BARÃO VERMELHO – O guitarrista Fernando Magalhães fala sobre “VIVA”, o novo disco da banda!

O Barão Vermelho está lançando seu novo disco, “VIVA”, primeiro trabalho da banda com músicas Barão_Vermelho_CREDITO_FOTO_MARCOS_HERMESinéditas em 15 anos. O álbum apresenta a nova formação que conta com Rodrigo Suricato nos vocais. O guitarrista Fernando Magalhães conversou com a Rock Press sobre o disco e a fase atual da banda que se apresenta no Oktoberfest Rio, no dia 18 de outubro. Antes disso, Fernando toca com a banda Rollando Stones (3/10), no Rock In Rio. Confira!

BARÃO VERMELHO – O guitarrista Fernando Magalhães fala sobre “VIVA”, o novo disco da banda!
ENTREVISTA: Robert Moura
FOTOS: Lu Valiatti/Ver + Fotografia (Rock in Rio) e Marcos Hermes (Divulgação).

Após dois anos de estrada com Rodrigo Suricato nos vocais, o Barão Vermelho está lançando, “VIVA”, seu primeiro disco com músicas inéditas em 15 anos. Durante uma das pausas do Barão, Roberto Frejat decidiu que não pretendia voltar Barão_Vermelho_Vivaà banda em definitivo. Já, Guto Goffi (bateria), Maurício Barros (teclados), Fernando Magalhães (guitarra) e Rodrigo Santos (baixo) desejavam trazer o Barão à ativa novamente, e em 2017, convidaram Suricato para assumir a guitarra e o vocal do grupo. Além de Frejat, outra ausência seria a do percussionista Peninha, que, infelizmente, faleceu em 2016. No meio do caminho, ainda em 2017, o baixista Rodrigo Santos (integrante desde 1992) também resolveu deixar o Barão, alegando incompatibilidade de agenda com seus projetos pessoais, e em seu lugar entrou o músico Márcio Alencar. O resultado obtido pela nova formação pode ser conferido no álbum, “VIVA”, que sairá em CD e já está nas plataformas digitais. O disco tem participações especiais do rapper BK e da cantora Letrux.
 
Extremamente gentil, o guitarrista Fernando Magalhães nos concedeu uma entrevista e falou sobre como tem sido o trabalho na fase atual do Barão, e a sonoridade e o discurso das letras do álbum, “VIVA”, defendendo a união diante do cenário mundial duro e solitário em que estamos vivendo. Em suas palavras, “também estamos numa época que é boa para crescer, juntos”. Ele, ainda, contou um pouquinho dos planos com o seu projeto solo instrumental e sobre sua participação no Rock In Rio 2019 com a banda Rollando Stones. Então, senhoras e senhoras, com vocês, o gentleman do Rock’n’Roll, Fernando Magalhães nas Páginas Psicodélicas da Rock Press!
 
ROCK PRESS/ROBERT MOURA: Uma questão que correu entre os fãs do Barão Vermelho quando foi anunciado o Rodrigo Suricato nos vocais foi o porquê de alguém da própria banda não assumir o vocal como aconteceu após a saída do Cazuza com o Frejat passando a cantar. Por acaso, o Maurício Barros tem cantado algumas músicas nos shows, e também cantou a faixa “Castelos” no novo disco, assim como um trecho de “Tudo Por Nós 2”. Ele tinha a experiência também como vocalista do Buana 4, e o próprio Rodrigo Santos que segue em carreira solo cantando. Vocês cogitaram a possibilidade de algum deles assumir os vocais, e mesmo com a entrada do Suricato, existiu a possibilidade da banda não ter mais um único vocalista fixo, ou vocês queriam mesmo aquela figura clássica de um vocalista principal?
BARÃO VERMELHO/FERNANDO MAGALHÃES: É, na verdade, você está propriamente respondendo. O Maurício e o Fernando_Magalhães_Barão_Vermelho_FOTO_Lu_valitti_VER__MAISRodrigo realmente são dois cantores, mas a gente achou que tinha que ter alguma coisa nova, entendeu? Todos eles são maravilhosos. O Rodrigo canta pra cacete. Ontem mesmo fui ver o Call The Police (N. do A.: banda na qual Rodrigo Santos toca com o ex-guitarrista do The Police, Andy Summers e o baterista João Barone, e que iniciou a turnê sul-americana no Oi Casagrande, no Rio de Janeiro, no dia 29 de agosto), ele cantando com o Andy Summers, vê-lo no show foi lindo. Mas, a gente achou que realmente tinha que ter alguma coisa nova. Não que a gente não acreditasse na gente. A gente acredita muito. Mas, achamos que ia ter um plus. Acho que o Suricato é um cara que, apesar de ser mais novo, é da nossa turma. Ele gosta do que a gente gosta, e ia trazer coisas novas. Nós íamos dar coisas para ele também. Então, acho que no final das contas, o caldeirão ia ser mexido de uma forma diferente. Acho que a palavra é diferente. Como o Guto fala sempre, o Barão enche o saco da cara dele antes do público, né? E isso é benéfico. Eu acho que isso é uma coisa benéfica. A gente está sempre querendo ouvir coisas novas, mas a gente nunca vai deixar de soar como o Barão. Acho que isso é importante, até porque nós somos Barão (risos). Por mais que a gente tente fugir de nós mesmos, a gente sempre traz um pouquinho da gente. Na verdade, foi uma opção, a gente não sabia se ia dar certo ou não. Mas, acabou que deu certo. Pelo menos, a gente acha que deu certo e ficou muito feliz com o resultado. E, nada impede do Maurício cantar. Se o Rodrigo tivesse permanecido na banda, nada impediria dele também cantar junto com o Suricato e passar para o microfone principal em alguma música.
 
