“Por Favor, Toque, Sr. Hackett!!!” - RJ – 23/03/2018

Em tour pelo Brasil, o ex-guitarrista do Genesis, Steve Hackett revive os grandes momentos da sua STEVE HACKETT Rio de Janeiro 2018-03-24_ Steve Hackett_Eduardo Hollanda_Rock Presscarreira solo, do GTR e logicamente do Genesis, agradando em cheio ao público que lotou a casa de espetáculos Vivo Rio para assistir um dos mais aclamados guitarristas, não só do rock progressivo como do rock mundial em uma noite magistral!

“Por Favor, Toque, Sr. Hackett!!!” - Rio de Janeiro – 23/03/2018
TEXTO: Rick Olivieri – FOTOS: Eduardo Hollanda

STEVE HACKETT 2018-03-24_ Steve Hackett_Eduardo Hollanda_Rock Press

STEVE HACKETT 2018-03-24_ Steve Hackett_Eduardo Hollanda_Rock PressTodos a postos. Hackett e banda entram no palco para iniciar com a vigorosa “Please Don't Touch”, do álbum homônimo – o segundo solo da carreira do guitarrista e o seu primeiro já fora do Genesis. Antes de ir para a próxima, Steve (68 anos), o tempo todo bastante simpático, arrisca algumas frases em português para a audiência, já que é bastante familiarizado com o Brasil. Fã de Villa-Lobos e Milton Nascimento, ele tocou com Richie em “Vôo de Coração”, além de ter sido casado com uma brasileira até 2007.

Por falar em simpatia e simplicidade (que ele, pelo visto, teve que lapidar ao lidar com egos inflados aqui e ali, ao longo da carreira), importante fazer uma pausa para ressaltar outro aspecto a respeito de Steve Hackett: apesar de seu nome ter se tornado quase uma lenda na história da música e dele ser a figura central da noite, assistindo sua performance fica nítido que ele é um artista que não se coloca à frente das composições que apresenta ao mundo. Assim como seu conterrâneo britânico, David Gilmour, ele parece compreender que o instrumentista deve buscar estar a serviço da música produzida. Desta forma, enquanto muitos virtuosos heróis da guitarra procuram tocar um milhão de notas por minuto subindo e descendo a escala, Hackett é, normalmente, mais comedido e seletivo na sua escolha da forma de se expressar, com os solos formando uma paisagem ao lado dos acordes. E, no entanto, sua técnica se mostra primorosa em cada momento. Sentimento, precisão e bom gosto à toda prova, são elementos que os fãs que o acompanham sempre tiveram deste veterano do som progressivo!
 
Bom, dito isto, voltamos ao setlist. Na excelente “Every Day”, do álbum “Spectral Mornings”, Hackett mostra que sabe cantar (e muito bem, por sinal) – chegando a surpreender os mais acostumados a vê-lo tocando quieto no seu canto, nos velhos tempos em que cabia a Peter Gabriel ou Phil Collins o posto de frontman. A forte “Behind the Smoke” deixa ainda mais claro esse ladoSTEVE HACKETT 2018-03-24_ Steve Hackett_Eduardo Hollanda_Rock Press dele. Além disso, a plateia se vê diante de uma das melodias e ritmo mais marcantes da noite, no que tange à sua carreira solo. Com um começo mais para o climático, a música - hipnótica como “Kashmir” do Led Zeppelin - vai num crescendo de intensidade que beira quase o heavy metal. “El Niño” e “In the Skeleton Gallery” mantêm a pegada firme, com destaque para o solo de Hackett na harmônica, nesta última. A essa altura já ficou claro para todos os presente que estamos diante de músicos excepcionais. São eles: Roger King (teclados), Gary O'Toole (bateria; percussão), Rob Townsend (sax/ flautas) e Jonas Reingold (baixo).

Em seguida, é a vez de “When the Heart Rules the Mind”, composição dos tempos de GTR, banda formada em meados dos anos 80 e que contava também com o renomado Steve Howe, naquele período, fora do Yes. É hora, também, do ótimo vocalista Nad Sylvan adentrar o palco e assumir o microfone.

STEVE HACKETT 2018-03-24_ Steve Hackett_Eduardo Hollanda_Rock PressHackett termina a primeira parte do show com a melódica “Icarus Ascending”, do “Please Don't Touch” e a maravilhosa “Shadow of the Hierophant”, do seu primeiro trabalho solo, “Voyage Of The Acolyte”. Chega o momento tão esperado por muitos de ter a oportunidade de ouvir a revisitação de Hackett a grandes clássicos do Genesis! Começando pela arrepiante “Dancing With the Moonlit Knight”, do aclamado  “Selling England by the Pound”. É neste ponto que fica mais claro o quanto Nad Sylvan é versátil. Pois, logo após levar esta obra grandiosa e que ficou marcada na voz (e interpretação teatral de Gabriel, caracterizado nos shows como Britannia), o cantor manda igualmente bem em “One for the Vine” e “Inside and Out”, que fazem parte da fase Phil Collins. Na sequência, temos as fabulosas “The Fountain of Salmacis” e “Firth of Fifth”, o passeio sarcástico e quase perturbador pelos labirintos da mente humana que é “The Musical Box” e a apocalíptica e ímpar obra-prima, “Supper's Ready” (levada na íntegra de forma magistral)!

Hora do bis e da bela “Horizons”, do álbum “Foxtrot”. E para fechar com chave de ouro, como de costume, “Los Endos”, do “A Trick of the Tail”, primeiro trabalho do Genesis sem Peter.

Mesmo tendo sido deixadas de lado, neste repertório atual, músicas extraordinárias como “The Cinema Show”, “In the Cage” e “Afterglow”, a certeza que se tem, ao término desta noite memorável, é a de que o fim do mundo pode até estar vindo por aí, mas todos ali acabaram de assistir a um dos melhores shows de suas vidas. - Por Rick Olivieri*


*Por Rick Olivieri - Músico e Produtor de Áudio-Visual

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