CARLOS, ERASMO... – Erasmo Carlos

Após show na Fundição Progresso/RJ ao lado dos Novos Baianos, Erasmo Carlos chega a Minas Gerais para apresentações em Belo Horizonte no Cine Theatro Brasil Vallourec (10/5) e em Varginha no Theatro Capitólio (11/5), dando sequência à turnê do álbum “...amor é isso” (2018). A Rock Press aproveita a oportunidade para apresentar na coluna Discão, um dos mais importantes discos de sua carreira: “Carlos, Erasmo...”. Aliás, o estilo explorado em “Carlos, Erasmo...” é retomado em “...amor é isso”, e as reticências presentes nos títulos de ambos os unem fazendo com que se completem harmonicamente.

“CARLOS, ERASMO...” – Erasmo Carlos
TEXTO: Robert Moura - FOTOS: Divulgação.

ERASMO_CARLOS_album_Carlos_ErasmoConhecido e respeitado por muitos do ramo como o “Pai do Rock Brasileiro”, Erasmo Carlos é, sem dúvidas, um dos mais importantes nomes do gênero e da música brasileira. A longa e produtiva parceria com Roberto Carlos, que já teria alcançado a impressionante marca de 500 canções, é outro capítulo fundamental da nossa música. Após o início com os Snakes, uma breve passagem no Renato e Seus Blue Caps, Erasmo encontrou o sucesso mesmo em carreira solo. O programa Jovem Guarda, com quem dividia a apresentação com Wanderléa e Roberto Carlos, serviu como mola propulsora para dezenas de artistas que se influenciavam no rock e no pop americano dos anos 1950 e posteriormente nas bandas britânicas da década de 1960. Após o final do programa em 1968, Erasmo partiu em busca da descoberta de novos sons, tendo como uma forte influência a Tropicália de Caetano Veloso e Gilberto Gil, que por sua vez, haviam bebido na fonte da Jovem Guarda, adotando a guitarra elétrica, e muito da linguagem pop internacional traduzida por Erasmo e Roberto. Por outro lado, é bom registrar que “Maria e o Samba”, composição de Erasmo sob influência da bossa nova, foi sua primeira música cantada por Roberto Carlos, época em que este ainda se apresentava como crooner na Boate Plaza no Rio, no ano de 1959, quando ambos, talvez, ambicionassem o sucesso, mas não se atrevessem em sonhar chegar tão longe.

Lançado em 1971, “Carlos, Erasmo” abre com “De Noite Na Cama”, presenteada por Caetano Veloso no período em que ainda se encontrava exilado em Londres. A música com uma levada de samba-rock tem uma forte base percussiva com direito a berimbau, cuíca e agogô. A letra tem a temática do sexo que está bastante presente em “Carlos, Erasmo...” trazendo os ecos do movimento hippie e da liberdade sexual para a música popular brasileira. A valsa, “Masculino, Feminino” (Homero Moutinho Filho) é cantada em dueto com a cantora Marisa Fossa, num ousado diálogo entre dois amantes na cama, repetindo e variando sobre a temática da faixa anterior. Ela foi incluída na trilha sonora do filme “Roberto Carlos A 300 Km/H”, no qual Erasmo também atua ao lado do seu velho parceiro. “É Preciso Dar Um Jeito Meu Amigo” (Erasmo/Roberto Carlos) se volta para questões existenciais que eles abordariam em canções como “As Curvas da Estrada de Santos” e “120... 150... 200 Km por hora” gravadas por Roberto, mas colocando o dedo ainda mais na ferida: “mas estou envergonhado/com as coisas que eu vi/mas não vou ficar calado/no conforto acomodado/como tantos por aí”. “Dois Animais Na Selva Suja Da Rua”, do compositor Taiguara, é uma das maiores realizações daquilo que poderíamos chamar de rock brasileiro, trazendo elementos do rock americano e inglês, mas com melodia e sotaque brasileiríssimos. A levada é intensa com os arranjos de cordas dialogando muito bem com o vigor da banda, fornecendo uma base equilibrada sobre a qual Erasmo destila com a agressividade rouca de sua voz versos como: “Eu não nasci pra viver mentindo/Sorrir em troca e morrer fugindo”. O verso “Eu não quero mais conversa com quem não tem amor” de “Gente Aberta” (Erasmo/Roberto Carlos) soa bem atual diante dos discursos e atos de ódio e intolerância que vivenciamos hoje no país. “Agora Ninguém Chora Mais”, de Jorge Ben, é conduzida por uma guitarra embebida daquela cremosa distorção valvulada com um baixo e bateria galopantes, e uma dose de psicodelismo.

