Arena do Heavy 2018: Hicsos, FIC Trio, Sanskrit e Liverking - Lona Cultural de Campo Grande/RJ – 29-7-2018

“O Bom Filho a Casa Torna” e retornou com força, alegria e peso! Assim definimos a volta do Arena do Heavy a Lona CulturalSanskrit_Arena_Do_Heavy_FOTO_Michael_Meneses_29072018_Cretito_Obrigatorio de Campo Grande/RJ no último dia 29 de julho com shows das bandas Hicsos, FIC Trio, Sanskrit e Liverking. Um evento que certamente provou o potencial dos shows de rock em Lonas Culturais, especialmente por unir gerações do rock suburbano. Alem da resenha do evento, trazemos na matéria um depoimento apaixonado do fotojornalista Marcos Hermes que como músico se apresentou nas duas primeiras edições do Arena do Heavy!

Arena do Heavy 2018 – O reencontro dos Metaleiros Furiosos* do Subúrbio Carioca!  
Hicsos + FIC Trio Band + Sanskrit + Liverking
Lona Cultural de Campo Grande/RJ – 29/07/2018
TEXTO: Alexandre Beckão – FOTOS: Michael Meneses!
DEPOIMENTO: Marcos Hermes.

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Arena: Uma arena é uma área fechada, quase sempre de forma circular ou oval, desenhada para apresentações musicais, teatrais ou eventos esportivos. É composta de um grande espaço aberto ao centro, rodeado por corredores e assentos para os espectadores. (Fonte: Wikipédia). 
Heavy: Heavy metal (ou apenas Metal) é um gênero do rock que se desenvolveu no final da década de 1960 e no início da década de 1970, em grande parte no Reino Unido e nos Estados Unidos. Tendo como raízes o Blues-Rock e o Rock Psicodélico, as bandas que criaram o Heavy metal desenvolveram um som massivo e encorpado, caracterizado por um timbre saturado e distorcido dos amplificadores, pelas cordas graves da guitarra para a criação de Riffs e pela exploração de sonoridades em tons menores, dando um ar sombrio às composições. (Fonte: Wikipédia). 
Metaleiro(s) Furiosos(s): Apelido criado por outros “metaleiros” da Zona Oeste Carioca para classificar a Geração MTV do inicio dos anos 1990.

Se você se interessou em ler essas linhas, invariavelmente você pertence a um grupo de indivíduos que por definição comum, não se enquadra no grande esquemão da vida mundana. O comum, o banal, o costumeiro não te agrada e nem te completa (E só os Deuses, caso creia neles, ou não, sabem o motivo!). Na verdade você percebeu muito cedo, que tudo que te falam, tudo o que você ouve, e tudo que te mostram não se refletem com a verdade que você carrega dentro de si. É um sentimento tão forte, tão primal e tão faminto, que só é saciado quando o Volume e a Distorção atingem certo ponto na sua mente, e aí tudo passa a ser prazeroso e verdadeiro. Não importam os “Estilos” ou as “Definições”, o que importa é apenas o Som que te faz sentir aquela fugaz sensação da liberdade mais que absoluta.

E lá se vão quase 30 anos, desde que um grupo desses jovens indivíduos (aos quais, humildemente me incluo!) entraram nessa jornada de criar o seu próprio momento e espaço, e dedicaram seu tempo e esforço pra celebrar, embora sempre houvesse diferenças, seu Amor e Devoção ao Metal em um subúrbio distante da Zona Oeste do RJ no longínquo ano 1990. Saiba das histórias do Festival, a influencia do mesmo e seu palco perante a cena, na matéria de Michael Meneses aqui na Rock Press: http://portalrockpress.com.br/festival-arena-do-heavy-e-o-legado-das-lonas-culturais

Na primeira edição, fui apenas um mero espectador. Já na segunda, estava totalmente absorvido pelo poder do Som, e me envolvi na Engenharia (carreguei e preguei as tábuas do palco no sol, é ainda nem tinha Lona, fui da equipe técnica, roadie do Nirvanna, carreguei caixas, equipamentos de som e luz!) a base de muito “Rabo de galo” e cigarro a varejo... Bons tempos! (Risos). Mas o melhor mesmo, a grande recompensa, veio agora neste último domingo 29/07, quando pude reencontrar boa parte daqueles jovens “Metaleiros” hoje com suas Famílias para uma tarde/noite de confraternização ao som do bom e velho Metal. Sendo assim, sem mais delongas e nostalgia adolescente, vamos ao que rolou no Arena do Heavy 2018... Que nesta edição teve som e iluminação estavam harmônicos em todos os shows.

