“Nos Braços Dos Fãs” - Angra e Maieuttica no Circo Voador

Em memorável noite Sold Out no Circo Voador, no lançamento da tour do álbum Omni, a banda paulistana Angra teve o Angra_Circo Voador_31-05-2018_foto_Eduardo Hollanda_Crédito Obrigatóriocompetente Metalcore carioca do Maieuttica como abertura e o apoio do público, que se mostrou mais fiel do que nunca.

“Nos Braços Dos Fãs” - Angra e Maieuttica no Circo Voador – 31/5/2018
TEXTO: Jonildo Dacyony – FOTOS: Eduardo Hollanda

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Escrever sobre shows no Circo Voador em um final de semana é uma tarefa, de certa forma, fácil. Mesmo que o espetáculo para o qual você foi designado não crie grandes expectativas (o que não foi o caso), pois a probabilidade de você presenciar cenas peculiares e antológicas é muito grande. Isso já faz parte da tradição do Circo, em suas mais de três décadas de existência. Agora, imaginem uma noite em um início de feriadão, onde temos sob a lona a banda que é a maior expressão do Metal Melódico nacional e em uma rua próxima, outra, que é o maior nome do Punk/HC/Crossover brasileiro, abrilhantando mais ainda a noite de gravação do DVD comemorativo de uma outra veterana com 30 anos de estrada. Pois bem, esse era o cenário que tínhamos na Lapa, na noite de 31 de maio: de um lado, Ratos de Porão e Pacto Social, do outro Angra, tendo como banda de abertura os competentes músicos do Maieuttica. 

Alguns comentários que li em redes sociais diziam que, se fosse há 20 anos, teríamos confusão generalizada no entorno, por conta dos diferentes públicos que estariam em ambas as casas na noite de quinta. Deixa o tio dizer uma coisa pra vocês: há cerca de  25 anos, João Gordo estava fazendo participação especial em show do Viper. Já naquela época, isso já estava começando a deixar de existir. Portanto amiguinhos, o público hoje é muito diferente de trinta anos atrás. A moçada hoje é, sem dúvida, muito mais tranquila. Prova disso, é que tivemos casa cheia em ambos os shows e nenhuma ocorrência grave.Maieuttica_Circo Voador_31-05-2018_foto_Eduardo Hollanda_Crédito Obrigatório

Maieuttica_Circo Voador_31-05-2018_foto_Eduardo Hollanda_Crédito ObrigatórioCom ingressos esgotados e público chegando cedo, a apresentação do Maieuttica começou com uma certa pontualidade, pouco depois das 21:00. Apesar de não fazer exatamente o  tipo de som que o público presente curte, o que ficou bem claro nas reações de algumas pessoas presentes, a banda carioca se mostrou uma escolha à altura para abrir um show como este. Divulgando seu último trabalho "Hiatus: Ausência", fazem um som que está situado entre o Metalcore e estilos mais tradicionais como Thrash e o Hardcore. Musicas bem enxutas e diretas, com destaque para "Brame", que possui ótima letra e arranjo caprichado e a nervosa "O Paciente: Cárcere", cheia de referências filosóficas, como, aliás, é muito comum nas letras do grupo.

Angra_Circo Voador_31-05-2018_foto_Eduardo Hollanda_Crédito ObrigatórioDepois de um certo tempo de espera, começamos a ouvir as primeiras notas de "Crossing", a Angra_Circo Voador_31-05-2018_foto_Eduardo Hollanda_Crédito Obrigatóriobelíssima introdução do álbum "Holy Land", que antecede "Nothing to Say". Aos fãs um pouco mais desavisados, é perfeitamente compreensível que esta tenha sido a canção escolhida para a abertura dos shows nessa tour, talvez porque a proposta seja apresentar as novas músicas, mas sem a obrigação de seguir a sequência do álbum, o que deixaria uma certa obrigação de fazer um show conceitual e talvez executar "Omni" na íntegra, como acontecerá em SP, durante a gravação do DVD, em julho. 

