A VOLTA DO PAVILHÃO 9 - Entrevistão com Mc Rhossi

"Pavilhão 9 - Acreditando e não Duvidando, Antes, Durante e Depois"

"Paginas Psicodélicas é o lar das grandes entrevistas do Novo Portal Rock Press, aqui conversamos com Personalidades das Artes, Política, Educação e logicamente do ROCK!

"Pavilhão 9 - Acreditando e não Duvidando, Antes, Durante e Depois"
Por Michael Meneses
Fotos: Roberto Salgado/Divulgação

Pavilhão 9 FOTO Roberto Salgado

Unindo “Ritmo e Poesia”, eles fizeram a “Trilha do Futuro” e lá se vão 25 anos entre os Bailes da Vida e o Palco Mundo do Rock in Rio em 2001 e seguiram “Mandando Bronca”. Passaram 11 anos hibernando, mas agora a melhor pegada de união entre o Rock com Rap do Brasil está de voltar. Sim, o PAVILHÃO 9 VOLTOU!

“Antes Durante Depois”, é o novo disco do Pavilhão 9. Lançado pela Deck, com produção da banda e Daniel Krotoszynski, o álbum está nas lojas em CD, no streamings e logo será a vez do Vinil. Independente do formato, o sétimo disco do Pavilhão 9, além de não ficar devendo nada aos trabalhos anteriores, acumula maturidade, peso, atitude e já é um dos grandes álbuns de 2017.

Agora além dos veteranos Mc Rhossi e Doze, o Pavilhão conta com o baixista Heitor Gomes (Ex-Charlie Brown Jr.), bateria de Leco Canali (Tolerância Zero) e o guitarrista Rafael Bombeck (que Rhossi trouxe do seu trabalho solo). O disco ainda contou com as pick-ups do DJ MF e teve arte de capa por Leandro Dexter.

O Novo Portal Rock Press, via Michael Meneses conversou por telefone com o Mc Rhossi o que rendeu essa edição de Paginas Psicodélicas. Dessa vez convidamos dois entusiastas da cultura alternativa carioca para duas perguntas ao Rhossi. O papo rendeu como podemos ver nas linhas que seguem!


Como foi o processo da volta e reformulação da banda?
Mc Rhossi:
Foi natural! Eu já conhecia o Heitor, já tinha participado do projeto dele, também conhecia o baterista Leco e o Rafael (Guitarrista) que tocou comigo em meus trabalhos solos. Foi um processo de vontade, minha e do Doze, que é o meu fiePavilhão 9 FOTO Roberto Salgadol escudeiro já há vinte anos no Pavilhão 9. Sabíamos que iriamos passar por essa reformulação e tá sendo muito legal esse nova formação, pois trouxe uma nova energia para a banda. Queríamos isso, mas a priori partiu da nossa vontade de continuar, em segundo lugar veio os fãs que se manifestaram pelas redes sociais pedindo a volta da banda, pois sentiam falta desse tipo de som no Brasil e sentimos que era um momento interessante e bacana para voltamos. Além disso, particularmente falando, o momento politico também foi o combustível para nossas composições, pois são temas que sempre comentamos desde os primeiros discos!

Vocês parecem ter evoluído o que sempre fizeram de melhor, unir Rock com Rap sem cair no modismo. Como foi o processo de criação do criação do disco?
Mc Rhossi:
Pois é! O “Depois” tá sendo muito legal. Esse publico mais jovem que não conhecia o Pavilhão 9 e tá na casa dos 17, 18 anos tá começando a conhecer mais a banda, tendo acesso à discografia da banda que tá inteira no streaming. A gente se reestruturou através das redes sociais para exatamente falar com esse publico mais jovem que não nos conhecia. Tá sendo mundo bacana e todos estão recebendo muito bem os novos integrantes. A galera tem comentado muito que era um som quem sentiam falta de ouvir. Também teve um processo de amadurecimento natural, da nossa e da minha parte, tanto nas letras como na musical, estudamos bastante como iria ser a parte instrumental do Pavilhão 9. Trocamos muitas referencias com o Pavilhão 9 CD Antes Durante Depois Heitor Gomes que foi determinante para a produção desse novo disco e tá sendo muito legal esse retorno tão grande dos novos e antigos fãs, pois foi um trabalho que naturalmente amadurecemos na parte de escrita, vocal e musical.

O álbum vai sair em Vinil. Haverá alguma surpresa na versão em vinil?
Mc Rhossi: Surpresa tem! Mas prefiro não comentar porque realmente é uma supressa (Risos)! Estamos lançando junto com a Deck que tá fazendo uma distribuição muito bacana no Brasil inteiro. Lançamos e estamos na divulgação do Streaming e do CD físico e posteriormente é a vez do Vinil. Para gente sempre foi interessante o vinil, pois mostra a arte de forma maior, será a conclusão de todo um trabalho ter esse projeto lançado em vinil, que para nós nunca saiu de moda, sou colecionador de vinil e hoje as pessoas estão cada vez mais consumindo discos de vinil!