Liverking: Formada por Marcus Larbos (Vocal), Diego Frias e Hugo Defante (Guitarras), Heliton Gomes (Baixo) e Flávio Peixe (Bateria) o Liverking é a banda caçula do Liverking_Arena_Do_Heavy_FOTO_Michael_Meneses_29072018_Credito_Obrigatórioheavy carioca, mas que já desponta participando de eventos de peso no subúrbio do Rio. Muito talvez pela experiência dos músicos em bandas participativas da cena carioca nas últimas décadas, entre elas; Blockhead, Panaceah, Cactos Peyotes, Cancro... Abriram a com a força do Heavy tradicional, ao som de “The Hellion/Electric Eye” do Judas Priest, quase uma introdução ao que se propõem para o seu som autoral, que se deu inicio com “Divine”, demonstrando a pegada da banda. Na sequência teve “Easy Livin'” do Uriah Heep, muito bem executada. Depois, mais trabalho autoral com “Blink” e “Into The Sands”. Outros covers vieram, “Remenber Tomorrow” do Maiden e “Sweat Leaf” do Sabbath, ambas cantadas em coro com a plateia. Outra autoral “Liverking” e o fechamento com outro do Judas, o clássico “Breaking The Law”, para delírio do público. O saldo do show do Liverking foi... “O Metal ainda vai muito bem, obrigado e a cena sempre se renova”!

Sanskrit: Os veteranos do Death/Thrash de Campo Grande vieram com tudo. O sexteto formado por: Alessandro Motta e Angelo Valle (Guitarra Sanskrit_Destaque_Arena_Do_Heavy_FOTO_Michael_Meneses_29072018_Credito_Obrigatórioe Voz), Cristiano “Bonito” Sanskrit_Destaque_Arena_Do_Heavy_FOTO_Michael_Meneses_29072018_Credito_ObrigatórioLeite (Batera), Anderson Araújo (Teclado), Jorge Freire (Vocal) e Heliton Gomes (Baixo) mostrou a potencia logo de cara com “Sacrifice” e “Life And Death”. Com o público já no clima detonaram “Raining Blood/Black Magic” do Slayer. Dando sequencia, ao set, “I'm Not Guilty” e “Cruel Reality”, e geral curtindo. Mais uma versão, dessa vez a clássica “Last Caress” do The Misfits, e o mosh correndo solto. Um momento especial e digno de nota, foi a homenagem ao tocarem “Guerra Sádica” do Cancro (banda veterana local) que recentemente perdeu um de seus membros, o querido Alexandre "Pinguim" Leite. A Jam com as duas bandas tocou a música acompanhada pelo público. Na sequência “Suicidal Pain”, e o fechamento com “Highway To Hell” do AC/DC. A Lona foi abaixo, e com certeza, uma estrela brilhou mais forte no céu... Valeu Pinguim! Valeu Sanskrit!

FIC Trio: O Power Trio formado por Fernando Barreto (Voz e Guitarra) e pelos irmãos Ives (Baixo) e Christian Pierini (Bateria) e que dispensa FIC_Trio_Arena_Do_Heavy_FOTO_Michael_Meneses_29072018_Credito_Obrigatóriomaiores apresentações. FIC_Trio_Arena_Do_Heavy_FOTO_Michael_Meneses_29072018_Credito_ObrigatórioConhecidos em toda Cena/RJ pelo excelente trabalho com a Black Dog, que já conta com vários anos de estrada, além de bandas autorais como Blasted, Blockhead, Carctus Peyotes, Sex Noise... Eles rapidamente detonam uma sequência clássicos que mantem o público aceso do início ao fim. “Hair Of The Dog” do Nazareth, “Two Minutes To Midnight” do Iron Maiden, “Good Times And Bad Times” e “Whole Lotta Love” do Led Zeppelin, “Ace Of Spades” do Motörhead e “War Pigs” do Black Sabbath são mais do que o suficiente pra deixar a todos com a certeza de ter trocado bem a preguiça de domingo em casa, por uma noite de Arena do Heavy.

