Blitz celebra seus 35 anos vivendo o presente em divertido show de lançamento de DVD no Circo Voador

A banda reuniu gerações e que não se deixaram abater pelo caos nos transportes por conta da greve dos caminhoneiros, BLITZ no Circo Voador 26 5 2018 FOTO Sabrina Bernardopara o lançamento do seu DVD “Blitz – No Circo Voador”, e faz um verdadeiro carnaval fora de época, celebrando a música brasileira com a diversão e irreverência que são a marca registrada da banda.

Blitz celebra seus 35 anos vivendo o presente em divertido show de lançamento de DVD no Circo Voador/RJ
TEXTO: Matheus de Aguiar – FOTOS: Sabrina Bernardo

BLITZ no Circo Voador 26 5 2018 FOTO Sabrina Bernardo

BLITZ no Circo Voador 26 5 2018 FOTO Sabrina BernardoSabe essas noites que você sai de um show maravilhoso, caminhando sozinho, de madrugada, com a mão no bolso, na rua? Assim estava, de bom humor, andando pelas ruas da Lapa. E esse bom humor tinha uma culpada: a Blitz! A banda possui uma capacidade de envolver o público como poucas têm. Antes do show, a galera já vinha se animando com sons dos anos 80 como “Tempo Perdido”, “Sonífera Ilha” e “Até Quando Esperar?”. Mas quando as luzes se apagaram, todos voltaram imediatamente para o ano de 1982, quando Evandro anunciou que começariam com a primeira música tocada pela banda no Circo Voador do Arpoador. “Vai, Vai, Love” já fez o público se animar e o deixou nas mãos da banda. E naquele “vai que eu já vou” e “vem que eu já fui”, entramos nas ondas da “Radioatividade” com “Weekend”, sucesso que se mantem vivo nas rádios e no coração do público.

Evandro Mesquita é o típico garotão de praia carioca, as mulheres até ensaiaram um grito de “lindo, tesão, bonito e gostosão” para o cantor, com jeitoBLITZ no Circo Voador 26 5 2018 FOTO Sabrina Bernardo malandro e carisma extremo, sua presença é o suficiente para conquistar todo mundo. Lembra que no início da banda não tinha muita pretensão e esperava divertir apenas 20 amigos da praia com aquelas músicas. Mas a Blitz é Rio de Janeiro puro e sua mistura de rock, samba, reggae, funk, pop e blues revolucionou e ajudou a dar vida ao rock dos anos 80.

Trazendo consigo o seu passado e vivendo o presente, tocaram oito músicas do seu mais recente álbum “Aventuras II”. Músicas que não abandonam a identidade da banda, mas que homenageiam e trazem características de grandes nomes da MPB. Em dado momento do show, Evandro anuncia a presença de Zeca Pagodinho, o público enlouquece, mas fomos tapeados, o amado sambista de Irajá aparece no telão e os cantores fazem um incrível dueto em “Fominha”. Outra voz que se fez presente foi a de Seu Jorge em “Martelinho de Ouro”, com o seu ritmo inconfundível no violão.

E a Blitz é homenagem pura à música brasileira, em “Egotrip” se transforma numa bateria de escola de samba e faz o povo sambar. Também reverencia quem antes fez BLITZ no Circo Voador 26 5 2018 FOTO Sabrina Bernardohistória nestas terras. No meio da divertida “Mais Uma História De Amor”, Evandro esbraveja: “Por um Brasil melhor, Jorge Ben Jor!” e tocam “País Tropical”, mas, com bom humor, afirma “Eu sou Flu!”, sem dar trela para o rival. E já que falamos de país tropical, também teve “Preta Pretinha”, dos Novos Baianos, no meio da divertida música “Biquíni de Bolinha Amarelinha”. As homenagens não param, e a versão reggae deBLITZ no Circo Voador 26 5 2018 FOTO Sabrina Bernardo “Rei do Gatilho”, do saudoso sambista Moreira da Silva, também animou o público.

E, no meio daquela festa, não foi esquecido o momento que o país atravessa. Afinal, se não fosse um personagem, por onde andaria Arlindo Orlando naquela hora? Certamente, o caminhoneiro conhecido da pequena e pacata cidade de Miracema do Norte, estaria em greve naquele momento, como foi lembrado pelo cantor. Para divertir os que gritavam “Toca Raul!”, tradição que se faz presente nos shows de rock pelo Brasil, “Aluga-se” chegou com toda sua animação e ironia sobre as políticas de outrora que voltaram a fazer parte do cotidiano brasileiro. “É tudo free!”. A liberdade jovem é muito forte e celebrada pelas músicas da banda. Músicas que em sua maioria foram compostas num período em que essa liberdade era subversiva, fazendo com que a banda passasse por diversas censuras. “Pensei que isso era coisa para gênios como Caetano e Chico”, disse EvandroBLITZ no Circo Voador 26 5 2018 FOTO Sabrina Bernardo antes de tocar “Cruel, Cruel Esquizofrenético Blues”, música que caiu nas garras da burra e moralista censura dos milicos. Mas problemas não estragam o clima aqui, não num show da Blitz. Uma banda que mostra sempre que o rock pode abranger outros estilos, um repique ali, um ukulele aqui, e se reinventar sem esquecer-se do seu passado.

O que vimos foi um verdadeiro carnaval fora de época, com suas cores, teatralidade típica e irreverência. Os bons filhos a casa tornam, e esperamos que voltem sempre, para a felicidade dos cariocas. - Matheus de Aguiar!

Portal Rock Press