FESTIVAL GAROTAS À FRENTE: Ativismo LGBT, protesto e a pergunta que não vai nos calar: Quem matou Marielle Franco?

Fortalecendo o engajamento político e punk do movimento Riot Grrrl, ocorreu no dia Pussy_Riot_©Carlos_Delagusta_Festival_Garotas_a_Frente_Brasil20 de abril, o Festival Garotas À Frente, no Fabrique Club em São Paulo. O evento traduziu a ideia de que mulheres jovens podem produzir sua própria arte. Exposições de diferentes locais do Brasil expressam os diversos anseios femininos que se utilizaram do festival para deixarem seu protesto. Além das expos, shows com as bandas, Bloody Mary Una Chica Band, Sapataria, e as russas do Pussy Riot, que na noite anterior haviam participado do Festival Abril Pro Rock em Recife!


FESTIVAL GAROTAS À FRENTE: Ativismo LGBT, protesto e a pergunta que não vai nos calar: “Quem matou Marielle Franco?”
EXPO + POESIA + LITERATURA + BLOODY MARY UNA CHICA BAND + SAPATARIA + PUSSY RIOT

Fabrique Club – São Paulo/SP 20/4/2028
TEXTO: Larissa Oliveira – FOTOS: Carlos Delagusta.

Um giro pelo evento...
Exposição_Garotas_a_Frente_©Carlos_DelagustaUm festival onde a ativismo e o engajamento político e se faz presente o que não pode faltar é material de militância. E uma grande variedade de publicações estava disponível aos presentes. Algumas são verdadeiras referências da causa feminina, como o material das Guerrilla Girls, grupo anônimo e ativo desde os anos 80 que luta contra várias pautas sociais através da arte, além de ilustrações sobre o ativismo jovem inspiradas pelo lema “girl power”. Também havia colagens de vários artistas, incluindo as que fiz para a quinta edição meu zine o “I Wanna Be Yr Grrrl”.

Aqueles que chegassem mais cedo no local poderiam participar de uma oficinaExposição_Garotas_a_Frente_©Carlos_Delagusta de estêncil e lambe do Girls Rock Camp Brasil. Para quem estivesse interessado em saber mais sobre o movimento Riot Grrrl, a Powerline Music & Books, estava lançando a versão em português do livro que deu nome ao festival, “Garotas à Frente”, de autoria de Sara Marcus. Além desse, outras publicações similares eram lançadas no evento, entre os quais: "Tranny", a autobiografia da vocalista trans do Against Me!, “Laura Jane Grace - "Nossa Banda Podia Ser Sua Vida", por Michael Azzerad, e “Pussy Riot: um guia punk para o ativismo político”, da Ubu Editora.

Coletivos de varias partes do Brasil, trabalharam exposições e manifestos fazendo uso de diversas manifestações artísticas amplificando em forma de arte o poder feminino em um só espaço e logo, seria nos palcos que elas se transformariam em gritos de protesto pelas bandas femininas que tocariam à noite.

Bloody Mary Una Chica Band...
Bloody_Mary_Una_Chica_Band_©Carlos_DelagustaMonobanda de Marianne Crestani abre as performances musicais de forma visceral, derramando um cálice de sangue sobre seu corpo em um brinde a todos ali presentes que podiam avistar na frente do palco, uma cartolina laranja com o seguinte grifo feito por Nadya Tolokonnikova do Pussy Riot, atração principal da noite: “Quem matou Marielle Franco?”. Quanto mais sangue feminino precisa ser derramado para que a sociedade acorde para a realidade do feminicídio e dos preconceitos diários contra a mulher?

 

Sapataria...
A mesma mensagem é passada adiante com a emblemática apresentação da banda Sapataria_©Carlos_Delagustapaulistana de “dyke core”, Sapataria. Formada por Marina Garcia (guitarra), Isa Miranda (bateria), Zu Medeiros (vocal) e Dan Cox (baixo), a banda abordou a questão da lesbiandade, relatando casos de homofobia na família e no cotidiano. Os pontos altos da performance foram quando a guitarrista Marina Garcia e a vocalista Zu Medeiros rasgaram um livro dado de presente por uma tia que se referia à sua orientação como doença. O público respondia com gritos aclamados quando a banda iniciou uma de suas músicas com um vídeo em que o atual presidente do Brasil faz um discurso homofóbico. Além disso, as riot grrrls da Sapataria reverenciaram uma das precursoras do mesmo movimento no Brasil, a banda Bulimia, ao fazerem o cover de “Punk Rock não é só para o seu namorado”.

Falando em bandas precursoras, quem marcou presença no evento foi a baixista/vocalista da legendária banda post-punk As Mercenárias, Sandra Coutinho. Tive a oportunidade de presenteá-la com edições da minha zine, além de convidá-la para tocar na minha terra, Sergipe. Antes da atração principal do evento, a poeta Ingrid Martins do coletivo Slam das Minas de São Paulo declamou algumas poesias sobre vivência, preconceito racial e orientação sexual. O Slam das Minas milita, pela representatividade de meninas, de transexuais e travestis e a participação de Ingrid Martins, foi mais uma atitude de empoderamento do evento.

Pussy Riot...
Pussy_Riot_Nadya_Tolokonnikova_©Carlos_Delagusta_Festival_Garotas_a_Frente_BrasilPor fim, quem subiu aos palcos para encerrar o festival foi a banda russa Pussy Riot. Apenas dois integrantes estavam presentes, Nadya (vocais e projeções) e Nikita Chaika (DJ e guitarra) apesar disso, a performance abrangia tudo aquilo que se desejava transmitir através da realização do Festival: mensagens de empoderamento feminino e LGBT que resistem ao avanço da extrema direita e seus ideais preconceituosos. #ELENÃO; #FORAPUTIN Pussy_Riot_Nadya_Tolokonnikova_©Carlos_Delagusta_Festival_Garotas_a_Frente_Brasil(este último puxado por mim, assumo), e até #LULALIVRE era dito por Nadya que também exibia a faixa “#FORABOLSONARO” e que contava com presenças de dançarinas travestis e trans no palco, enaltecendo a representatividade LGBT. Apesar da expectativa de um show com repertório da fase inicial e punk, o ativismo do Pussy Riot ainda é fortemente punk uma vez que suas letras trazem duras críticas a formas de governo opressoras e corruptas como em Bad Apples e Chaika. Não pode faltar a oração punk para tirar Putin do poder que foi a faixa que levou membros do grupo à prisão em 2012. Os que estavam à frente do palco se acabavam no mosh pits, cantavam junto à faixa “Straight Outta Vagina” e recebiam abraços de Nadya.
 
O espírito Riot Grrrl se fez realmente vivo no evento e saímos na expectativa por mais momentos como esses doPussy_Riot_©Carlos_Delagusta_Festival_Garotas_a_Frente_Brasil promovido pelo Festival Garotas à Frente, em que a força coletiva feminina uniu pessoas que acreditam no poder de sua arte e que anseiam por mais espaços. A arte é a forma que encontramos para ter alguma voz na sociedade e não vão nos silenciar. Ainda falaremos muito por você, Marielle! - Larissa Oliveira*.



*Larissa Oliveira é professora de inglês, fanzineira e atuante no movimento Riot Grrrl em Aracaju/SE. Você pode adquiri o Fanzine “I Wanna Be Yr Grrrl” escrevendo para: larissa_violet1@hotmail.com  

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