At The Drive In leva multidão para o Circo Voador, em show marcante!

Sábado de feriadão: quinta e terça, com possibilidades de enforcar. Promessa de chuva, após dias infernaisAt_The_Drive_In_in_rio_foto_Nem_Queiroz de calor – daqueles em que as pessoas ficam postando fotos de termômetros espalhados pela cidade marcando acima de 40º. Às oito e meia, uma fila grande forma-se perto dos Arcos da Lapa, e mais uma aglomeração nas barracas de bebidas nos arredores. Pessoas ansiosas que aguardavam algo há muito tempo, e não era chuva (embora uma água caísse bem nesse calor maldito): o At The Drive In finalmente vinha para o Rio de Janeiro, e não seria um show no meio de um festival como foi em São Paulo. 

At The Drive In leva multidão para o Circo Voador, em show marcante!
17 de Novembro - Circo Voador/RJ
TEXTO: Fabiano Soares – FOTOS: Nem Queiroz

Camisas nas mais diversas cores, estampas, tatuagens, bigodes e barbas. Acho que é o que chamam de alternativo; a paleta de cores é um pouco mais abrangente do que o metal, mas ainda temos símbolos sombrios, né? Parar de bobeira que teorizar se é “post-hardcore” ou qualquer outro rótulo é perda de tempo. Vamos ao show.

At_The_Drive_In_in_rio_foto_Nem_QueirozA estrutura no Circo Voador estava bacana, brindezinhos da Heineken, os pôsters sempre lindos do pessoal da Queremos! – que foi quem trouxe o At The Drive In ao Rio, e a ansiedade do público, que desde as 21hs, quando os portões abriram, gritava a cada final de música que estava rolando, achando que começaria o show. Isso foi até às 22:45, a partir dali, as luzes apagaram-se e começou uma intro, totalmente abafada por gritos desesperados, do tipo que o Sérgio Mallandro gostaria de ouvir em seus programas. Silhuetas começam a mover-se, entrando no palco, e o público delira. Tanto na pista quanto na arquibancada, o Circo está lotado.

Cedric Bixler-Zavala pega umas maracas e a gritaria do público recomeça ao reconhecer Arc Arsenal. Começaram realmente no gás, com Tony Hajjar na bateria comandando a percussão enquanto Cedric complementa, e Omar Rodriguéz-López entra discreto com sua guitarra, sendo acompanhado pelo outro guitarrista, Keeley Davis, e o baixista, Paul Hinojos. Esse era o time que todos ansiavam ver. A música dá aquela quebrada após o início e muita gente já está pulando na plateia, e entra o vocal “rústico” de Cedric – aquele que pode ser considerado feio, mas combina tão bem que acaba virando charme – junto de seus pulos e gestos, virando um gigante no palco. Quando ele não estava cantando, brincava com o pedestal de microfone, dançava desajeitado, mas não passava batido. 

A banda tocou clássicos, mas também tocou 3 músicas de seu novo álbum, o in•ter a•li•a, mas uma proporção que deixouAt_The_Drive_In_in_rio_foto_Nem_Queiroz mais feliz o público que queria ouvir o álbum que levou o At The Drive In ao topo (logo antes da separação), o Relationship of Command. Do curto setlist de 13 músicas, 7 foram do renomado disco; 2 do In/Casino/Out e 1 do EP Vaya. Os fãs mais xiitas podem ter ficado chateados, mas duvido que alguém tenha saído infeliz do show: só o que se via ao término era o êxtase geral, mostrado tanto em semblantes quanto em suor.

Embora o In/Casino/Out só tenha ficado com 2 músicas do set, “Napoleon Solo” puxa todo o público presente para a beira do palco, em um coro gigante que se bobear, está ecoando até agora na minha cabeça, com a frase chiclete, “This is Forever”. Mas isso é para o meu inglês de CNA, pouco dedicado ao At The Drive In; o coro do pessoal era da música inteira, que foi cantada em parceria com Cedric.

At_The_Drive_In_in_rio_foto_Nem_QueirozLogo em seguida, “Pattern Agains User” veio com tudo, e uma roda grande abriu-se. Confesso que não esperava isso; era como se estivesse rolando um som muito pesado, e a galera começou aquele show de pés batendo nas cabeças dos outros, muitos sendo erguidos e começando sua viagem sem rumo através das mãos da plateia. E nesse auge de energia, simplesmente ao fim da música a banda sai do palco. Parecia que estavam brigados com quem foi ver. Saíram e foi isso. Óbvio que tem bis, mas foi tão seco, tão estranho. Mas voltaram.

Calma. Na volta, antes da música, Cedric falou, emocionado, sobre a reunião e os últimos anos de tour, sem ver família, passando tempo sem filhos e esposas, perdas de entes queridos e tudo o mais que se perde quando se está rodando o mundo tocando música. Mas falou que aquilo era para os fãs, pelos fãs, e ele sabia que fazia as pessoas felizes, aquela reunião era para isso. E anunciou que esse show, no Rio de Janeiro, seria o penúltimo. A voz embargou, pareceu choro. Os fãs que entenderam ficaram com aquela sensação amarga de saber que estava acabando de novo, em contraponto com a felicidade de estar participando daquilo. E antes que o choro viesse de vez, Cedric chamou a banda, sua família, e fecharam a noite com “One Armed Scissor”. Se eu falei que a roda de “Patterns” foi grande, essa última foi absurda. A mim, At_The_Drive_In_in_rio_foto_Nem_Queirozremeteu a “Rainning Blood”, do Slayer. Juro. Fui jogado de um lado para o outro, tentando proteger minha bolsa e meu pôster. Meu pôster foi tomado no meio da música. Não sei se pro chão, se alguém pegou… Só sei que foi uma forma excelente de fechar o show, mas esperava que teria mais músicas no bis. Não teve. Rolou muito agradecimento, tanto da banda quanto do público, e foi isso.

Foi uma ótima apresentação, embora tenha sido tipo ver o cometa Halley: você espera um tempão, e quando ele passa, vai literalmente, rápido feito um cometa. Com uma hora de show, o At The Drive In fez a alegria dos fãs que aguardavam esse momento de vê-los ao vivo, e mostrou que no palco, a banda ainda faz uma grande performance!

Agora é esperar uma nova reunião, depois do discurso de Cedric. Talvez demore a rolar. Mas eu vi essa, então, a única preocupação sobre demora que tenho, por agora, é a do meu ônibus. Madrugada de sábado para domingo sempre é tenso. Chego ao ponto final do 383, e nem um sinal do busão. Talvez o At The Drive In volte ao Brasil antes do meu ônibus. O lance é pensar num meio alternativo de chegar em casa. Alternativo, tipo o show. Essas divagações da madrugada são brabas. Melhor parar por aqui. – Fabiano Soares.

Postado por Michael Meneses quinta-feira, 29 de novembro de 2018 18:29:00 Categories: At The Drive In Cerveja Circo Voador Lapa/RJ Post Hardcore Queremos! Sérgio Mallandro Show
Portal Rock Press