Rap, Rock e afins, infelizmente quase sempre foram marginalizados! Pavilhão 9 é uma banda que mescla os dois estilos. Como lidar com o preconceito que às vezes existem dentro da própria cena?
Mc Rhossi:
Acho que esse preconceito existia lá atrás, hoje você pega o jovem que tá na internet, acessando o Youtube, Instagram... ele consome de tudo e ao mesmo tempo que ele está ouvindo uma banda de Rock, de repente ele mudar o play e tá ouvindo um grupo de Rap, curtindo tatuagem, skate, enfim, o jovem hoje mudou um pouco essa forma critica de enxergar as coisas. Diria que os mais puristas, isso há 10 anos e que levavam muito em conta essa mistura, mas o Pavilhão soube flertar muito bem com o Rock e com o Rap e até mesmo com outros estilos, pois já gravamos com a Nação Zumbi. Soubemos muito bem flertar com outros estilos e deixar de forma homogênea em nossos CDs, na nossa arte e não tem sido diferente com “Antes Durante Depois”. Vejo que hoje o publico tá consumindo essa mistura de mais bandas como, Linkin Park, Prophets of Rage, Lipm Bizkit, Rage Aganist The Machine..., aquele estigma que existia de separar, já não existe tanto e o Pavilhão 9 tá sendo mais compreendido pela minha geração e pela nova geração.
 
O que vocês têm escutado do novo Rap, Rock e Hip-Hop nacional?
Mc Rhossi:
De nacional tem o Black Alien que gosto bastante e o disco novo dele tá muito legal, e internacional têm as referencias de Rap Americano que estão sugerindo agora como Multi Money, Avant Rock, Kodak Black que tem essa pegada meio Trap. Estou super atual com essas coisas, inclusive no disco coloquei uma pitada de Trap-Rock na música “Acredita Não Duvida”. Escuto de tudo, como colecionador de vinil, desde Funk dos anos 1970 como Sly & The Family Stone, Funkadelic e coisas mais antigas, bastante coisa de Jazz e não só música, literatura também inspira para continuar escrevendo, essas referencias são importantes para a criação de um disco.

Você acompanha o Rap carioca?! Parte da cena Rap do Rio tem uma pegada diferente do que é produzido em São Paulo. Como você ver a vertente carioca do estilo?
Mc Rhossi:
Conheço, conheço e acompanho o Filipe Ret, Pirâmide Perdida, Akira Presidente e o Luccas Carlos estão fazendo um som bem legal. Também conheço um pessoal do Rio que já faz Rap há um tempo, como o Marcelo D2 que já é um medalhão, mas a galera nova também tá fazendo um trabalho muito legal!

Em São Paulo o prefeito apagou obras de artes pelas ruas da cidade, no Rio o prefeito vem cortando verba de eventos como a Parada Gay e o Carnaval Carioca. Como você vê a atual situação politica social e cultural?
Mc Rhossi:
Infelizmente, notamos nos noticiários que a situação politica está uma pouca vergonha. “Tudo Por Dinheiro” é uma música do novo disco fala sobre isso, fala dessa indelicadeza politica, dessa falta de sensibilidade e direção do país, o Brasil tá sendo mal dirigido, o povo que trabalha todos os dias sofre com isso ou enfrenta dificuldades para conseguir um emprego. Acho que o problema maior não é o grafite, como o Doria (Prefeito de São Paulo) ver aqui, tem outros problemas maiores que precisam ser resolvidos, o grafite é apenas uma expressão artística e eles estão se preocupando com o grafite, batem nessa tecla para chamar atenção, enquanto outras coisas mais sérias deveriam ser a pauta. Toda essa falta de direção dos politica do Brasil e indignação das pessoas foram inclusive gasolina em um motor potente para o nosso trabalho. Ninguém aguenta mais essa roubalheira, á começar pelo Sergio Cabral (Ex-Governador do Rio de Janeiro), é um ego maior que qualquer coisa, o cara pegar uma sala e enfiar um monte de dinheiro, para dizer o que; Que ele é poderoso? Sergio Cabral quebrou o Rio de janeiro, as pessoas no Rio estão sofrendo com isso. São assuntos evidentes que muita gente finge não ver, é muito insensível você ver e não comentar nada, achar que tá tudo bem, que agora é só Ciroc e Cerveja Gelada, não dar para ser assim e o Pavilhão 9 vem nesse contraponto!

Com a volta do Pavilhão 9 como fica a sua carreira solo?
Mc Rhossi:
Nesse período de 10 anos estive em carreira solo e chegava aos lugares para apresentar meu CD e a galera perguntava pelo Pavilhão 9 (Risos). Meu trabalho solo é diferente do Pavilhão, abordo outros temas que não é o perfil da banda, mas no futuro pretendo dar uma atenção à carreira solo, mas não agora, porque agora o foco é o Pavilhão 9.

