Bon Jovi - "The Roller Coaster of Emotions"

Em Relação a apresentação do Bon Jovi nesta edição do Rock In Rio, devemos ter duas coisas em mente.Bon Jovi Rock in Rio 2017 FOTO Lu Valiati Agencia Ver Mais
Primeira: a comparação com o show na edição de 2013 do festival é inevitável; 
Segunda: aquela banda vigorosa dos anos oitenta jamais voltará.

Texto: Jonildo Dacyony
Fotos: Lu Valiatti/Ag Ver +(CAPA e foto 1), Nayra Halm/Estácio (Foto 2) e Michael Meneses (Foto 3).
 

 

Bon Jovi ROCK IN RIO 2017 Foto NAYRA HALM/EstacioDito isso, cabe observar também que por maior que seja o nome, cada vez mais se faz necessário, principalmente quando se trata de um dos maiores festivais de música do mundo, que o artista monte um set-list que se adapte perfeitamente ao público pra quem irá se apresentar. Nesse caso, Jon e cia. acertaram na escolha das canções, já que procuraram priorizar aquele material mais conhecido dos brasileiros, que basicamente é o que compõe os álbuns Slippery When Wet, lançado em 1986 e até hoje o álbum que contém o maior número de hits da banda; New Jersey, de 1988, álbum que consolidou o grupo como um dos maiores do planeta e Keep The Faith, de 1992, que marcou a volta ao estúdio e uma mudança de estilo, depois de quatro anos sem gravar um álbum de inéditas. 

A quinta noite do festival, até então, a que registrou o público mais numeroso, teve antes como atrações no Palco Mundo, além do Bon Jovi, Jota Quest, Alter Bridge e Tears For Fears. Dessas atrações, a que menos empolgou foram os americanos do Alter Bridge, não pela qualidade musical, mas muito pela falta de familiaridade com o repertório da banda por parte dos presentes. A característica do público nessa noite era mais para o pop rock de FM, estilo com o qual os veteranos ingleses do Tears For Fears e os mineiros do Jota Quest têm mais afinidade. É claro que não podemos negar que o Bon Jovi abraçou o pop rock há muito tempo e muito da renovação de seu imenso fã-clube se deve a isso. 

A banda subiu ao palco pontualmente, após uma introdução com imagens em computação gráfica que fazia referência ao novo álbum e estabelecia uma ligação desse, com o Brasil e logo em seguida, ouviram-se os primeiros acordes de “This House Is Not For Sale”, faixa-título do novo álbum, que apesar de ampla divulgação, boas vendas e um clipe para cada uma das 12 canções, não chega a empolgar tanto. Mesmo assim, é justo mencionar que esse novo trabalho, lançado no final de 2016, está bem melhor que os álbuns lançados pelo grupo na última década. Depois de terem sido recebidos de forma calorosa pelo público, emendaram com uma "do fundo do baú": “Raise Your Hands”, que somente quem é fã de verdade cantou junto, seguida da mediana “Knockout” para então, Jon cumprimentar brevemente a galera e emendar a primeira da noite que fez a multidão cantar em uníssono: “You Give Love a Bad Name”. Após esse momento, tocaram “Born To Be My Baby” e deu pra perceber que a tônica do show seria essa, muitos clássicos permeados por músicas não tão populares, pelo menos por aqui.

Muito foi falado sobre a voz de Jon Bon Jovi, que foi perdendo a potência com o passar dos anos, mas há que ROCK IN RIO 2017 Dia22_Bon Jovi_FOTO MICHAEL MENESES PORTAL ROCK PRESSse compreender que a idade chega pra todos e, assim como Axl Rose, Sebastian Bach, Vince Neil e tantos outros, Jon também sofreu com a ação do tempo, fato que ficou evidente quando cantou “Someday I'll Be Saturday Night” alguns tons abaixo. Apesar dos percalços, houve gratas surpresas, como “Runaway”, primeiro hit da banda, “Lay Your Hands On Me”, as inevitáveis “Bad Medicine”, “Wanted Dead Or Alive” e “It's My Life”, além daquelas que sempre funcionam ao vivo como “Keep The Faith” e “I'll Sleep When I'm Dead”. Vale registrar também o único momento romântico da noite com “Bed Of Roses” que logo foi quebrado com a fraca “Captain Crash And The Beauty Queen From Mars”, seguida pela animadinha “Roller Coaster” do último álbum, que evidenciou o quanto Jon necessita do apoio da banda pra cantar determinadas canções. 

Encerraram com “Livin' On a Prayer”, uma das mais aguardadas da noite e que fez com que a apresentação terminasse com o astral lá em cima, apesar dos gritos pedindo por “I'll be There For You” e “Aways”, que a banda decidiu não executar. Contudo, a apresentação desta edição foi muito melhor do que aquela do Rock In Rio 2013, ocasião em que a banda parecia ainda abalada pela saída de Richie Sambora, guitarrista e principal letrista da banda, ao lado de Jon.

A sensação que fica é a de que nem todos são Steven Tyler, pra quem a idade parece não pesar, mas por outro lado, as canções do Bon Jovi têm algo de atemporal, não possuem contra-indicações e muito menos, prazo de validade.

Postado por Michael Meneses domingo, 24 de setembro de 2017 23:20:00 Categories: Alter Bridge Bon Jovi Hard-Rock Hollywood Rock Rock in Rio Rock in Rio 2017 Tears For Fears
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