Hicsos: Pensei em vinho, mas só um bom conhaque pra definir o Hicsos. Envelhecer é uma arte que poucos sabem executar, e eles com certeza Hicsus_Arena_Do_Heavy_FOTO_Michael_Meneses_29072018_Credito_Obrigatóriosouberam. Quem os Hicsus_Arena_Do_Heavy_FOTO_Michael_Meneses_29072018_Credito_Obrigatórioouviu lá no início da estrada e os ouve agora, assim como eu, sente a pressão que quase 30 anos de atividade traz. Hoje eles são uma máquina de metal feita para destruir e triturar. Abrem com a clássica "Can't Hang Terror". E seguem com “Black Rain” e “Mirror Eyes” fazendo a Lona tremer, volume não é para fracos. Outra clássica "Face To Face" é executada com precisão deixando o mosh pit enlouquecido. Na sequência, “Eatin' Concrete”, “Rise Underground”, “Agony Sllers”, “Destruction”, “Horrospital”, “Money Becomes God” e “Pátria Amada”, único som em português. Para o Bis o hino dos anos 80, “United Forces” do S.O.D., tudo com a colaboração do público que vibrou forte. A mensagem e o poder dessa música ganhar a força com a presença de Leonardo Rocha de 4 aninhos, o “Bebê Metal”, filho dos produtores do espaço Heavy Drink no vizinho bairro de Bangu que subiu no palco e que com sua guitarra de brinquedo deu uma aula de guitar-hero no palco, fazendo verdadeiros duelos de guitarra com os músicos da banda que nessa hora contou com Marcello Ledd no Baixo e Flavio Peixe (Liverking) nas baquetas. No mais, valeu Marco Anvito, Alexandre Carreiro, Celso Rossatto e Marcello Ledd pela noite de muita pauleira (como se dizia no passado)!Hicsus_Arena_Do_Heavy_FOTO_Michael_Meneses_29072018_Credito_Obrigatório

Hicsus_Arena_Do_Heavy_FOTO_Michael_Meneses_29072018_Credito_ObrigatórioFinalizando, parabenizo e agradeço aos que prestigiaram, colaboraram e trabalharam na produção do Arena do Heavy 2018! Tudo transcorreu como tem que ser e sem o esforço de vocês nada seria possível. O encontro de gerações que incluiu netos, filhos, pais e avos, foi a prova disso, no fundo todos amigos unidos pelo rock e que compareceram ao evento, alguns mesmo residindo em bairros da zona norte como Tijuca, Engenho de Dentro... vindo de cidades (Itaboraí/RJ) e até da capital Belo Horizonte/MG. Gente que desde 1990 reconhece a importância do Arena do Heavy e que ajuda a escreve a história do rock na zona oeste carioca! Que venham mais (e novas) tardes de domingo assim. #VALEU! – Alexandre Beckão.

Arena do Heavy – Eu Toquei, e toquei duas vezes...
Por Marcos Hermes*.

Falar sobre o Arena do Heavy, é voltar no tempo e relembrar uma época de guerrilha pelo metal, literalmente. Éramos moleques, apaixonados por música pesada, descobrindo o metal extremo e buscando meios de aprimorar nossas técnicas musicais, praticando incansavelmente em casa e nas salas de ensaio c/ pouquíssima estrutura. 

Tive o privilégio de tocar nas duas primeiras edições do festival, em 1990 com a banda que formei com amigos de bairro, em Nova Iguaçu, o Maleficent, com influências claras de Slayer, Death e Sepultura, e com o Dementia, em 1991, banda que me dediquei durante 5 anos e que me trouxe grandes referências musicais e amizades sólidas que duram até hoje. Sobraram problemas técnicos e falta de estrutura, mas sobrava fogo nos olhos para que tudo aquilo se perpetuasse na nossa memória até hoje.

O Arena do Heavy foi uma iniciativa marcante e histórica, para a cena metálica dos anos 90. Uma referência para todo o subúrbio carioca. A maior parte daquelas bandas foram verdadeiras desbravadoras do metal no underground carioca, junto com nomes que despontaram ali, no Garage Art Cult e no Caverna, numa época em que o metal extremo estava sendo criado e desenvolvido. Fizemos parte daquilo, com muito orgulho. Fazer parte daquele movimento foi um dos trampolins para que eu me transformasse num profissional da cena musical, até hoje. Aliás, para sempre. - Marcos Hermes. 

Marcos Hermes* além de músico é o principal nome da fotografia de espetáculos no Brasil. Através do seu olhar passaram nomes que vão das bandas de garage aos grandes nomes do rock mundial, passando por lendas da MPB, como Ney Matogrosso, Elza Soares, entre outros. Muito desses clicks estão no recém-lançado livro “Brasilerô". 
O livro encontra-se a venda em: https://www.marcoshermes.com 
Redes Sociais: @marcoshermes

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