FESTIVAL POLIFONIA: Evento celebra cena indie brasileira no Rio de Janeiro!

Contando com o que há de melhor na cena indie nacional, o Festival Polifonia por duas noites MENORES_ATOS_no_VivoRio_19_10_19_Foto_EduBarrosagitou o Vivo Rio com shows do Supercombo, Scalene, Zimbra, Tuyo, Vitrola Sintética, Far From Alaska, Glória, Plastic Fire, Menores Atos (fotos) e Pense. O rock foi exaltado em um desses evento que deveriam ser rotineiros por todo Brasil.

FESTIVAL POLIFONIA:
Evento celebra cena indie brasileira no Rio de Janeiro!

18 e 19 de outubro
Vivo Rio - RJ/RJ
TEXTO: Adriano Dias
FOTOS: Eduardo Barros

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O rock independente ganhou um novo espaço para chamar de seu. Nos dias 18 e 19 de outubro, o Vivo Rio foi o palco da primeira edição do Festival Polifonia (que venham outras!). O primeiro dia do evento teve Supercombo e Scalene apresentando novos trabalhos, passando pelo rock good vibes do Folks, com Zimbra e Tuyo levando o público ao êxtase, e a Vitrola Sintética mostrando aos cariocas sua respeitosa sonoridade. Vamos aos shows...

VITROLA SINTÉTICA: Junção da modernidade com o cult...

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VITROLA_SINTÉTICA_no_VivoRio_18_10_19_Foto_EduBarrosPra quem não conhecia a banda, o quarteto paulistano fez um ótimo cartão de visitas. Coube à música “Beijo de Rimbaud” abrir o festival, e ao longo da apresentação, ficou nítida que a galera deu muito respeito ao trabalho que encantou pela perfeita harmonia entre letra e melodia. Apesar do desconhecimento do público que compareceu, a banda está em atividade desde 2006. O Vitrola Sintética já ostentar uma indicação ao Grammy, com a música “Deus” (do álbum “Sintético”, de 2015). A banda é formada por Felipe Antunes (voz e guitarra), Otávio Carvalho (baixo e programações), Rodrigo Fuji (guitarra e piano) e Kezo Nogueira (bateria). No repertório, oito músicas, além das já citadas, incluíram uma versão do clássico “Polícia” dos Titãs. Se o assunto foi som de qualidade, a Vitrola Sintética não deixou por menos, um belo show. CONHEÇA! 

FOLKS: Positividade Sonora...

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Coube ao Folks ser a primeira banda carioca desta primeira edição do Polifonia. Na estrada desde 2011, FOLKS_no_VivoRio_18_10_19_Foto_EduBarroseles celebram um excelente momento, com direito a apresentação na última edição do Rock in Rio. Sorte de quem pode acompanhar, pois foi um show vibrante do início ao fim e muito interessante ver a galera chegando firme e forte para acompanhá-los. Composta por Kauan Calazans (voz), Sérgio Sessim (guitarra), Paulinho Barros (guitarra e voz), Kadu Carvalho (baixo) e PV (bateria), a banda esbanja qualidade e suas letras demonstram uma positividade intensa. Típica banda pra se ouvir no final de tarde à beira-mar. No setlist, as músicas “Para o Grande Amor”, “Paralelas Imperfeitas”, “Foi”. O ápice foram as músicas “Sobre Viver” (cujo clipe foi lançado recentemente) e “Muito Som”. Ainda deu espaço para mandar o clássico “I’m Free” dos Stones e gravada pelo Soup Dragons no início dos anos 1990. Sério! É uma banda que tem tudo para alcançar vôos maiores. Durante o Rock in Rio a banda concedeu essa entrevista para Rock Press. LEIA AQUI! 

ZIMBRA: Rock de Arena á paulistana...

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ZIMBRA_no_VivoRio_18_10_19_Foto_EduBarrosO quarteto santista era uma das atrações mais aguardadas do primeiro dia e eles superaram todas as expectativas. Não é para menos. Eles têm o respeito de grandes nomes do rock nacional. A banda tem um currículo que os coloca no patamar dos grandes nomes da nova cena. São dois CDs, três EPs e apresentações em festivais, como Lollapalooza e o último Rock in Rio. Formada por Rafael Costa (vocal), Vitor Fernandes (guitarra), Guilherme Goes (baixo) e Pedro Furtado (bateria), A Zimbra alterna entre o pop melódico e o rock alternativo. Sobre o show, a banda mostrou que tem um público grandioso aqui no Rio. “Amanhã”, “Viva”, “Já Sei” foram cantadas do início ao fim. Eles estão colhendo o fruto do recente trabalho, “Verniz”, mas não deixaram de lado os sons que aparecem no álbum “O Tudo, o Nada e o Mundo”, de 2013. CONHEÇA! 

TUYO: A modernidade no folk music...