Seguiram com "Travellers of Time" e daí em diante, alternaram sons antigos com recentes. Executaram ótima sequência com os hits "Newborn Me" e "Time", sucedidos por "Light of Transcendece", que abre o último disco. 

Em "Insania", pudemos perceber o esforço de Fabio Lione ao tentar desempenhar um bom trabalho quando o som não ajuda, especialmente em composições que ainda não haviam sido tocadas no Rio.

Angra_Circo Voador_31-05-2018_foto_Eduardo Hollanda_Crédito ObrigatórioTivemos um ótimo solo de bateria de Bruno Valverde, que mostrou muito carisma ao interagir com o público e em seguida, um dos pontos altos da apresentação: "Black Widow's Web", que no álbum contou com a participação de Alissa White-Gluz, do Arch Enemy e da cantora Sandy. Ao executarem essa música, comprovamos o talento de Rafael Bittencourt, que além de guitarrista, fundador e principal compositor do Angra, tem se mostrado um excelente cantor. Aqui, as partes de Sandy ficaram a seu cargo. Pudemos presenciar também Felipe Andreoli fazendo os backing vocals guturais gravados por Alissa e é claro, a versatilidade de Lione, que cantou sua parte e fez também as da cantora canadense quando esta fez os lead vocals. Outro grande momento foi quando Rafael chamou ao Angra_Circo Voador_31-05-2018_foto_Eduardo Hollanda_Crédito Obrigatóriopalco o multi-instrumentista Bruno Sá para executarem "Z.I.T.O". Sá acompanhou a banda com um flauta transversa e mesmo com os problemas de retorno que Fabio enfrentou durante quase toda a apresentação, o público cantou a canção do início ao fim.

Para amenizar a irritação do vocalista, que a esta altura já era mais do que notória, o público parecia carregá-lo no colo, dando apoio a sempre que ficava sem retorno ou seu microfone falhava, chegando a descontraí-lo quando anunciou "Magic Mirror", mas na verdade deveriam tocar antes "Lisbon". Lione, diante de risos da plateia, explicou que haviam dois setlists diferentes afixados no palco. Porém, foi só começarem as canções que voltaram os problemas. Essas Angra_Circo Voador_31-05-2018_foto_Eduardo Hollanda_Crédito Obrigatóriofalhas levaram o italiano a chutar os equipamentos do backstage algumas vezes. 

Após saírem brevemente do palco, Rafael voltou sozinho e relembrou uma situação ocorrida na primeira vez em que o Angra veio tocar no RJ: esse foi o único show por aqui no qual ele não tocou, pois passou mal e teve que ser levado a um hospital. Isso foi no longíquo ano de 1993 e este que vos escreve estava presente no Garage naquela noite. Dito isto, cantou junto com o público Angra_Circo Voador_31-05-2018_foto_Eduardo Hollanda_Crédito Obrigatório"Reaching Horizons" que compôs antes mesmo de o Angra se chamar Angra. Depois agradeceu a todos os músicos que já passaram pela banda e chamou os atuais ao palco novamente, um a um.

Para o bis, vieram com "Rebirth" e o microfone do vocal falhou pela enésima vez, mas dessa vez o público cantou tão alto que Fabio Lione ficou até sem palavras para agradecer. O Gran Finale foi com "Carry On", onde aconteceu talvez o que tenha sido o momento mais simbólico da noite: Rafael deu um stage dive e o público, depois de carregá-lo nos braços por alguns instantes, o devolveu ao palco, onde voltou para tocar a canção em curso e emendou em "Nova Era", que encerrou a noite em grande estilo. 

Uma noite onde poderia ter saído tudo errado, mas devido ao profissionalismo dos músicos e principalmente ao carinho do público, se tornou Angra_Circo Voador_31-05-2018_foto_Eduardo Hollanda_Crédito Obrigatóriomemorável. Indubitavelmente, o Angra tem algo que só as grandes bandas possuem: PÚBLICO FIEL! – Jonildo Dacyony

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