DREAM THEATER: Outro patamar!

O Dream Theater retorna ao Brasil com a turnê “The Distance Over Time Tour – Celebrating 20 Years of Scenes From A DREAM_THEATER_RIO_2019_FOTO_JONILDO_DACYONYMemory” que passou por Brasília, Rio de Janeiro, e no Dream Festival em São Paulo, Curitiba e Porto Alegre. Na capital carioca, o show foi no Vivo Rio e agradou em cheio aos presentes. Rock Press esteve lá e conferiu tudo!

DREAM THEATER: Outro patamar!

Vivo Rio – Rio de Janeiro - 6 de Dezembro 2019
TEXTO e FOTOS: Jonildo Dacyony

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Faz 22 anos que o Dream Theater se apresentou no Brasil pela primeira vez, o que torna inevitável uma analogia ao título de seu último álbum: Distance Over Time. Décimo quarto trabalho de estúdio dos virtuosos músicos de New York. O disco agradou bastante público e crítica e traz um som mais direto, se comparado ao álbum anterior, The Astonishing (2016), que era uma verdadeira odisseia sinfônica e progressiva e com extensa duração, característica comum à maioria dos full lenghts do grupo, que desta vez foi deixada de lado pela primeira vez desde Images and Words (1992), levando em consideração que tanto este quanto When Dream and Day Unite (1989), debut da banda,DREAM_THEATER_RIO_2019_FOTO_JONILDO_DACYONY tinham menos de uma hora de duração.

Com um dos álbuns de menor duração na carreira e com algumas motivações especiais para esta turnê, como a aceitação cada vez maior de Mike Mangini pelos fãs e sua contribuição em algumas das novas composições, além do aniversário de duas décadas da entrada de Jordan Rudess na banda, o maior presente trazido pelos caras para os fãs foi, sem dúvida, a celebração dos vinte anos de lançamento daquele que, para muitos, é sua obra-prima: Metropolis II: Scenes from a Memory, álbum que, gostem ou não os detratores de plantão, elevou o DT ao patamar de um dos maiores nomes do progressivo, do metal e por que não dizer, do rock n' roll em geral (esse é o momento em que tento justificar o título da resenha, que utiliza a expressão que virou modinha por conta do sucesso do Flamengo, como se a banda precisasse disso). O fato é que, desde que a tour foi anunciada com esse formato, gerou ansiedade nos fãs, que não viam a hora de ver (ou rever) a execução desse clássico na íntegra. 
 
Existe um meme nas redes sociais que dizia mais ou menos assim: "Cheguei atrasado uma hora e meia ao show do Dream Theater... só perdi a introdução!" Gracinhas à parte, a postura profissional da banda, faz com que o show tenha início pontualmente, ou no máximo, com poucos minutos de atraso, isso não é nenhuma novidade, foi assim desde o longínquo ano de 1997, quando deram as caras aqui pela primeira vez e provavelmente é dessa forma ao redor do mundo. Faltando pouco mais de meia hora para o espetáculo, o público lotava a entrada do Vivo Rio. Como sempre, camisetas, fazendo referência a diversos álbuns, conversas, desde as mais aprofundadas sobre a musicalidade da banda até os papos mais engraçados, contando alguma curiosidade sobre turnês anteriores. Tudo isso com trilha sonora ao fundo, na barraquinha do vendedor de cervejas, algo que já virou tradição no RJ.

Público a postos, inicia-se a exibição de uma série de animações geradas por computação gráfica ao som de “Atlas”, composição instrumental de Nick Phoenix & Thomas J. Bergensen, remetendo à temática futurista utilizada na arte e em algumas letras de Distance Over Time, alguns minutos e lá estão eles com “Untethered Angel”, canção que abre o álbum. Em seguida, “A Nightmare to Remember”, do disco Black Clouds and Silver Linings (2009), com seus mais de dezesseis minutos de duração, o que nos lembra que, apesar de optarem por músicas mais curtas no último trabalho, os caras não ignoram as longas. Só então saudaram o público e LaBrie falou sobre o momento da banda, a turnê do novo disco e a satisfação de retornar ao Brasil.

Seguiram com “Fall Into the Light” e “Barstool Warrior”, do novo trabalho, ambas exibindo as mesmas imagens nos vídeos já conhecidos na internet, e na sequência executaram “In the Presence of the Enemies”, do álbum Chaos in Motion (2007), para depois finalizarem o primeiro ato com uma das melhores de Distance e uma das melhores da noite: “Pale Blue Dot”, que a exemplo das outras novas canções também teve projetadas ao fundo belíssimas imagens.

Com um intervalo que, apesar de breve, parecia ser interminável mesmo aos mais "cascudos", o segundo ato tem início, obviamente com “Regression”, cuja locução nem necessitava ser ouvida na voz de James, porque o público, no melhor estilo “The Number of the Beast”, fez questão de dizer cada palavra a plenos pulmões, para em seguida "cantarem", nota por nota de “Overture 1928” e quase não deixarem que a voz do cantor fosse ouvida em “Strange Déjà Vu”.

Como ninguém esperava nada diferente, estavam todas lá: “Through My Words” e “Fatal Tragedy”, com suas belíssimas melodias dramáticas; “Beyond This Life”, que une a simples, porém icônica introdução de John Petrucci a um dos refrões mais cantados da carreira da banda, além de uma das linhas de baixo mais lembradas de “Mr. Myung; Through Her Eyes”, com seu acento gospel; “Home”, que revisita o tema original “(The Miracle and the Sleeper); The Dance of Eternity”, mostrando a genialidade instrumental do grupo, especialmente de “Rudess; One Last Time”, uma das mais esperadas da noite, por sua beleza melódica e popularidade entre os fãs; “The Spirit Carries On”, outra com acento gospel, que anuncia o gran finale da obra e “Finally Free”, que é o desfecho propriamente dito, além sua versão original ser de uma impecabilidade ímpar (talvez por isso, houve quem reclamasse das "bossas" que Mangini inventou ao final da canção. Não se brinca com a memória afetiva dos fãs). É importante ressaltar que desta vez, diferente da turnê original de Scenes from a Memory, onde eram mescladas encenações com atores ao vivo, gravações em estúdio, também com atores e animações, desta vez as cenas foram representadas no melhor estilo HQ, algo que ficou genial.
 
Ao final da execução na íntegra de “Metropolis II”, o público estava extasiado. Nem seria necessário mencionar que foi possível observar algumas lágrimas nos rostos dos presentes. Porém, ainda houve o bis com “At Wit's End”, para corroborar o título utilizado neste texto. Sim, porque poucas são as bandas, que mesmo consagradas podem se dar ao luxo de encerrar uma apresentação com uma música ainda desconhecida de parte do público e mais, não tocar nenhuma canção dos quatro primeiros álbuns, deixando grande parte dos clássicos de fora, além de preterirem outros importantes trabalhos da carreira. Eis aqui um outro patamar! - Jonildo Dacyony.

Posted by Michael Meneses Monday, December 16, 2019 1:39:00 PM Categories: Dream Festival Dream Theater Hard Rock Heavy Metal Prog Prog Metal Rock Rock Progressivo Vivo Rio
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