DONA CISLENE, RATOS DE PORÃO & RAIMUNDOS – Encontro de gerações no Circo Voador/RJ!

Diferentes gerações, porém, crias de uma mesma raiz, o punk rock, unidas em prol da Raimundos_Circo_Voador_13_4_2019_FOTO_Carolina_Moura_CRÉDITO_OBRIGATÓRIOdiversão e para vivenciar as apresentações da Dona Cislene que segue construindo sua história no Circo Voador/RJ, e os shows arrasadores do Ratos de Porão iniciando a Tour de 30 anos do disco Brasil e Raimundos comemorando os 25 anos do homônimo primeiro álbum. Sem dúvida, mais uma noite épica na Lona da Lapa!

DONA CISLENE, RATOS DE PORÃO & RAIMUNDOS – Encontro de gerações no Circo Voador/RJ!
13 de Abril de 2019 – Rio de Janeiro/RJ
TEXTO: Michael Meneses – FOTOS: Carolina Moura

DJ_Wagner_Fester_no_Circo_Voador_13_4_2019_FOTO_Carolina_Moura_CRÉDITO_OBRIGATÓRIO_n1.jpgDe adolescentes a punks cinquentões, o público se misturava em harmonia no Circo Voador. Mas, não era só punk, eram heavys, indies, Straight Edge, enfim, era o rock carioca unido em prol da diversão e mostrando que a #acenavive (REALMENTE), basta querer! Enquanto o povo ia chegando e interagindo nos stands dos merchans ou se aquecendo com DJ Wagner Fester que comandava o som mecânico com categoria. Contudo, não demorou muito e a Dona Cislene iniciou os trabalhos e por ela começamos...

DONA CISLENE – Novatos construindo uma história...

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Dona_Cislene_Circo_Voador_13_4_2019_FOTO_Carolina_Moura_CRÉDITO_OBRIGATÓRIOEra exatamente 22:22, e nessa hora cabalística a Dona Cislene iniciava sua história no Circo Voador, ainda diante de um pequeno público, porém fiel e com entusiasmo. Formada por, Bruno Alpino (Vocal e Guitarra), Gui de Bem (Guitarra), Pedro Piauí (Baixo) e Paulo Sampaio (Bateria), a banda vem de Brasília e é apadrinhada pelo Digão do Raimundos, viu o público crescendo com o decorrer do set. Junto com o plateia, também aumentava a pegada dos músicos no palco, especialmente por parte do baterista Paulo Sampaio, que massacrava sem pena. Dona_Cislene_Circo_Voador_13_4_2019_FOTO_Carolina_Moura_CRÉDITO_OBRIGATÓRIOO Dona Cislene, tem influências do hard-core melódico, o que a tornou um tanto diferente das outras bandas da noite, mas que agradou em cheio aos mais jovens e adeptos do estilo, sobretudo em músicas como a “Ilha” (som que na versão em estúdio conta com a participação do Digão),“Multipersona” e “Má Influencia”. Certamente, ainda vamos ouvir falar muito deles e destacamos: a Dona Cislene é uma típica banda para estourar no rádio e nos stremigns rocks da vida!
 

RATOS DE PORÃO – Tão atuais como o Brasil de 1989 e de sempre!...

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No fim dos anos 1980, o romantismo no underground era lindo, o “faça você mesmo” beirava a poesia, víamos boa expectativa cultural e o som pesado nacional conquistava o mundo. Porém, apesar Ratos_de_Porão_Circo_Voador_13_4_2019_FOTO_Carolina_Moura_CRÉDITO_OBRIGATÓRIOdessas e outras esperanças, a vivíamos outras realidades no país. Fome, corrupção, violência, inflação,e na primeira eleição pós-ditadura, uma desgraça foi eleita. A lista de bagaceiras era enorme. Foi nesse mundo de “caos” e nessa vida de “caos” que veio à inspiração para o Ratos de Porão gravar aquele que é visto como o mais prefeito disco da banda. Se no ano de 1981 o R.D.P. foi visionário com “Crucificados pelo Sistema”, primeiro disco de hard core Ratos_de_Porão_Circo_Voador_13_4_2019_FOTO_Carolina_Moura_CRÉDITO_OBRIGATÓRIOda América Latina, em 1989, em perfeita evolução ao crossover, eles lançaram um trabalho atemporal, e desde então um retrato fiel da nação, não à toa o álbum se chama “Brasil”!

