Através dos tempos: Renato e Seus Blues Caps

A banda Renato e Seus Blue Caps segue firme às vésperas de completar 60 anosRenato_e_Seus_Blues_Caps_DIVULGAÇÃO de atividade e se apresenta na próxima sexta-feira, (23/11) no Teatro Bradesco/RJ. A trajetória da banda fundada pelo guitarrista Renato Barros em 1959, e que tem participação do vocalista Cid Chaves desde 1964, é um importante capítulo da história do rock no Brasil.


Através dos tempos: 59 anos de Renato e Seus Blues Caps
TEXTO: Robert Moura - FOTOS: Divulgação


O primeiro nome da banda Renato e Seus Blue Caps foi Bacaninhas do Rock da Piedade. Ele fazia referência aos Bacaninhas da Piedade, um bloco carnavalesco do bairro carioca onde viviam os irmãos Renato, Paulo César e Edson que fundaram a banda em 1959. Na ativa desde então, e rapidamente rebatizada como Renato e Seus Blue Caps, eles ostentam hoje o título de banda de rock mais antiga em atividade no mundo. O novo nome foi sugerido por Jair de Taumaturgo, apresentador do programa Hoje É Dia de Rock da Rádio Mayrink Veiga, e foi inspirado na banda Gene Vincent and His Blue Caps. No entanto, a grande referência musical para a banda seria mesmo os Beatles, banda da qual eles gravariam versões de várias de suas canções.

A primeira versão de uma música dos Beatles gravada por Renato e Seus Blue Caps foi de “I Should Have Known Better”. A ideia surgiu a partir de um pedido feito por Carlos Imperial, apresentador do programa Os Brotos Comandam da TV Rio, para que a banda aprendesse a música e tocasse no programa do dia seguinte. Renato Barros, sentindo a impossibilidade de conseguir aprender a letra em inglês e decorar tão rápido, optou por fazer uma versão em português que foi batizada de “Menina Linda”. A versão foi bem recebida pelo público do programa, e eles acabaram por incluí-la no álbum “Viva a Juventude” lançado em 1964. A banda chegou até mesmo a lançar algumas versões de músicas dos “rapazes de Liverpool”, antes dos originais saírem no Brasil (como na época os discos internacionais eram lançados no Brasil com certa defasagem, Renato conseguia as gravações mais recentes dos Beatles através de cantora e compositora Lilian Knapp que importava os discos). A banda também gravaria versões para músicas dos Yardbirds, Creedence Clearwater Revival, The Mamas & The Papas, e Bob Dylan, entre outros. Apesar do sucesso alcançado com algumas dessas versões, Renato e seu irmão, o baixista Paulo César Barros não se acomodaram e passaram a apostar também nas composições próprias, alcançando êxitos para a banda como “Primeira Lágrima”, “Sim, sou feliz”, “Não Quero Ver Você Chorar”, e também cedendo músicas para outros artistas como Roberto Carlos que gravou algumas canções de autoria de Renato como “Não Há Dinheiro Que Pague” e “Você Não Serve Pra Mim”, e “Nada Vai Me Convencer” de Paulo César.

A partir de 1965, com suas participações no programa Jovem Guarda da TV Record, Renato e seus Blue Caps alcançariam uma projeção nacional. Além dos próprios discos, eles também participariam como banda de apoio das gravações de diversos outros discos de artistas da época como Cleide Alves, Jerry Adriani, Eduardo Araújo, Roberto Carlos, Wanderléa, e Erasmo Carlos (que foi vocalista e guitarrista da banda por um breve período entre junho e dezembro de 1963 tendo gravado um disco com a banda). Dessa forma, Renato e Seus Blue Caps foi uma das bandas fundamentais para a definição da sonoridade da Jovem Guarda.

Já na década de 1970, Renato e Seus Blue Caps seguiriam gravando regularmente até o final dos anos 1980. Apesar de terem apenas dois discos lançados a partir dos anos 1990, a banda nunca deixou de fazer shows por todo país. Nos 59 anos de atuação, a banda contou com muitas formações diferentes, entre os integrantes que passaram pela banda podemos destacar os irmãos de Renato Barros: Edson que se tornaria o conhecido cantor e compositor Ed Wilson (falecido em 2010); e o baixista Paulo César Barros que também atuou como vocalista, e entre várias saídas e voltas da banda, gravou os baixos em boa parte da discografia de Roberto Carlos e Raul Seixas durante os anos 1970 e 80. E ainda: o saxofonista Roberto Simonal (irmão de Wilson Simonal); Mauro Motta (que se tornaria produtor de discos); e o vocalista Ivanílton (que mais tarde se tornou um dos maiores hitmakers do Brasil sob o nome artístico de Michael Sullivan ao lado de seu parceiro Paulo Massadas). A formação atual conta com o membro-fundador Renato Barros na guitarra e vocais, Cid Chaves nos vocais (na banda desde 1964), Gelsinho Moraes na bateria (desde 1973), Darci Velasco nos teclados (desde 1996), e o baixista Bruno Sanson que ingressou na banda este ano. - Robert Moura.


SERVIÇO:
DATA:
23 de novembro às 21h30
LOCAL: Teatro Bradesco Rio - Av. das Américas, 3900 – loja 160 do Shopping Village Mall – Barra da Tijuca/RJ.
INGRESSOS:
Bilheteria Teatro Bradesco Rio:
 Av. das Américas, 3.900/Lj 160- Tel: 3431-0100 (diariamente, das 13h às 21h.)
Site: www.uhuu.com 
Atendimento: falecom@uhuu.com
INFO: www.teatrobradescorio.com.br
CLASSIFICAÇÃO: Livre
CAPACIDADE: 1000 lugares


ROBERT MOURA - É natural de Belo Horizonte. Bacharel em Música (UEMG) e Mestrando em Artes (UEMG). Professor na Alaúde Escola de Música. Tocou guitarra em bandas de Rock na capital mineira. Atualmente seu trabalho está focado no violão clássico e trilhas para teatro.
 

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