FREJAT e CARLOS PRAZERES - Unindo Rock com Música Clássica e Barroca em Belo Horizonte/MG

Com ingressos esgotados, Frejat realiza grande espetáculo, em Belo Horizonte, com orquestra Frejat_e_Carlos_Prazeres_Prudential_Concerts_Lets_Rock_BH_FOTO_Celio_Junioregida por Carlos Prazeres. O show fez parte do Prudential Concerts - Let’s Rock que já havia passado Porto Alegre e Curitiba, e agora segue para Rio de Janeiro (21 e 22/08), Brasília (18/09) e São Paulo (15/10).

FREJAT e CARLOS PRAZERES - Unindo Rock com Música Clássica e Barroca em Belo Horizonte
Grande Teatro do Palácio das Artes - 17/07/2019 - Belo Horizonte/MG

TEXTO: Robert Moura – FOTOS: Célio Junio

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Na última quarta-feira (17/07), Roberto Frejat se apresentou no Grande Teatro do Palácio das Artes, em Belo Horizonte, acompanhado de orquestra composta por músicos da Sinfônica (OSMG), da Filarmônica (OFMG) e da Orquestra Ouro Preto/MG com regência do maestro Carlos Prazeres. O show fez parte do Projeto Prudential Concerts que tem o objetivo de unir música clássica e popular, e esse ano sob o título de “Let’s Rock” tem foco no Rock’n’Roll. Nada mais justo do que convidar o compositor, guitarrista e cantor Frejat, um dos maiores representantes do gênero no Brasil.

Frejat_e_Carlos_Prazeres_Prudential_Concerts_Lets_Rock_BH_FOTO_Celio_JunioNa primeira parte da apresentação, sem a presença de Frejat, foram apresentados arranjos de clássicos do rock com inserções de trechos de músicas clássicas. Na verdade, o gênero eleito para fazer essa tabelinha foi o barroco. A primeira peça da noite foi o “Inverno” (das Quatro Estações, RV 297), de Antonio Vivaldi. Em seguida, “Another Brick In The Wall - part.2”, do Pink Floyd, com direito ao solo da guitarra executado pelo trompete e pela flauta. Aliás, a orquestra foi completada por uma bateria e contrabaixo elétrico, e curiosamente num tributo ao Rock, não foi inserida uma guitarra na formação (essa só seria ouvida mais tarde nas mãos de Frejat). Com simpatia, o bem-humorado regente Carlos Prazeres apresentava as obras que seriam executadas e induzia a plateia a cantar junto, inclusive, um coro de sete vozes foi incluído com esse intuito. O público, no entanto se mostrava tímido. A canção “Love Me Do”, dos Beatles, recebeu um arranjo um tanto quanto pitoresco que acabou por lembrar os trabalhos de gosto exageradamente popular de Ray Conniff. 

Os primórdios do Rock foram lembrados com “Jailhouse Rock” de Elvis Presley com uma inserção da “Cantata BWV 147, Jesus, Alegria dos Homens” de Johann Sebastian Bach. O mergulho poderia ter sido um pouco mais fundo, trazendo algo do repertório de Chuck Berry ou Little Richards que infelizmente não foram contemplados no repertório. O cravo foi inserido na orquestra, reforçando a característica do estilo barroco, com direito ao músico Fernando Cordella executando no instrumento um solo virtuoso de Georg Friedrich Haendel. “Still Loving You” dos Scorpions também mereceu uma versão, e fez recordar que a banda já havia realizado essa experiência de junção de rock com uma orquestra de música clássica, em parceria com a Filarmônica de Berlim no ano de 2000. Novamente, o cravo funcionou muito bem executando os dedilhados originais da guitarra. Dois grandes duetos da história do rock mereceram destaque, “Under Pressure” do Queen com David Bowie, e “Money For Nothing” do Dire Straits com Sting. Nesta última, os metais soaram com perfeição executando os riffs de guitarra, e foram incluídos trechos do “Concerto Para Dois Violinos, BWV 1043”, de Bach. Uma versão totalmente inesperada de “Pet Sematary” dos Ramones também fez parte do programa, que encerrou a primeira parte com um arranjo de “Rock’n’Roll All Nite” do Kiss que remeteu aos musicais norte-americanos.