O show teve início com uma introdução de sons que nos transporta à virada da década de 1980/90, e foi o ponto de partida Ratos_de_Porão_Circo_Voador_13_4_2019_FOTO_Carolina_Moura_CRÉDITO_OBRIGATÓRIOpara "Amazônia Nunca Mais" e que fez o set seguir a ordem do disco. Veio um dos sons mais atuais desses tempos, "Retrocesso", olhe os dias de hoje e reconheça a prova que eles não estavam errados. "Aids, Pop, Repressão", 30 anos depois, as pesquisas avançaram, mas ainda não temos a cura da Aids, o POP nacional piorou, e a repressão idem. Para quem mora nas favelas a "Lei Do Silêncio" ainda impera. Nesses 30 anos tivemos bons momentos de evolução econômica, mas quem não viveu uma inflação com mais de 50, 60, 70, 80% não sabe o que é uma crise de verdade, e o que muitos viram e pensam viver é uma crise política, que faz ecoar o grito de “S.O.S. País Falido". Se vivo, o radialista Gil Gomes teria muitos homicídios e latrocínios, logo a curta “Gil Goma" ainda se faz atual. Em seguida veio o hino, "Beber Até Morrer", clássico eternamente presente nos shows da banda e no cancioneiro popular do rock. Lembra que ainda pouco falei de verdadeira crise financeira, então tome, "Plano Furado II", e se hoje o crack dá vida a zumbis, naqueles tempos era a “Heroína Suicida". As “Crianças Sem Futuro" ainda estão por aí, e se a "Farsa Nacionalista" fazia sentido em 1989, hoje então?! Dedicada ao Dado Dollabela, veio "Traidor”. Na sequência, "Porcos Sanguinários" e basta lembrar dos 80 Tiros que veremos o quanto a música se faz atual. Parte da juventude vive uma “Vida Animal", nesse momento um fã desajeitado sobe no palco e derruba parte da bateria, e apesar dos pesares, foi a deixa prefeita para a zoeira de "O Fim". Voltando as atualidades do referido álbum, “Máquina Militar". ValeRatos_de_Porão_Circo_Voador_13_4_2019_FOTO_Carolina_Moura_CRÉDITO_OBRIGATÓRIO lembrar que entra ano e passa ano e “a maioria é pobre e se fode pra viver” na “Terra Do Carnaval". Finalizando, outro som atual, "Herança"!

Passada o set em homenagem ao disco “Brasil” a banda volta ao bis, e o Gordo se lembra que exatamente naquele dia, o disco “Just Ratos_de_Porão_Circo_Voador_13_4_2019_FOTO_Carolina_Moura_CRÉDITO_OBRIGATÓRIOanother crime in massacreland” completava 25 anos, segundo o próprio João Gordo, o mais comercial da banda. O álbum saiu pela Roadrunner Rec./Brasil e foi quase que todo cantado em inglês, sua única música em português foi "Suposicollor", que cairiam muito bem ao contexto do show. Desse álbum, tocaram “Bad Trip”, "Diet Paranoia" e “Quando ci Vuole ci Vuole”, esta em italiano. O bis ainda rendeu espaço para a sempre empolgante “Morrer”, “FMI”, o hino eterno “Crucificados Pelo Sistema” e finalizando “Obrigado a Obedecer”.

Ao final, dada a reação do público e com a banda totalmente em forma, a certeza:
1 - “O Circo Voador é o Maracanã do Ratos de Porão, sua eterna casa, onde sempre são e serão bem acolhidos!”Ratos_de_Porão_Circo_Voador_13_4_2019_FOTO_Carolina_Moura_CRÉDITO_OBRIGATÓRIO
Também, nos faz perguntar:
2 - “Por Que o Ratos de Porão nunca tocaram no Rock in Rio?!” Tá mais que na hora da banda somar ao Festival e a Rock Press reconhece tal merecimento!

