"Daydreaming" - Soundheads Festival/RJ - 20/4/2018

É noite de sexta, e sextou com o Soundheats Festival, que trouxe novamente ao Rio de Janeiro, uma das bandas mais Radiohead Soundheats RJ 2018 Foto NEM QUEIROZaclamadas das últimas décadas, o Radiohead. Também tocaram no evento o Junun e Flying Lotus. Em São Paulo o festival ainda contou com a banda Aldo The Band.

"Daydreaming" - Radiohead + Junun + Flying Lotus
Soundheads Festival - Jeunesse Arena - Rio de Janeiro/RJ - 20/4/2018
TEXTO: Alexandre Beckão - FOTOS: Nem Queiroz

O Soundhearts Festival chegou com a proposta de ser uma viagem sonora, e isso ninguém pode contestar. O festival que acontece pela primeira vez na América do Sul, tem a intenção de conduzir o público através de uma experiência sensorial, obviamente guiada pela música. As três atrações da noite não poderiam melhor espelhar essa ideia. Sem similaridades entre si, além do fato de todas se basearem na mistura de influências e de estilos para a criação de seus respectivos trabalhos. E seria realmente uma viagem, se não houvesse tanta demora no intervalo de cada atração. Essas longas e tediosas pausas poderiam ter sido amenizadas com a presença de Djs, que manteriam o proposto clima de “viagem sonora”, já que essas pausas eram inevitáveis para a movimentação da grande quantidade de equipamento de som e luz de cada atração. Devido a isso, e obviamente na minha muy humilde (e construtiva!) opinião/crítica, foi o único ponto fraco do evento em si. O som e a luz estavam harmônicos com o que era apresentado por cada atração. E falando nas atrações vamos a elas, afinal o assunto aqui é esse, não é!?

Junun: Poesias e ritmos da tradição do Sufismo, particularmente da linha devocionista Qawwali e do folclore do Rajastão, no norte da Índia. Junun Soundheats Rio de Janeiro 2018 FOTO NEM QUEIROZLetras cantadas em hebraico, hindi e urdu. Uma tapeçaria sonora composta por um Israelense, um inglês e um grupo de indianos. Não te empolgou? Mas devia... Saiba de antemão, que sou suspeito por meu entusiasmo, já que a muito tempo admiro e aprecio a música que vem do oriente. O show do Junun foi sem dúvida, uma grande e feliz surpresa. Desprovidos de todo o aparato tecnológico e dos caprichos cenográficos das altas produções, só restou a eles apresentar o seu som puro, de louvor e hipnótico na cara dos poucos sortudos que já curtiam o festival. A exuberante musicalidade e talento dos participantes ficam claros do início ao fim do seu curto show. A apresentação seguiu de forma descontraída, assim como a interação com o público. Público esse que participou, no início tímido, mas depois de três músicas já estava em sintonia com o grupo. Shye Ben Tzur canta e toca muito bem, e funciona como canal para a interação com a plateia. A colaboração do Rajasthan Express é uma base sonora bem crua, e ao mesmo tempo, delicada e bela. As sobreposições de ritmo, cordas, vocais e sopros são envolventes e muito contagiantes. E claro, tem Jonny Greenwood que de forma sutil, quase despercebida, expõe seu toque especial tocando vários instrumentos, e dando um brilho ainda maior ao som do grupo. Numa escala de 0 a 10, eles leva facilmente 8, e só não é maior por conta do set curto. Parabéns, e obrigado Junun voltem quando quiser!

Flying Lotus: Sou um apreciador voraz de música eletrônica, desde os anos 1980. Tive oportunidade, interesse e privilégio de Flying Lotus Soundheats Festival  RJ 2018 Foto NEM QUEIROZacompanhar a praticamente a todo o florescimento do Gênero. Ouvi e vi o surgimento das diversas cenas e estilos dos últimos 30 anos. Nesta noite, tive o prazer de assistir ao que há de mais recente nessa escala evolutiva, e gostei! O Flying Lotus (ou Flylo) fez um tradicional dj-set curto, cerca de 40 minutos. Praticamente o mesmo tempo para produzir o palco, lembram das pausas? Pois é! Mas com o som rolando, fluiu muito bem. Uma mistura de Rap, Big Beat, Dubstep, Drum'n'Bass, Trap e as demais variantes do Breakbeat atual. Os graves e breaks explodiram nos alto-falantes e o público, que já tinha aumentado razoavelmente, curtia e se animava. Como todo DJ de arena, Flylo teve a tarefa de além de controlar os decks, também interagir com a plateia. Com a ajuda de um telão especial onde eram projetadas diversas animações e efeitos de luz. Ele tocou composições suas e remixes de artistas conhecidos, como Kendrick Lamar, Angelo Badalamenti, e outros. A plateia respondeu de forma bem positiva durante a toda a apresentação. Seu único pecado foi também fazer um show muito curto.