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TUYO_no_VivoRio_18_10_19_Foto_EduBarrosA banda chegou a ser prejudicada nos primeiros minutos de seu set devido a problemas técnicos, porém, eles entregaram uma apresentação impactante, transformando o Polifonia em um grande culto musical. O trio, formado pelas irmãs Lilian, Layane Soares e Jean Machado, mostrou a perfeita junção entre o orgânico e o sintético. As meninas ganharam notoriedade em 2015, quando se apresentaram no reality musical “The Voice Brasil”. Hoje, a trinca paranaense está colhendo os frutos do álbum “Pra Curar” (2018) e músicas como “Terminal”, “Vidalouca” e “Solamento” foram alguns dos pontos altos. A boa terapia em formato de show contou ainda com a participação do duo Yoún. Para quem não conhecia e/ou não dava nada para esse show, foi impossível não ser arrebatado pelo som da Tuyo. CONHEÇA!

SCALENE: Respirando novos ares, sem esquecer a sua essência...

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SCALENE_no_VivoRio_18_10_19_Foto_EduBarrosO quarteto de Brasília apresentou ao público do Vivo Rio o recente trabalho “Respiro”. Agora, Gustavo Bertoni (voz e guitarra), Tomás Bertoni (guitarra, violão e vocais), Lucas Furtado (baixo e vocais) e Philipe Makako Nogueira (bateria e vocais) estão com a responsabilidade de levar ao público o ar que o novo álbum apresenta. Mas, calma, quem foi ao Festival Polifonia foi testemunha que eles não deixarão de lado a essência alternativa que os consagrou. Foi um belo show com uma ótima resposta do público, e  direito a várias rodas punk. A apresentação contou com uma “invasão” do Léo, líder do Supercombo, que deu uma canjinha na música “Surreal”. Desde a primeira música (“Danse Macabre”) até a última, “Legado”, foi um show de valer a pena virar a noite. A banda segue em tour promocional do disco “Respiro” pelo Brasil. CONFIRA AQUI! 


SUPERCOMBO: O cotidiano musicado...

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SUPER_COMBO_no_VivoRio_18_10_19_Foto_EduBarrosAo lado da Scalene, a banda capixaba foi bem no papel dos últimos shows do primeiro dia do festival. Comemorando 10 anos de estrada, eles estão apresentando a turnê do recente trabalho “Adeus, Aurora!”, além de passar pelos consagrados  “Rogério” (2017) e “Amianto” (2014). Foi um set vibrante, com uma bela participação do público, e quem ficou até o fim não se arrependeu. Hits como, “Sol da Manhã”, “Amianto”, “Magaiver”, “Grão de Areia” (que contou com a presença retribuída de Gustavo Bertoni, da Scalene). Claro que o hino “Piloto Automático” foi o ápice do show do quarteto. Fechando o primeiro dia do Festival Polifonia com uma bela festa no palco. E não para por ai, no próximo dia 24 de novembro a banda realiza o Supercombo Festival que terá tocando com participações especiais e shows das bandas, Tópaz, Scatolove, Lipstick, Violet Soda e Sugar Kane. INFORMAÇÕES AQUI! 

 

O segundo dia: O hardcore deu suas caras no Vivo Rio!

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Quem sentiu falta do som pesado no primeiro dia, não ficou desapontado com a segunda noite do Festival Polifonia. Desde a primeira música do Plastic Fire até a última canção do Far From Alaska, passando por Glória, Menores Atos e Pense, as bandas fizeram bonito e o mosh comeu solto e até pedido de casamento rolou nesta noite.   


PLASTIC FIRE: Incendiando do início ao fim...

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PLASTIC_FIRE_no_VivoRio_19_10_19_Foto_EduBarrosCom o performático Reynaldo Cruz (voz), Daniel (guitarra), Marcelo (bateria) e Marcio (baixo), a banda está aí para mostrar que bairro de Madureira no subúrbio do Rio não é só o berço do samba. É berço do rock (também), e dos melhores. Aliás, o bairro já foi um dos endereços de um dos palcos mais emblemáticos do underground carioca. Falamos do Caverna que, nos anos 1980, abrigou shows de bandas alicerces do heavy nacional, como Vulcano e Dorsal Atlântica. Voltando ao show, a galera que se divertiu do início ao fim com rock incendiário destes, afinal, show do Plastic Fire é diversão garantida. Os caras levaram ao Vivo Rio um show de respeito, mesmo com alguns momentos de desentrosamento, a banda mostrou um som destruidor. No set, sons como “A Ponte”, “Dinossauros”, “A Última Cidade Livre”, entre outras. Resumindo, a banda abriu a segunda noite com competência é direito a protesto anti-fascismo conduzida por Reynaldo Cruz! A próxima parada da Plastic Fire é o Coliseum Festival em Campos/RJ. INFORMAÇÕES AQUI! 

 

 

GLÓRIA: A vez do metalcore...

