Guns And Roses – “Guns And Roses 7 X 1 Axl Rose”

Se você assistiu ao Guns and Roses no no segundo Rock in Rio em 1991 e/ou na passagem da Use Your Ilusion Rock in Rio Dia23_Guns'n Roses_Carolina Moura_EstacioTour pelo Brasil em 1992, parabéns você foi um felizardo. Assistiu a banda em algumas das suas melhores performances em terras brasileiras. No show do Rock in Rio 2017, mesmo com uma apresentação que passou de 3 horas, o que se viu foi uma banda jogando bonito e um vocalista em um dia que não representou seus melhores momentos!

Guns And Roses – “Guns And Roses 7 X 1 Axl Rose” 
Rock in Rio – 23/9/2017
Texto: Michael Meneses – Fotos: Carolina Moura

 

Rock in Rio Dia23_Guns'n Roses_Carolina Moura_Estacio

O show teve uma novidade em relação às apresentações da banda no Rock in Rio, (A banda esteve nas edições de 2011, 2001 e 1991). Dessa vez a apresentação não teve atraso, diferente de outras edições em que o publico sabia que iria esperar ao menos duas horas entre o final do show que antecedeu e a apresentação do Axl e Cia. Dessa vez bastou uns 40 minutos após o termino do show do The Who e o Guns já estavam no palco. Será que a pontualidade britânica do Who inspirou os americanos? Rock in Rio Dia23_Guns'n Roses_Carolina Moura_EstacioNa ocasião, fiz piada com a situação dizendo que o show do The Who foi tão perfeito que fez até o Guns não atrasar. Algo realmente raro de se ver, o que até criou a esperança que o show seria “A Grande Volta do Guns and Roses”, algo como já ocorreu com tantas bandas veteranas, que após passar por períodos turbulentos voltam em grande estilo, mas não foi bem assim, o Guns and Roses continua em turbulência.

A banda começou muito bem, com aquela pegada típica deles em seus melhores momentos e embalados com os clássicos “It´s So Easy”, “Mr Browstone”, logo nota-se que juntos Slash, Duff McKagan e Axl Rose fazem um grande diferencial a banda, contudo não demora muito e a voz do Axl vai cansando e logo se torna obvio o quanto isso é prejudicial à história da banda, e continuar em atividade vai apenas desagradando antigos fãs e pouco irá conquistar novos seguidores. Chega a ser triste ver Axl arrastando a voz, sobretudo depois de assistir a uma apresentação majestosa do The Who, alias antes que alguém diga que o Axl Rose tá velho, já não é mais jovem, que fique claro que a questão não é essa, só nesse Rock in Rio tivemos alguns nomes que provam que o tempo não é desculpa para um baixo rendimento no gogo, pois Alice Cooper, Steven Tyler (Aerosmith) e Roger Daltrey (The Who), são prova disso, por outro lado há de se reconhecer que cada um tem o seu tempo e seus limites e pelo visto o do Axl precisa ser renovado!

O show foi de longe o mais longo de todo o festival, durou cerca de três horas e meia, com a banda trabalhando em um set-list que priorizou sua fase áurea, ou seja, segunda metade dos anos 1980 e primeira metade dos anos 1990, sobrando espaço até para sons raramente tocados nas apresentações em terras brasileiras como “Used to Love Her” (do EP Lies), o set também incluiu os covers tradicionais da banda como; “Live and Let Die” (Paul McCartney), “Knockin’ on Heaven’s Door” (Bob Dylan), versões para “Wish You Were Here” (Pink Floyd), “Whole Lotta Rosie” do AC/DC (banda que Axl emprestou a voz em 2016/17), além da homenagem ao vocalista Cris Cornell (Soundgarden e Soundgarden) com “Black Hole Sun”, vale destacar também que uma versão instrumental de “Layla” (Derek and the Domino/Eric Clapton) introduziu “November Rain”, e é nessas horas percebemos o quanto faz falta o vozeirão de Axl Rose se perdeu e que fique claro que a voz do Axl de outros tempos, faz falta não apenas em baladas épicas como “Estranged”, “Don’t Cry”, “Patience”, mas também nos rock´s vigorosos da banda e eternizados ao longo dos anos na históriaRock in Rio Dia23_Guns'n Roses_Carolina Moura_Estacio do rock como “You Could Be Mine”, “Sweet Child O’ Mine”, também perdem força por conta da voz atual de Axl Rose. 

Com o rápido intervalo que antecedeu ao bis, parte do publico encontrou a deixa para deixar a Cidade do Rock, enquanto a banda ainda teve tempo para homenagear o The Who com “The Seeker”, e com “Paradise City”, mantendo a tradição de fechar a noite. Resta a esperança que Axl Rose recupere sua voz que encantou tantos em outras memoráveis apresentações, pois em termos de banda o Guns and Roses já reencontrou sua melhor formação em 20 anos. – Michael Meneses – michaelmeneses@portalrockpress.com.br

Portal Rock Press