 



“É Por isso que os RAIMUNDOS nunca vai se acabar!”...

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Em meio a polêmicas nas redes sociais, ficava a pergunta: “Como seria a reação público carioca em relação ao show?!” Mas o que viu foi Raimundos_Circo_Voador_13_4_2019_FOTO_Carolina_Moura_CRÉDITO_OBRIGATÓRIOuma total sintonia e questionamentos ideológicos esquecidos, até porque logo aos primeiros gritos de protestos por parte do plateia, Digão  mandou: “Nenhum político presta”. E o que restou, foi pura diversão!

A apresentação deu continuidade a tour de 25 anos do lançamento do primeiro álbum e nada mais justo que um show acontecesse no Circo Voador, afinal foi em um Festival Superdemo que eles despontam para história. A primeira parte do set focou em tocar o referido disco na íntegra, contando com Fred naRaimundos_Circo_Voador_13_4_2019_FOTO_Carolina_Moura_CRÉDITO_OBRIGATÓRIO bateria, contudo a partir de “Selim” a banda contou também com Caio Cunha na bateria, e se até aquele momento o a adição forró + hard core era prefeita, com dois bateristas em completa harmonia, a soma ganhou mais peso.

O público...
Raimundos_Circo_Voador_13_4_2019_FOTO_Carolina_Moura_CRÉDITO_OBRIGATÓRIOA plateia era pura diversão, e coube ao Digão fazer justiça ao anunciar “Tora-Tora” reconhecendo que o clássico do “Lavô Tá Novo”  fez muito mais sucesso no Rio de Janeiro, o que explicava a empolgação da galera durante esse som. Em meio à festa, existiam uns chatos de plantão que insistam em subir no palco sem propósito, valendo exclusivamente para bagunçar o show. Se nos anos 1980 e 1990 as pessoas subiam ao palco para interagir, hoje elas sobem para fazer selfies, e como se não bastassem atrapalham o esquema de produção. Porém, nem tudo foi de se perder nesses momentos, interações boas rolaram. Destaques para a atuação da Gabi do Fã-Clube do L7-Brasil (FOTO) que subiu para cantar “A Mais Pedida”, outro que mandou bem,Raimundos_Circo_Voador_13_4_2019_FOTO_Carolina_Moura_CRÉDITO_OBRIGATÓRIO foi um parça com a camisa do Dead Kennedy que ao notar algum chato de galocha no palco, se encarregava de tirá-lo de lá. Porém, ninguém superou o autor do melhor mosh da noite, tanto que o próprio Digão pediu bis do Mosh e as fotos no seu inbox. E inspirou o Canisso a um mosh ao final do show (foto ao final da matéria), mas longe da perfeição do referido mosh. Seja como for, segue o click da nossa Carolina Moura aqui ao lado, Digão. É Noise!

O repertório...
Raimundos_Circo_Voador_13_4_2019_FOTO_Carolina_Moura_CRÉDITO_OBRIGATÓRIOO Raimundos, além de tocar o primeiro álbum por inteiro, deu um geralzão nos clássicos da banda, deixando pouca coisa de fora, entre as ausências sentidas apenas, “Herboninética”, e “20 e poucos anos” o popular cover do Fábio Jr. Salve, esse talvez tenha sido o melhor show da banda no Circo Voador desde a década de 1990 e se a banda continuar com esse pique, apostamos no Raimundos como nome nacional do próximo Rock in Rio!

“Marielle Franco Presente”...Raimundos_Circo_Voador_13_4_2019_FOTO_Carolina_Moura_CRÉDITO_OBRIGATÓRIO
Finalizamos, registrando que uma faixa em homenagem a Marielle Franco esteve estendida na arquibancada mais democrático do Brasil, o que é muito justo, logo nosso parabéns aos envolvidos. Lembramos também que muitos shows do rock nacional que ocorreram ao longo dos anos no Circo Voador, estão no consciente coletivo cultural e certamente essa noite foi um desses, podem apostar, pois foi histórico! – Michael Meneses!

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