Radiohead: Depois de uma espera de quase uma hora, as luzes se apagam e começa o tão esperado show da noite e com isso, após nove anos o Rio volta ter uma Radiohead Soundheats 2018 FOTO NEM QUEIROZapresentação do Radiohead, e que apresentação… O show tem início com “Daydreaming” do 2º single de A Moon Shaped Pool, palco na penumbra e o coro da plateia, depois de alguns minutos acompanhando o crescendo da voz e da melodia, o palco explode em milhares de feixes de luz branca por toda a arena. A sensação do som e daquela luz foi tão sensacional que o público explodiu em aplausos. De todos os cenários de iluminação que seriam apresentados ao longo do show, este sem dúvida foi o mais simples e belo cenário de todos. Na sequência, outra faixa do novo álbum, “Ful Stop” também é bem recebida. Em seguida é a vez de “15 Step” do disco In Rainbows, e pela primeira vez sentimos a força das duas baterias no palco Selway e Deamer demontram um grande entrosamento. “Myxomatosis” faixa de Hail To The Thief vem com bastante peso nos graves. É seguida de “Lucky” faixa de abertura de OK Computer, e todo o seu sotaque de Dark Side Of The Moon. “Nude” outra faixa de In Rainbows entra na sequência e mantém o clima pastoril espacial.


Aos primeiros acordes de “Pyramid Song” o público entra em transe seguindo Yorke ao piano, e o sempre ótimo Jonny Greenwood nas cordas e no Ondes Martenot.Radiohead Soundheats RJ 2018 FOTO NEM QUEIROZ “Everything In It's Right Place” entra na sequência, e é a primeira faixa de Kid A. Outra do OK Computer, “Let Down” é executada com precisão, destaque especial para o excelente trabalho de guitarra e backing vocal de Ed O'Brien. “Bloom” é a primeira de The King Of Limbs, mostra mais uma vez a segurança da dupla Selway e Deamer. Mais um pouco de In Rainbows, “Reckoner” entra e podemos apreciar novamente o belo trabalho de vozes entre O'Brien e Yorke. Voltamos A Moon Shaped Pool, e a bola da vez é “Identikit” com destaque para o solo de Jonny. “I Might Be Wrong” é tocada com uma precisão incrível, e agora o destaque é a animação de Tom Yorke cantando e tocando pandeiro. Seguem com “No Surprises” do OK Computer que é cantada em coro por toda a arena, arrepiante. “Weird Fishes/Arpeggi” entra e mantêm o pique, outro momento para apreciar os backing vocals de O'Brien, e a animação do público. “Feral” entra, e é possível compreender individualmente o talento de cada um no palco. Para fechar a primeira parte do set, outra do In Rainbows, “Bodysnatchers” é o bom e velho rock alternativo inglês.

Radiohead Soundheats 2018 FOTO NEM QUEIROZNa volta para o Bis, com direito a muita festa da plateia, atacam com “Street Spirit (Fade Out)” do premiado The Bends. Infelizmente para os muitos fãs antigos do Radiohead, foi o som mais antigo que executaram na noite. Na sequência, “All I Need”, com direito ao coro do público. Seguem com a atmosférica “Desert Island Disk” de A Moon Shaped Pool e “Lotus Flower” do The King Of Thimbs. Na sequência, “The National Anthem”, do álbum Kid A, destaque para Colin Greenwood, que vale comentar não vacilou em momento algum. Com “Idioteque”, também de Kid A, eles encerraram de forma catártica o primeiro Bis. Tom Yorke retorna sozinho e com uma grande surpresa, tocou “True Love Waits” acompanhado apenas do violão e do público. A última vez que ele fez isso foi em 2003. “Present Tense” veio na sequência, e emocionando geral com os belos backing vocals de O'Brien. Já estava perto do fim, a ansiedade era grande, foi quando veio “Paranoid Android”, clássico absoluto do repertório da banda. A reação do público foi incrível e contagiante, cantando em coro durante todo som. Após um emocionado agradecimento ao público, encerram com outro clássico, “Karma Police”, cantada novamente em uníssono pelo público e assim eternizando esse belíssimo show, que não teve “High And Dry”, “Fake Plastic Trees” e muito menos “Creep”, mas deixou aquela famosa sensação de dever cumprido, e o desejo de que voltem logo. Obrigado Radiohead por uma noite maravilhosamente inesquecível!!! - Por Alexandre Beckão

Setlist Radiohead:
01. Daydreaming
02. Ful Stop
03. 15 Step
04. Myxomatosis
05. Lucky
06. Nude
07. Pyramid Song
08. Everything In It's Right Place
09. Let Down
10. Bloom
11. Reckoner
12. Identikit
13. I Might Be Wrong
14. No Surprises
15. Weird Fishes/Arpeggi
16. Feral
17. Bodysnatchers

Bis:
18. Street Spirit (Fade Out) (“Optimistic” estava no setlist neste ponto)
19. All I Need
20. Desert Island Disk
21. Lotus Flower
22. The National Anthem
23. Idioteque

2º Bis:
22. True Love Waits (Thom solo no violão; 1ª execução acústica desde 2003)
23. Present Tense
24. Paranoid Android
25. Karma Police

Nota: Durante a passagem de som a banda tocou: 'Bloom', 'Present Tense', 'I Might Be Wrong', 'Separator', 'Identikit', 'Feral', 'The Daily Mail', 'Optimistic', 'Kid A', 'Decks Dark', 'Desert Island Disk', 'House of Cards', 'Daydreaming'.

Postado por Michael Meneses segunda-feira, 23 de abril de 2018 18:10:00 Categories: Arena Jeunesse Big Beat Breakbeat DJ Drum'n'Bass Dubstep Flying Lotus Junun Radiohead RAP Trap
Portal Rock Press