ROCK PRESS: Eu estava ouvindo a música “Vai Ser Melhor Assim” (faixa do novo álbum) e achei o riff inicial com uma pegada bem ledzeppeliniana...
FERNANDO MAGALHÃES: É, totalmente...
 
ROCK PRESS: E ao mesmo tempo, em outras músicas, eu senti a sonoridade do Barão, talvez emulando outros discos da banda, como o “Barão Vermelho” de 2004. Isso foi natural, por vocês serem o Barão como você disse, tem a marca da sua guitarra, a bateria do Guto, ou vocês tiveram esse cuidado de ao mesmo tempo em que sempre querem dar uma renovada, não perder essa característica do som do Barão?
FERNANDO MAGALHÃES: Foi natural porque não tem como perder, né? Eu acho que é muito difícil a gente perder isso, entendeu? Mais difícil foi a gente querer soar como uma coisa updateada do Barão. Não de se basear no que as pessoas estão ouvindo, o que está na moda, o que é hit do momento. Mas, de saber como o Barão soa em 2019. É como soava no “Supermercados da Vida”? Não é. Mas, TAMBÉM é. O grande barato da parada é esse. Então, esse é o nosso desafio.
 
ROCK PRESS: Dentro desse contexto, como foi essa troca, no seu caso mais específico da guitarra. Depois de tanto tempo tocando com o Frejat, e ele mesmo definia o som de guitarra do Barão como o som das suas duas guitarras juntas. E como está sendo agora trabalhar com o Suricato?
Barão_Vermelho_019_DIV_@marcoshermesFERNANDO MAGALHÃES: Não só de guitarra, como tudo. A guitarra até especificamente porque é o meu instrumento. Muita gente falou: “vocês deviam ter lançado um disco logo que vocês começaram com o Suricato”. E o Suricato define isso muito bem com uma frase que eu acho legal: “vamos namorar primeiro para depois fazer um filho”. E, por que a gente não foi fazer o disco logo? Porque a gente foi se azeitar. Uma coisa é você conhecer uma pessoa tocando, outra coisa é você tocar com ela. Saber como a pessoa é em todos os sentidos, pessoalmente, musicalmente, guitarristicamente, cantando, compondo. Então, a gente precisa se adaptar, por isso que veio o “Barão Pra Sempre” (N. do A.: álbum com sucessos do Barão com Suricato nos vocais, lançado exclusivamente nas plataformas digitais). A gente lançou esse álbum e fez uma turnê “Barão Pra Sempre” para isso. Primeiro para botar as músicas antigas na voz do Suricato e para a gente se azeitar e entender quem éramos nos quatro juntos ali. Essa minha resposta envolve algumas coisinhas assim, por exemplo: como tocar guitarra com o Suricato? Eu tive que tocar com ele para saber como eu ia tocar porque não sabia como iria ser. Eu já imaginava que seria legal, mas uma coisa é você imaginar e outra é você ir lá e tocar.
 
ROCK PRESS: Desde o disco de estreia do Barão, esse é o primeiro disco que só contém composições dos integrantes da banda.
FERNANDO MAGALHÃES:  Essa foi uma opção nossa.
 
ROCK PRESS: E o intuito foi de procurar um maior entrosamento mesmo?
FERNANDO MAGALHÃES: Exatamente, exatamente... e a gente tinha tanto material. Na seleção para o disco, a gente ouviu umas cinquenta. Era muita música. Então, a gente espremeu até sair esse suco que saiu, né?
 