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GLORIA_no_VivoRio_19_10_19_Foto_EduBarrosO quinteto paulistano que segue na estrada há pouco mais de 15 anos levou seu metalcore ao festival. No repertório, foi uma junção do mais recente trabalho, Acima do Céu, com o álbum “Gloria”, de 2009 (que completa 10 anos neste ano). É difícil não se impressionar como a voz do Mi Vieira segue intacta desde então. Além do Mi, a banda segue com Elliot Reis (guitarra e vocais), Peres Kenji (guitarra), Thiago Abreu, (baixo) e Leandro Ferreira (batera). O setlist contou com hits como “A arte de fazer inimigos”, “Vai pagar caro por me conhecer”; “Asas Fracas”, “Minha Paz” e “Tudo outra vez”. Eles fizeram uma viagem pela carreira, o que deixou um show redondo e digno de um festival. No próximo dia 21 de novembro, o Glória faz show em Vitória da Conquista/BA no projeto Noite Fora do Eixo, evento que também conta com a banda Zimbra (em 22/11). INFORMAÇÕES AQUI!


 

MENORES ATOS: Intensidade Sonora...

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MENORES_ATOS_no_VivoRio_19_10_19_Foto_EduBarrosQuando os primeiros acordes de “Passional” foram tocados, a plateia cantou em uma só voz, deixando os cariocas em casa novamente – a banda está radicada em São Paulo. Formado por Cyro Sampaio (voz e guitarra), Celso Lehnemann (baixo) e Ricardo Melo (bateria e voz), levaram ao público do Vivo Rio as músicas dos álbuns “Animalia” (2014) e “Lapso” (2018). Apesar da diferença do que foi apresentado pelas duas bandas que passaram anteriormente no palco, a Menores Atos fez um show redondo, com pouco papo e muito som. A voz suave do Cyro, juntos com os acordes pesados da banda, mostram um encaixe perfeito. O que faz da banda uma das mais respeitadas do atual cenário underground brasileiro, afinal, nem deu tempo de respirar do show arrasa-quarteirão no Palco Supernova do último Rock in Rio e eles estão confirmados para o próximo Lollapalooza. E com isso, o “Subúrbio venceu”, como Cyro vem dizendo. O próximo show será em Jundiaí/SP (10/11) no Hammer Festival.INFORMAÇÕES AQUI!  

 

PENSE: Hardcore de dentro pra fora...

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PENSE_no_VivoRio_19_10_19_Foto_EduBarrosAntes de falar do show, é importante destacar que essa era uma das apresentações mais aguardadas dessa noite. Com 12 anos de estrada e três álbuns na bagagem, a banda mineira pode se orgulhar de ter feito uma das melhores apresentações do Festival. É impossível falar do Pense sem deixar de destacar as mensagens fortes que constam nas canções no quinteto de Belo Horizonte. A mistura de velocidade, peso e melodia, o resultado é uma proposta no mínimo interessante. O que dá para garantir é que é difícil ficar parado em seus shows. Ah, lembra do pedido de casamento que foi citado no PENSE_no_VivoRio_19_10_19_Foto_EduBarrosinício desse relato? Pois bem, foi na reta final do show do Pense. O que mostra que os mineiros têm inspirado até histórias de amor. Recentemente a banda conversou com a Rock Press na coluna 1,2,3,4... LEIA AQUI! 

 

FAR FROM ALASKA: Qualidade e intensidade...

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FAR_FROM_ALASKA_no_VivoRio  19_10_19_Foto_EduBarrosGrandes riffs e músicas bem estruturadas. Assim pode ser definido o som desta banda potiguar que ganhou o mundo. Foi um show impecável, padrão FFA de qualidade. Como não impressionar com a simpatia que Emily Barreto (vocal), Cris Botarelli (baixo), Raphael Miranda (bateria) e Rafael Brasil (guitarra) apresentam no palco. O show no Festival Polifonia contou ainda com a participação de Jean Dolabella, do Ego Kill Talent, na bateria. O setlist, contou com músicas dos álbuns “Modehuman” (2014) e “Unikely” (2017), como “Thievery”, “Politiks”, “Dino vs Dino” e “Cobra”, o que garantiu um show perfeito para fechar bem a primeira edição do Polifonia. Em fevereiro, Emily vai emprestar sua voz ao novo disco do Sepultura, outras novidades AQUI! 

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Balanço do Festival...

O público compareceu consideravelmente e se empolgando a cada banda que se apresentava, e olhe que nesse final de semana vários eventos aconteciam na Baixada Fluminense, Grande Rio e na capital carioca (Nervosa em Bangu, o Carioca Prog Festival e o Oktoberfest na vizinha Marina da Glória, foram alguns deles), o que mostrou que o Polifonia veio para ficar, provando que o rock ganhou mais uma vez em executou bem sua missão: conectar as pessoas através da boa música.

Torcemos que o festival se torne uma tradição em revelar e integrar talentos veteranos da cena rock nacional e temos certeza de que as multiplicidades de vozes ganharam um patamar mais elevado não apenas ao Rio de Janeiro, mas será um grande porto de resistência a todo o retrocesso que o Brasil vive. Nem tudo está perdido e a luta segue! – Adriano Dias

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