Para Frejat_e_Carlos_Prazeres_Prudential_Concerts_Lets_Rock_BH_FOTO_Celio_Junioa segunda parte, Frejat foi conduzido ao palco pelo maestro Carlos Prazeres, e de violão em punho, soltou a voz em “Por Você”, acompanhada inicialmente apenas pelo cravo, e ganhou peso com a entrada da orquestra no meio da canção. O arranjo valorizou muito a já bonita balada de autoria de Frejat, Maurício Barros e Mauro Santa-Cecília. "Codinome Beija-Flor" (de Cazuza, Reinaldo Arias e Ezequiel Neves), que teve um dueto póstumo gravado pelo Barão em 2005, com os vocais sendo divididos por Frejat e Cazuza também foi incluída no setlist. Aproveitando o fato de ter uma orquestra à disposição, Frejat cantou “Tudo Ainda”, parceria dele com Adriano Nunes e Mauro Santa-Cecília, single que foi gravado originalmente em 2016 com grande seção de cordas, como ele lembrou. Frejat_e_Carlos_Prazeres_Prudential_Concerts_Lets_Rock_BH_FOTO_Celio_Junio

Ainda se acompanhando ao violão, Frejat cantou os sucessos da carreira solo: “Túnel do Tempo”, “Segredos” e “Amor Pra Recomeçar”. Uma sequência de belas baladas. Aliás, uma característica dos compositores de rock sempre foi a de, também, escrever grandes baladas (os garotos lá de Liverpool que o digam!). Elas foram acompanhadas em coro pela plateia que começou a soltar a voz sem receios. E falando em voz, Frejat está cantando melhor do que nunca, o grave potente de sua voz tomou conta do teatro e se impôs com firmeza ao lado da orquestra, cujo entrosamento com o artista fluiu muito bem. Mas, como o foco era o Rock’n’Roll, era chegado o momento de Frejat pegar a guitarra que foi ouvida pela primeira vez na noite destilando suas bases e solos embebidos de distorção, numa sequência arrebatadora de músicas gravadas nos tempos do Barão Vermelho que fez o público levantar das cadeiras. O maestro Carlos Prazeres declarou que a partir daquele momento “ninguém era de ninguém”. “Bete Balanço” e “Maior Abandonado”, ambas parcerias de Frejat e Cazuza, passaram pela prova do tempo e hoje são, sem dúvidas, clássicos do rock e do cancioneiro nacional. O velho parceiro também foi lembrado em “Exagerado” (Cazuza, Leoni e Ezequiel Neves) que encerrou a apresentação, deixando “Pro Dia Nascer Feliz” (outra de Frejat e Cazuza) para o catártico bis. O público ainda permaneceu durante alguns minutos pedindo mais, e a própria orquestra permaneceu no palco à espera de um retorno de Frejat e Carlos Prazeres, mas o concerto estava realmente encerrado. Apesar deles não terem Frejat_e_Carlos_Prazeres_Prudential_Concerts_Lets_Rock_BH_FOTO_Celio_Junioretornado, as expressões do público na saída era de completa satisfação.

O projeto "Prudential Concerts – Let’s Rock"  teve ingressos esgotados na capital mineira,  e agora segue com apresentações no Rio de Janeiro, no Distrito Federal e São Paulo. Confira maiores detalhes abaixo. – Robert Moura.

Próximos shows:
Todas as apresentações do Prudential Concerts – Let’s Rock terão Carlos Prazeres como maestro-regente e Roberto Frejat como artista convidado.

RIO DE JANEIRO/RJ
SHOW:
 Frejat + Carlos Prazeres com Orquestra Johann Sebastian Rio
DATAS: 21 e 22 de Agosto
LOCAL: Teatro Prudential - Rua do Russel, 804 - RJ/RJ

BRASÍLIA/DF
SHOW:
 Frejat + Carlos Prazeres com Orquestra Arregimentada
DATA: 18 de Setembro
LOCAL: Teatro da UNIP - SGAS I St. de Grandes Áreas Sul 913 - Brasília/DF.

SÃO PAULO/SP
SHOW: 
Frejat + Carlos Prazeres com Orquestra Arregimentada
DATA: 15 de Outubro
LOCAL: Teatro Renault - Av. Brigadeiro Luís Antônio, 411 – República – SP/SP

Para mais informações sobre o Prudential Concerts, acesse as redes sociais do projeto:
FACEBOOK: https://www.facebook.com/prudentialconcerts
INSTAGRAM: https://www.instagram.com/prudentialconcerts/


ROBERT MOURA - É natural de Belo Horizonte. Bacharel em Música (UEMG) e Mestrando em Artes (UEMG). Professor na Alaúde Escola de Música. Tocou guitarra em bandas de Rock na capital mineira. Atualmente seu trabalho está focado no violão clássico e trilhas para teatro.

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