ROCK PRESS: Ainda dentro dessa questão da renovação, uma marca sonora importante do Barão, até de certa originalidade de uma banda de Rock com essa pegada que vocês têm, era a percussão do Peninha.
FERNANDO MAGALHÃES: E ainda tem isso. A gente optou por não ter percussão nesse disco. O Guto fez algumas percussões, e isso tudo visa a formação. Mas, não deixa de soar Barão. Acho que é isso, entendeu? Tem várias coisas do Barão que o Peninha estava muito presente, tem outras que ele não estava tanto, como tem coisas do Barão que eu estou presente e em outras eu não estou tanto, e por aí vai. Nada impede que daqui algum tempo a gente ponha um percussionista. Tudo é válido.
 
ROCK PRESS: Ouvindo as músicas novas, uma característica que permanece do Barão, é a questão das melodias. É até um respiro ouvir melodias bonitas no Rock’n’Roll, algo que o Barão sempre teve...
FERNANDO MAGALHÃES: E a atenção para as letras...
 
ROCK PRESS: Sim, também.
FERNANDO MAGALHÃES:
 Eu acho que o Cazuza, o Frejat e o Suricato, cada um tem sua individualidade cantando. Mas, todos eles soam Barão quando estão tocando com o Barão.
 
ROCK PRESS: Senti isso muito nas melodias, umas notas longas no vocal que, talvez, não seja muito comum nas bandas de Rock brasileiras.
FERNANDO MAGALHÃES:
  E ninguém está imitando ninguém. É uma coisa natural.
 
ROCK PRESS: Esse ano, não teremos o Barão no Rock In Rio, mas você vai tocar com o Rollando Stones (N. do. A.: projeto paralelo de Fernando Magalhães que toca o repertório dos Rolling Stones). Inclusive, no disco, “VIVA”, tem a música “Jeito” que é bem Stones nos riffs e timbres das guitarras, outra grande influência do Barão. Como é tocar o repertório de uma banda que você curte, e como está a expectativa para essa apresentação específica?Fernando_Magalhães_Barão_Vermelho_FOTO_Lu_valitti_VER__MAIS
FERNANDO MAGALHÃES: Tá maneiro, tudo certo, a gente está amarradão. Na verdade, o Rollando Stones é uma grande brincadeira nossa. Tocar Stones é uma total curtição. Eu adoro, toco desde criança. Comecei a tocar guitarra tocando Stones. Para mim é uma grande diversão. É um grande parque de diversões explorar aquele repertório.
 
ROCK PRESS: Ainda dentro dos seus projetos mais paralelos, na sua carreira solo, você partiu para uma linha que é pouco explorada no Brasil. A tendência aqui é que o instrumentista quando vai gravar um trabalho solo, acabe gravando como cantor também. E você partiu para um som instrumental. Existe previsão de um novo disco?
FERNANDO MAGALHÃES:  Tenho sim. Eu vou lançar um disco ao vivo, talvez no começo do ano que vem. E mais para frente vou lançar um quarto disco.
 
ROCK PRESS: Esse ao vivo seria com material dos dois primeiros? Vai ter alguma inédita?
FERNANDO MAGALHÃES: Talvez tenha um ou dois plus inéditos. Não estou mexendo muito nisso agora porque estou concentrado no Barão. Mas, eu tenho tocando mais ao vivo hoje em dia com esse trabalho instrumental, tenho feito festivais, fiz o Montreaux Jazz Festival, o Rio das Ostras, e vou fazer outras coisas aí.
 
ROCK PRESS: Mudando um pouco de assunto, o Barão sempre abordou temáticas sociais e políticas desde o início de sua trajetória em músicas como “Milagres”, “Declare Guerra”, “Supermercados da Vida” ou “O Inferno é Aqui”. E a banda surgiu no cenário da ditadura militar, e esteve presente durante a abertura política do Brasil. Como você vê a situação política atual do país?
FERNANDO MAGALHÃES: Eu acho que o mundo está muito dividido, né? Nós não estamos vivendo numa época muito bacana. O Barão lá atrás já “declarou guerra”, hoje em dia a gente está declarando “viva!”. Esse “VIVA” é um “viva” de vamos nos juntar, vamos tentar fazer alguma coisa melhor, sem ser ursinho de pelúcia ou pantufa. Sem ser piegas, mas não podemos estar sozinhos. Acho que a “A Solidão Te Engole Vivo”, o primeiro single desse disco é bem isso. A letra é bem pra isso, tipo, vamos juntos que assim a gente resolve e não brigando, cheio de preconceitos. E a gente está numa época muito dura, de muito preconceito, de certa vulgaridade para conceituar as coisas e ficar totalmente polarizado nisso. Mas, também estamos numa época que é boa para crescer, juntos. E o “VIVA” é bem isso. É uma celebração a isso. O mundo está muito solitário, as pessoas estão muito solitárias. Então, essa coisa da união, mais uma vez, sem ser piegas, eu acho que a gente precisa realmente se organizar, estar mais juntos para fazer uma coisa da qual nos possamos nos orgulhar de estar, realmente, fazendo algo pelo mundo, pela nossa vida. Não adianta ser tão radical, a gente precisa de mais tolerância com as diferenças. Acho que esse disco é bem isso.
 