Na sequência, mais duas composições de Roberto e Erasmo: “Sodoma E Gomorra” que com certo tom moralista cai em contradição com as ideias mais libertárias de outrasERASMO_CARLOS_album_Carlos_Erasmo_Foto_da_contracapa músicas do disco: “O Mundo já pecava/Quando isso aconteceu/Séculos passaram/Ninguém se arrependeu”. Ela tem uma sonoridade mais acústica com violões à frente, e uma flauta de bambu traz um colorido diferente para a faixa que simula um estilo épico. E, “Mundo Deserto” que revela a porção soul de Erasmo, outra fonte da qual bebeu muito no período. A canção foi gravada por Elis Regina, em seu disco “Ela”. “Não Te Quero Santa” (Saulo Nunes, Sérgio Fayne e Vitor Martins) apresenta outra quebra de paradigma, abordando a questão da virgindade e da liberdade sexual feminina: “Não te quero submissa às promessas e às missas, e da feira até o leito, eu te quero e te aceito como és”. “Ciça, Cecília”, também dos “Carlos”, bota o pé no soul novamente com a forte presença dos metais e uma guitarrinha funk esperta, e é um dos melhores momentos do disco. Ela foi composta como tema da personagem de uma telenovela, e teve produção de Nelson Motta e arranjo de Arthur Verocai. O discurso “Flower Power” aparece “Em Busca Das Canções Perdidas Nº2”, de Fábio e Paulo Imperial, em versos como: “Lá, onde as cores têm som, lá onde as flores caminham, lá onde as dores não entram...” que são reforçados pelo coro. “26 Anos de Vida Normal”, de Marcos Valle e Paulo Sérgio Valle, tem arranjo do maestro tropicalista Rogério Duprat e lembra “Com Mais de 30”, outra composição da dupla, e questiona o automatismo do cotidiano. O álbum se encerra com “Maria Joana” de Erasmo e Roberto. A faixa que é uma ode à outra Maria Joana, a “marijuana”, tem participação da Caribe Steel Band e o arranjo também é assinado por Duprat. Ainda: A versão em CD traz a faixa bônus “A Semana Inteira”, lançada um ano antes em compacto com “Gente Aberta”.

“Carlos, Erasmo...” teve produção do também tropicalista Manoel Barenbein e Erasmo Carlos. O maestro Chiquinho de Moraes se encarregou da maior parte dos arranjos. As gravações contaram com músicos como o guitarrista Aristeu Reis (que tocou na banda de Roberto Carlos por cerca de quatro décadas) e Alexander “Lanny” Gordin (outro nome fundamental da guitarra no Brasil), os Mutantes, Sérgio Dias na guitarra, Dinho Leme na bateria e Liminha no baixo e guitarra, além de Régis Moreira (piano), Arnolpho Lima Filho (guitarra e baixo), Antônio Guize (baixo), Flávio Barros (bateria), Sérgio Fayne (violão), Dirceu Medeiros (berimbau), Oswaldo Barro (cuíca) e Antônio Filho (agogô). 

O disco condensa rock, soul e funk com a música brasileira sempre influenciou Erasmo desde menino, e que começaram a se tornar mais presentes em seu trabalho após o fim do Programa Jovem Guarda. A sonoridade do álbum é um prato cheio para os famintos pelos sons vintages com timbres maravilhosos de guitarra, baixo, bateria e metais. Tudo isso se une a arranjos ousados e muito bem executados pelos mais que competentes músicos participantes e à atitude rock de Erasmo. A relevância e longevidade de “Carlos, Erasmo...” fez com que a Polysom o relançasse, em 2013, numa caprichada edição limitada em vinil de 180 gramas com remasterização a partir dos tapes originais – Robert Moura*. 


SERVIÇOS - ERASMO CARLOS EM MINAS GERAIS
BELO HORIZONTE/MG
DATA:
10 de maio de 2019, às 21hs (Abertura dos portões: 20h20).
LOCAL: Cine Theatro Brasil Vallourec – Grande Teatro - Av. Amazonas, 315 – Centro – Belo Horizonte/MG
CLASSIFICAÇÃO: Livre. Menores de 12 anos podem entrar acompanhados dos pais e/ou responsáveis legais e apresentando identidade de ambos.
INGRESSOS:
Bilheterias do Cine Theatro Brasil Vallourec: 
(sem taxa de conveniência). Av. Amazonas, 315 – Centro – Belo Horizonte/MG - Segunda a sábado das 12h às 21h e Domingos das 15h às 20h. Apenas venda e retirada de ingressos para os eventos do Cine Vallourec
Vendas antecipadas (sujeito a cobrança de taxa de conveniência):
Loja Eventim - Shopping 5ª Avenida - R. Alagoas, 1314 - Loja 20C – Savassi – Belo Horizonte/MG. Seg. a sexta-feira das 10h às 19h e Sáb. das 10h às 16h
No Site: https://bit.ly/2WmzbYP

VARGINHA/MG
DATA:
11 de maio de 2019, às 21hs 
LOCAL: Theatro Capitólio - Rua Presidente Antônio Carlos, 522, Centro – Varginha/MG.
INGRESSOS:
Antecipados:
Rua Dona Zica, 46-A - Vila Pinto - Varginha/MG | Fone: (35) 3015-1211 | WhatsApp: (35) 9 99918-2222 |                  
No Site:http://www.prefesta.com.br/
INFOs: (35) 3015-1211 / WhatsApp: (35) 99918-2222. - Pré-Fest@
AÇÃO SOCIAL: O Theatro Capitónio convida o espectador a doar um livro, que deve ser entregue na entrada do Theatro, no(s) dia(s) do(s) show(s). Ao final do projeto, os livros serão catalogados e entregues a uma biblioteca pública do Sul de Minas.

*ROBERT MOURA - É natural de Belo Horizonte. Bacharel em Música (UEMG) e Mestrando em Artes (UEMG). Professor na Alaúde Escola de Música. Tocou guitarra em bandas de Rock na capital mineira. Atualmente seu trabalho está focado no violão clássico e trilhas para teatro.