Falta pouco para mais uma edição do Rock in Rio. O que você lembra show do Pavilhão no Rock in Rio em 2001?
Mc Rhossi:
O Rock in Rio foi o ápice da nossa carreira! Conheci o Roberto Medina junto com sua filha a Roberta Medina que na época ainda pequena, uma criança, quase adolescente em 2001 e hoje ela assume o Rock in Rio. Aquele Rock in Rio foi um divisor de águas, foi um momento forte para nós, tocamos na noite do Metal, com Sepultura, Iron Maiden... Publico fiel do Metal e conseguimos conquista-los. Sabíamos que Rock in Rio iria evoluir bastante, que aquele era o embrião do que seria o Festival hoje, que iria crescer e ficar com uma estrutura melhor. Temos a vontade de voltar em uma próxima edição do evento, com essa nova formação e repertorio, inclusive fomos até convidados pelo José Ricardo para prestigiar o Palco Sunset do Rock in Rio desse ano.


Convidamos músicos e ativistas da cultura carioca para mandar perguntas para você e selecionamos essas!


NANE MEDUSA - (Baixista da banda Fokismo e tatuadora): “Se Deus vier, que venham Armado”, foi o primeiro CD de vocês que ouvir. Tinha 13 anos e ganhei do meu falecido primo que me falou: “Escuta essa porra e aprende a realidade da Vida!” Depois desse dia minha vida mudou. Vocês tem ideia de quantas vidas mudaram e/ou salvaram com suas letras e se isso reflete na caminhada de vocês?
Mc Rhossi:
Bastante gente comenta sobre as letras, é uma coisa que não tem preço! Falar com as pessoas através da musica e elas falarem que a música mudou a vida delas, realmente não tem explicação e nem preço. Falamos que a musica do Pavilhão 9 é positiva, para alertar, para dar autoestima às pessoas. A forma como trabalhamos, nos comunicamos e que reflete nas pessoas, queremos alertar, mas não ditar regras, com o discurso do “Ô Faça isso ou Faça Aquilo”. Simplesmente expor o que a gente ver, de uma forma legal para as pessoas se divertirem também e fico muito feliz em ver as pessoas cantando minha letra, qualquer musico gosta de ver seu trabalho chegando às pessoas!

ALEXANDRE BECKÃO - (DJ e Agitador Cultural): O Pavilhão 9 vem do tempo da Fita-Demo. Como você vê essa molecada que possuem tantos recursos digitais e pouco faz pela arte?
Mc Rhossi:
Realmente é um a outra geração, eles pegaram tudo “Asfaltado enquanto tivemos que quebrar pedreira” (Risos). Somos de um momento que era preciso ter aquele impacto, ser visceral e até mais radical para ser mais ouvido. Eles não passaram pelas nossas dificuldades, não tínhamos celulares, sou da época do BIP, era um processo bem mais difícil, hoje essa juventude não têm essa dificuldade e isso reflete na arte deles, na forma de se expressarem, de cantar e talvez por isso não tenham tanta reivindicação. Embora ache que ainda precisamos “Falar, Apontar e Reivindicar!”.

Finalizando. Como resumir 25 anos de história em algumas linhas?
Mc Rhossi:
Em poucas linhas, é: “Pavilhão Mandando Bronca” (Risos). A gente continua “Antes Durante e Depois” mandando essa bronca! Uma bronca legal, positiva, de alerta, de conhecimento. Hoje noto que a nova geração e outros gêneros musicais não tocam muito nesse assunto e sentimos essa necessidade em falar desses temas, são temas que poucos Rappers estão abordando, os rappers de hoje falam de relacionamentos, do romance com a namorada, da bebida, do dinheiro... Falar e tocar sobre esses nossos temas acabam sendo diferente do que vem sendo tocado por ai e que realmente estava faltando. Por fim estamos muito felizes e contentes com nosso retorno e espero tocar no Circo Voador, Fundição Progresso... Fazer shows com o Pavilhão 9 e também estamos felizes em saber que você tá assumindo a gerencia da Rock Press, isso é mais que merecido, já que você conhece a história de varias bandas e não está de gaiato no navio!

Nota do Editor: “Comecei a acompanhar Pavilhão 9 ainda no underground nos primeiros anos da década de 1990. Em 1997 quando trabalhava no Jornal Zona Oeste (RJ) fui cobri a CD-Expo onde conheci pessoalmente o Rhossi e banda e dias depois levava o CD do Pavilhão 9 ao Programa On The Rocks da Rádio Comunitária de Campo Grande/RJ. Passados 20 anos do meu primeiro contato jornalístico com a banda, entrevistar o Mc Rhossi e hoje estando à frente do Novo Portal Rock Press é uma experiência bastante motivadora! Lembrei um pouco dessas histórias ao Rhossi que ficou feliz em saber e lembrar de tudo, assim como demostrou-se sensibilizado com a história e pergunta da Nane Medusa, afinal os anos passam e se cada um fizer por aonde a evolução chega junto”. 

Por: Michael Meneses
Nossos agradecimentos ao apoio técnico de Som de Fernanda de Souza do Nucom – Universidade Estácio de Sá Campus Madureira/RJ, Nane Medusa, Alexandre Beckão e todos que enviaram perguntas ao Pavilhão 9.

Postado por Michael Meneses quarta-feira, 30 de agosto de 2017 22:29:00 Categories: Circo Voador Fundição Progresso Marcelo D2 Pavilhão 9 RAP Rock Rock in Rio 2017