ROCK PRESS: Dentro do que você falou, o que o público pode esperar, então, do disco e dessa turnê do Barão? Vocês vinham tocando músicas de todos os álbuns, haverá alguma surpresa fora as músicas do "VIVA”?Barão_Vermelho_CREDITO_FOTO_MARCOS_HERMES
FERNANDO MAGALHÃES:  O show é bem Barão. Você tem tudo que o Barão sempre fez, e com coisas novas. E claro, tocando algumas coisas diferentes. A gente está tocando “Amor Pra Recomeçar”, uma música do Maurício com o Frejat e o Mauro Santa Cecília que é a mesma trinca que fez “Por Você”. O Maurício até que está cantando. Ele também canta “Cuidado” e “Malandragem Dá Um Tempo”. Tem coisas pesadas no show, tem coisas acústicas, sonoridades novas, sonoridades antigas. Um Barão pra frente, entendeu? Está um show alegre, todos os sucessos estão ali.
 
ROCK PRESS: Fernando, agradeço muito mesmo pela atenção, e gostaria que, por favor, você deixasse sua mensagem aos leitores da Rock Press.
FERNANDO MAGALHÃES: Deixo sim, queridão. Quero dizer para vocês, “VIVA”, novo álbum do Barão em CD físico vai sair daqui a pouco e está em todas as plataformas digitais. Que a galera da Rock Press que sempre prestigia o Barão curta bastante, e todos que estão ligados a vocês. Estamos aí juntos. Vocês não vão se decepcionar com o Barão Vermelho!

Barão Vermelho é uma das atrações do Oktoberfest Rio 2019...

O disco, “Viva”, pode ser ouvido em todas as plataformas digitais e você também pode conferir o Barão “ao vivo” na Oktoberfest Rio, festival no qual a banda será uma das atrações. Em sua segunda edição, o evento, esse ano, terá 6 datas e mais de 20 apresentações, sendo que a maioria do cast são de nomes contemporâneos ao Barão Vermelho (inclusive, com shows dos ex-Barões, Frejat e Rodrigo Santos). O Festival ainda terá apresentações de grupos folclóricos alemães, e vários rótulos de cervejas (veja programação abaixo).
 
A Oktoberfest Rio acontece nos dois últimos finais de semana de outubro, ou seja, apenas uma pequena pausa após Rock In Rio. É só o tempo de tomar um novo fôlego. O show do Barão Vermelho acontece na noite de abertura (18/10) do festival ao lado do Ira!, e de Humberto Gessinger. #Recomendamos a presença de todos no festival e lembramos: Bebam com moderação e Let´s Rock! – Robert Moura!

SERVIÇO - Oktoberfest Rio 2019
SEXTA -18 outubro - Ira! + Barão Vermelho + Humberto Gessinger
SÁBADO - 20 outubro - Rodrigo Santos + Paulinho Moska + Nando Reis
DOMINGO - 21 outubro - Claudio Zoli + Detonautas + Gabriel O Pensador
SEXTA - 25 outubro - Fernanda Abreu + Biquini Cavadão + Frejat
SÁBADO – 26 outubro – Leoni + Leo Jaime + Blitz
DOMINGO – 27 outubro - Plebe Rude + Raimundos + CPM22

LOCAL: Marina da Glória - Av. Infante Dom Henrique, S/N - Glória, RJ/RJ
INGRESSOS: https://bit.ly/2lVU2oA
Venda oficial sem taxa de conveniência: South Centro - Rua do Ouvidor, 164. Centro RJ/RJ
Pontos de vendas antecipada (Consulte taxas de conveniência): Lojas South: Bangu Shopping, Barra Shopping, Caxias Centro, Grande Rio, Ilha Plaza, Meier, Niterói Centro, Norte Shopping, Nova América, Plaza Shopping Niterói, Shopping Madureira, Shopping Tijuca, Via Parque, West Shopping e Tattoo Leblon.
EVENTO: https://www.facebook.com/events/748996838875259/
INFO: (21) 2533-9935
REALIZAÇÃO: Peck Produções e Eventos

ROBERT MOURA - É natural de Belo Horizonte. Bacharel em Música (UEMG) e Mestrando em Artes (UEMG). Professor na Alaúde Escola de Música. Tocou guitarra em bandas de Rock na capital mineira. Atualmente seu trabalho está focado no violão clássico e trilhas para teatro.