pensando “goddam’ th’s muthafucka r’lly kick ass, man!”, e cospe pro lado um tabaco imaginário.

Joakim, pingando, anuncia a quarta música, “Cold Love”, do novo álbum. Alguns fãs cantam partes junto, mas o público se empolga mesmo quando emendam com “BuyingGRAVEYARD_Hocus_Focus_festival_2019_FOTO_MARCELO_PEREIRA Truth”, aí tem até uns pulos e gritos acompanhando o início empolgante da música, seguida por batidas de cabeça o tempo todo. Para relaxar, logo após rola a balada “Uncomfortably Numb”, e tudo se acalma novamente. Truls, o baixista, assume o vocal em “Bird of Paradise”, dando um descanso para Joakim, que esvai-se em suor no palco: o vocalista está de calça e blusa de manga comprida, fechada nos pulsos. Ficou com mais cara ainda de coveiro, mas estava lá, firme e forte no palco.

Até então bem mesclado com músicas da carreira, exceto do álbum homônimo de estreia, o show dava uma pequena vantagem para as músicas do mais novo álbum, “Peace”, lançado ano passado. Do trabalho de 2015, apenas “Magnetic Shunk”, que encerrou o show, e nessa hora, Joakim joga para o alto no maior estilo “foda-se” sua palheta, que bate no peito desse que vos escreve. Como o chão do espaço era de pedras, e estava tudo escuro, fiquei tateando cascalhos (lá vem o bobão fazer piadinha… é cascalho! Aquela pedrinha de obra!), sem achar porra nenhuma, e um rapazote ao meu lado ligou a lanterna do celular e achou, ao lado do meu pé. Todos continuaram em pé, olhando para o palco escuro porque (Há Há! Pegadinha do Mallandro!) após um tempo eles voltam com “Low”, música nova também, e o público já com aquele amargo de saber que está acabando o showzaço dos suecos.GRAVEYARD_Hocus_Focus_festival_2019_FOTO_MARCELO_PEREIRA

A bateria entra nervosa na próxima música, a gritada “Ain’t Fit to Live Here”, e quem ainda tem disposição dá suas últimas batidinhas de cabeça, porque a música que fecha a noite é a lenta, mas com pontos enérgicos, “The Siren”. As duas últimas são do aclamado álbum “Hisingen Blues”, que contou com 5 músicas no set. E nesse clima melancólico o show acaba, e já começa a descer o pano branco, para a exibição do capítulo final de Game Of Thrones. Para não me xingarem, vou abster-me de comentários, mas não fiquei para ver no evento. Preferi aproveitar o horário pontual do final do show para chegar mais cedo em casa, pensando nos shows lindos que vi. Ah, e quase esqueci, uma cena que não esquecerei, que confirma a minha hipótese de que Joakim Nilsson deveria ter trocado de roupa para não passar mal no calorGRAVEYARD_Hocus_Focus_festival_2019_FOTO_MARCELO_PEREIRA carioca: o cara mandou duas vomitadas no palco, no meio da cantoria. Acho que valeu mais do que ficar pra ver Game of Thrones!

Mas foi um ótimo evento, boa escolha das bandas que participaram e em um lugar inusitado (ao qual pelo menos pode se chegar de ônibus ou VLT). Dia limpo, sem chuva; acabou cedo; vi Graveyard ao vivo – e o vômito do cara; e ri muito do pessoal que ficou xingando o fim de Game of Thrones. Melhor que isso só ter chegado cedo em casa e ainda ter dado tempo de pegar o filhote ligado no 220V, com um sorrisão de me ver. Parabéns Xaninho Discos e Hocus Pocus; por mais festivais organizados e bonitos de se ver e ouvir como esse! - Fabiano Soares.

Portal Rock Press